07/11/2006
O saber natural
A pesquisa para a minissérie está nos ensinando muitas coisas, mas o que mais me chama a atenção é o conhecimento empírico daqueles que viviam (e vivem) nos seringais. As parteiras conseguem, sem nenhum aprendizado acadêmico, “aparar” meninos e meninas quase sem recursos. O ser humano é mesmo uma coisa, não?
Olha só o trecho que encontrei sobre nascimento de gêmeos no livro “Defumadores e Porongas”, do Álvaro Maia:
“Dona Emereciana relatava os aperreios de gêmeos quando nascem, sendo curumim e cunhatã*. Começam a brigar antes de nascer, cada um querendo botar a cabeça pra fora. Porque mulher é como piraíba**. A barriga tem dois espaços engordurados. Mete-se a peixeira no espinhaço pra coisa dar certo. Nos gêmeos é a mesma coisa. A gente faz umas coceirinhas num pezinho da cunha. Mexe logo e quer sair, quase empurrando o companheiro. Nascem e é um berreiro doido. Não se trata de fome, pois são alimentados e continuam no choro. Quando são deitados juntinhos, deixam de chorar. Já se viu manhã igual?”
Beijos
*Curumim é menino. Cunhatã é menina.
** Peixe amazônico.
Postado por Giovana Manfredi
comentários: