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Glória Perez, autora da minissérie, e as pesquisadoras Bianca Freire-Medeiros, Giovana Manfredi e Sandra Regina convidam você a dar um mergulho ainda mais profundo no universo da trama!
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26/12/2006

Um soneto de JUVENAL ANTUNES



Juvenal Antunes era uma grande figura: quem nao o conheceu no Acre, por ter nascido depois de sua morte, cresceu escutando falar dele.
Aqui vai um dos sonetos que ele escreveu na sua mesa cativa, à frente do hotel Madrid, onde passava o dia inteiro bebendo e fazendo poesia

Na minissérie, ele será interpretado pelo Diogo Vilela. '
E aí vai o soneto:

O ACRE

Terra gigantea e nova, opulenta e feraz,
Que a miséria e ambição povoaram de repente,
Como virgem pudica, amorosa e inocente,
Entregaste teu seio ao nordestino audaz.

Aqui corria outrora, em imensas caudais,
O rio de dinheiro, em tumultuosa enchente;
E era belo de ver como esta heróica gente
Disputava o bastão de quem gastava mais.

Das espigas, porém, como no Egito plenas,
O septenio acabou; e, hoje, num triste drama,
Vemos, representando o seu papel, apenas,

Seringueiros, que a fome encova as faces lívidas,
A borracha a dois mil e pouco o quilograma,
Bacharéis sem questões e coronéis com dívidas!



Postado por

Glória Perez

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