Glória Perez, autora da minissérie, e as pesquisadoras Bianca Freire-Medeiros, Giovana Manfredi e Sandra Regina convidam você a dar um mergulho ainda mais profundo no universo da trama!
11/11/2006
Os Geoglifos do Acre![]() fotografia de Sergio Valle ![]() fotografia de Altino Machado: um poste dentro de um geoglifo O jornalista acreano ALTINO MACHADO escreve, para nos, uma crônica sobre eles. Com a palavra, o ALTINO: Espero que haja espaço na minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes" para ser mostrado ao povo brasileiro os geoglifos do Acre - as figuras que se tornaram visíveis na terra após o corte raso e a queima da floresta para a formação de pastagens. Trata-se de uma das descobertas mais fantásticas da arqueologia amazônica ou sul-americana dos últimos tempos. Valas e fragmentos dos geoglifos já formam os maiores monumentos arqueológicos do país e podem contar uma nova história sobre os povos que viveram na América antes da chegada dos europeus. A minissérie poderá contribuir para chamar a atenção e impedir a destruição de um legado que data do século XIII, mais de 200 anos antes de Pedro Álvares Cabral desembarcar no Brasil Existe uma velha polêmica que envolve etnólogos e arqueólogos sobre as formas de organização social e nível de complexidade sociocultural alcançados pelas sociedades indígenas encontradas e dizimadas pelos europeus a partir do século XVI. Perdurava a tese de que sociedades complexas e populosas se desenvolveram apenas na várzea amazônica, não em áreas de terra firme. Os pesquisadores envolvidos com os estudos prelimares dos geoglifos dizem que a razão pela qual foram construídos, bem como aquela população se organizava em termos sociais, econômicos e culturais, pode provocar uma verdadeira quebra de paradigma dentro da disciplina arqueológica e mudar para sempre o curso dos estudos sobre as sociedades pré-coloniais amazônicas. A partir dos geoglifos, surgem evidências de que também se desenvolveram sociedades complexas na Amazônia, que promoveram enorme alteração na paisagem. Os pesquisadores trabalham com a hipótese de que no Acre, há mil anos, viveram sociedades mais numerosas do que a população existente hoje. As imagens de satélite do Google Earth ajudaram na identifição de um terço dos 120 geoglifos no Acre. Um artigo científico a respeito será publicado em breve por três pesquisadores, mas dentro e fora do Acre o assunto ainda é muito desconhecido. Os arqueólogos querem tombá-los como patrimônio da humanidade, por enquanto, não foi sequer tombado pelo Estado ou municípios. Nos últimos meses registrei a dilapidação de nossos geoglifos. Recentemente, um poste de energia elétrica do Programa Luz para Todos, do governo federal, foi fixado dentro de um de nossos geoglifos mais belos - um retângulo com um círculo dentro, cuja imagem faz lembrar a logo da Rede Globo. Na semana passada, no Dia de Finados, fotografei o estrago causado por um trator com arado, que aplaionou um dos maiores geoglifos do Acre, na Vila Pia, na BR-317, a 60 quilômetros de Rio Branco. Esses e tantos outros casos chegam ao conhecimento do Ministério Público e do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que não tomam nenhuma medida para coibir a destruição. O Iphan não possui normas claras e procedimentos que devem ser tomados para a exploração turística dos sítios, tampouco gente para fiscalizar os sítios arqueológicos. É necessário que haja estudos, divulgação e exploração turística dos geoglifos da melhor forma possível. Sem divulgação, não haverá pressão da sociedade sobre parlamentares para protegê-los com leis e portarias, que podem e devem ser criadas, pois a lei federal é muito ampla. Em setembro, uma equipe de documentaristas de uma emissora da TV japonesa esteve no Acre para filmar os geoglifos. NoS próximoS dias, uma equipe do Globo Repórter, da Rede Globo, estará em Rio Branco para fazer o mesmo. O ritmo de destruição está sendo tão intenso que as futuras gerações correm o risco de conhecer apenas os geoglifos registrados em fotos e vídeos. Torço para que nossos geoglifos não sejam eliminados do cenário amazônico. P.S.: gostaria de sugerir aos interessados, algumas leituras sobre o tema: os geoglifos do Acre, janela para o passado, Pré-História do Acre, geoglifos pra boi pastar, Japão filma os geoglifos, Arqueologia Amazônica http://www.geoglifosdaamazonia.hpg.ig.com.br/index.htm. http://altino.blogspot.com/2005/10/janela-para-o-passado.html |