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Glória Perez, autora da minissérie, e as pesquisadoras Bianca Freire-Medeiros, Giovana Manfredi e Sandra Regina convidam você a dar um mergulho ainda mais profundo no universo da trama!
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07/11/2006

O saber natural



A pesquisa para a minissérie está nos ensinando muitas coisas, mas o que mais me chama a atenção é o conhecimento empírico daqueles que viviam (e vivem) nos seringais. As parteiras conseguem, sem nenhum aprendizado acadêmico, “aparar” meninos e meninas quase sem recursos. O ser humano é mesmo uma coisa, não?

Olha só o trecho que encontrei sobre nascimento de gêmeos no livro “Defumadores e Porongas”, do Álvaro Maia:

“Dona Emereciana relatava os aperreios de gêmeos quando nascem, sendo curumim e cunhatã*. Começam a brigar antes de nascer, cada um querendo botar a cabeça pra fora. Porque mulher é como piraíba**. A barriga tem dois espaços engordurados. Mete-se a peixeira no espinhaço pra coisa dar certo. Nos gêmeos é a mesma coisa. A gente faz umas coceirinhas num pezinho da cunha. Mexe logo e quer sair, quase empurrando o companheiro. Nascem e é um berreiro doido. Não se trata de fome, pois são alimentados e continuam no choro. Quando são deitados juntinhos, deixam de chorar. Já se viu manhã igual?”

Beijos

*Curumim é menino. Cunhatã é menina.
** Peixe amazônico.
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Giovana Manfredi

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