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07/12/2006

do jornalista Elson Martins sobre WILSON PINHEIRO



Nascido em Careiro, pequeno município do Amazonas, Wilson ainda jovem tornou-se órfão de pai. Com mais dois irmãos passou a sustentar a família trabalhando como lixeiro da Prefeitura de Manaus. Passavam muitas dificuldades, por isso sonhou com a vida de garimpeiro em Porto Velho, Estado de Rondônia. Foi para lá, adoeceu de malária e exauriu a juventude sem melhorar de vida. Mandava mixaria para a família. Depois, ficou sem notícias da mãe e, desolado, enfiou-se nas matas acreanas tornando-se seringueiro. Casou, teve oito filhos, estava há 20 anos no seringal Sacado quando apareceram os fazendeiros.

A Contag o encontrou em 1975 com 47 anos , sofrido e triste mas com energia para juntar-se aos companheiros e resistir. Era valente, sério, de poucas palavras mas muita ação. Quando falava media o que dizia, não queria formular nenhum pensamento torto. Sua coragem animava outros companheiros do seu e dos outros 7 sindicatos criados em seguida.Todos o procuravam e pediam orientação. Estava no segundo mandato como presidente do Sindicato de Brasileia quando foi assassinado, de emboscada, em 21 de julho de 1980. O jornal Varadouro registrou:

Eram 8h30 da noite, a pequena cidade fronteiriça com a Bolívia assistia a novela “Água Viva” em que o personagem Miguel Fragonard caia morto em sua residência, atingido por um tiro. Wilson também via a novela na sede do sindicato. Seu companheiro de diretoria, João Bronzeado, acabava de dizer: “Companheiro, vamos largar de mão essa novela e ajeitar os nossos papéis. Novela não dá futuro para trabalhador”. Wilson, que se levantara, não teve tempo de responder. Do lado de fora da casa partiram três disparos que lhe atingiram os rins e ele caiu morto.

“Ele tinha um tino administrativo, falava com o trabalhador como a um irmão”; “Foi um homem de muito respeito. Não tem ninguém que possa dizer uma vírgula contra ele”; “Ah, se não fosse ele os fazendeiros tinham derrubado tudo quanto era seringueira e castanheira”. Assim falaram os companheiros chorando sobre o seu cadáver.


Sob o comando de Wilson Pinheiro, os trabalhadores realizaram em 1979 o chamado “grande mutirão contra a jagunçada” na estrada de Boca do Acre, com mais de 300 sindicalistas. Esse evento foi um marco de resistência. Confiante, Wilson mandou o recado duro que apressou sua morte: “Nós não vamos permitir desmatamentos no Acre”. O recado afrontou as elites e até autoridades públicas (do IBDF, Incra, da segurança estadual e federal). Numa reunião da Sudhevea (Superintendência da Borracha, extinta) promovida em Xapuri, no dia 14 de junho de 1980, o ex-seringalista Guilherme Lopes, folclórico e falastrão, sugeriu uma solução para acabar com os “empates”: matar o presidente do Sindicato, os padres e o delegado da Contag. Sugestão acatada. Oito anos depois de Wilsão, mataram também Chico Mendes, no dia 22 de dezembro de 1988, às 18h30, quando saia da cozinha para o quintal de sua casa. Com tiro de chumbo no peito.
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Glória Perez

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