17/01/2007
A Expedição dos Poetas
Com a ajuda oculta do governador Silvério Néri, e depois da saga heróica de Galvez, um grupo de intelectuais de Manaus imaginou uma expedição para, mais uma vez, tomar posse do território acreano. Eram poetas, boêmios, sonhadores que se encontravam nos cafés, nos hotéis e casas de divertimento onde se reunia a mocidade da capital. Para dar um tom sério à empreitada, batizaram-na com gala:
E trataram logo de emprestar um sentido militar e cívico, como convinha à glória da campanha e nos altos intuitos da causa: Expedição Floriano Peixoto.
(1) ...mas ela ficou conhecida como Expedição dos Poetas porque...
A idéia empolgou a imaginação romântica dos conspiradores. Cada um deles sentia-se um Lord Byron, defendendo a liberdade de um país espoliado. Os bolivianos seriam os turcos, escravizando o Acre – a Grécia da cultura clássica, pela qual o autor de Don Juan sacrificou a vida.
(2)Partiram no dia 16 de novembro a bordo do Solimões, um gaiola (navio) obsoleto alugado por onze contos de réis. Tinham também um pequeno canhão (que mais prejudicou do que ajudou os revolucionários).
Sem conhecimento militar, os poetas fracassaram, o que parecia evidente desde o princípio. Mas há, claro, a beleza sem igual de terem lutado:
Com relação a esta expedição, é justo que se reconheça: se aos seus membros faltavam disciplina e instrução militares, sobravam amor à causa e desprendimento pessoal.
(3)Beijão pra vcs. Estava com saudades!
(1) TOCANTINS, Leandro. Formação Histórica do Acre. 4º edição. Brasília. Editora Senado Federal. 2001. Vol. 1, p. 487
(2) TOCANTINS, Leandro. Formação Histórica do Acre. 4º edição. Brasília. Editora Senado Federal. 2001. Vol. 1, p. 487
(3) ESTADO - MAIOR DO EXÉRCITO. História do Exército Brasileiro. Brasília. Serviço Gráfico da Fundação IBGE. 1972. Vol. 2, p. 754.
Postado por Giovana Manfredi
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