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22/10/2006

O SERINGAL

No livro “O SERINGAL”, de Miguel Jeronymo Ferrante, há um trecho que acho muito emocionante e que sintetiza o clima do seringal nos tempos idos. Reproduzo abaixo:

“Chegara o dia de Toinho ir tomar conta de sua “colocação”. A “Bem-te-vi” estava preparada para receber o novo seringueiro. Barraca nova que o coronel mandara construir, as estradas de seringueiras limpas, prontas para o “corte”. Toinho meteu no encauchado a rede e seus trastes, pôs o terçado à cinta e a espingarda a tiracolo, já municiada. Estava pronto para partir. Pela manhã, estivera no armazém, fazendo o aviamento. Guiado pela experiência do seu Cazuza, limitara-se a comprar o estritamente necessário para mantê-lo durante o primeiro mês da safra. Dois quilos de farinha d’água, um de feijão, um de arroz, meio de sal, um de café em grãos, um de jabá, meio de açúcar. Uma lata de banha de um quilo. Um maço de fósforos, duas dúzias de cartuchos, uma barra de sabão, um litro de querosene, uma lamparina de flandres. Duas garrafas de cachaça, duzentos gramas de fumo e papelinho. Mesmo assim, ficara a dever no Barracão vinte e seis mil e duzentos cruzeiros, nessa quantia incluído o preço dos utensílios de trabalho (uma faca, um balde e as tigelinhas), e parte das despesas, que lhe cabia pagar, segundo o uso do seringal, com a limpeza das estradas de seringa e construção da barraca. Começava devendo. Talvez, jamais chegasse a libertar-se do débito.”

Muito bacana, né?
Beijos,
Bianca
Postado por

Bianca Freire Medeiros

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