Blog da Autora
Glória Perez, autora da minissérie, e as pesquisadoras Bianca Freire-Medeiros, Giovana Manfredi e Sandra Regina convidam você a dar um mergulho ainda mais profundo no universo da trama!
Encontre o que você precisa no Blog da Autora.
Arquivo
06/04/2007

MISSÃO COMPRIDA E CUMPRIDA



Chegamos ao último capítulo! valeu a exaustão de sair diretamente de "América" para mergulhar em "Amazonia". A minissérie incluiu na História do Brasil uma página que não havia ainda sido contada. Hoje todo mundo pode dizer que já ouviu falar de José de Carvalho, Galvez, Plácido de Castro, nomes que a história oficial não registrou, tem idéia do que tenham sido os coroneis da borracha e do fausto que os cercavam, tem idéia do que seja um seringueiro, do que era a vida nos seringais e, por tudo isso, pode compreender bem mais a dimensão de Chico Mendes.

A proposta foi contar os três momentos mais importantes da saga acreana.
Galvez, o momento dos aventureiros, Plácido de Castro, o momento heróico, Chico Mendes o trágico. E aí está.

Hoje me despeço de vocês imensamente feliz com o resultado. E desejando que Amazonia tenha sido um ponto de partida para a conscientizaçao dos brasileiros: é preciso acordar para defender esse patrimônio que é nossa floresta, antes que seja tarde!

Postado por

Glória Perez

comentários:
03/04/2007

3º Fase!



Pessoal,

hj começa a 3º fase da minissérie! Está Tudo tão lindo...

Fiquem atentos!

Beijos.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
27/03/2007

Convidados Especiais Numa Cena Especial



Olá!

Ontem nós gravamos as cenas do enterro de Chico Mendes. Foi emocionante. Para deixar tudo ainda mais perfeito, tivemos a presença de convidados muitos queridos: a Cora Rónai, o Zuenir Ventura, a Mary Akiersztein e o Élson Martins, que está trabalhando conosco nesta última fase como consultor. Eles fizeram parte da figuração, estavam no cortejo.

Primeiro, a caracterização:


A Mary na maquiagem.


E fazendo o cabelo (Mary vai me matar por colocar essa foto! :-))


Olha a Cora!


E aqui com seus óculos anos 80!


O Zuenir também teve que se maquiar.


Uma foto do Zuenir e do Élson Martins. Eles dizem que têm várias juntas, nos mais variados lugares. Aí está mais uma para a coleção.

Depois de prontos, fomos assistir ao trecho de um vídeo que mostrava uma missa na floresta realizada dias antes da morte do Chico. O Marquinhos sempre faz isso: debate a cena antes dela acontecer. Fica tudo muito mais rico:



E aqui já prontos para gravar:





Bacana, né?

Beijos.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
23/03/2007

Silvia Buarque é Mary Alegretti



Mary é antropóloga, foi para o Acre fazer uma tese sobre seringais e acabou se tornando participante ativa na luta dos seringueiros. Foi ela que abriu os caminhos no exterior para Chico Mendes. Além disso, participou com ele da realização do projeto seringueiro, que incluía o levantamento de escolas nos seringais e a formação de uma cooperativa, para que os homens da floresta pudessem ter domínio sobre a comercialização do que produziam.

Postado por

Glória Perez

comentários:
21/03/2007

HOJE, DIA 21, ÀS 22 HORAS NO CANAL FUTURA


Postado por

Glória Perez

comentários:
21/03/2007

Nossa Equipe!



Olá, pessoal!

Querem conhecer o pessoal da nossa equipe que estava no Acre? Olha aí:



Tatiana


Diana


Luiz, Sídia, César e Carol di Deus, o pessoal da produção no Acre.


Roger, Cláudio, Alexandre, Waldeck e Hélio.


Rodrigo


Mário Jorge e Karen


Pedro Vasconcellos


Carlinhos, Sandro, Carol di Deus (escondidinha), Janete, Lícia, Zuleica, Barba e Rubens.


Mirica


Ricardo, Aléxis e Walquíria.


Odir, Renato, Antônio, Jorge, João Miguel (olha o nosso fotógrafo saindo na foto!!!) e Altino.


Carolzinha Bandeira

E não estão todos aí, nossa galera era ainda maior!

Esse foi nosso último jantar em terras acreanas, lá no AFA Bistrô (menos as fotos da Mirica, do Pedrinho e da Carol Bandeira, que foram feitas no set).

Beijos!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
21/03/2007

Hoje: Mestre Irineu



Mestre Irineu Serra, o fundador da religiao da floresta, chega hoje à minissérie, interpretado
pelo Miltom Gonçalves
Postado por

Glória Perez

comentários:
19/03/2007

Enquanto isso, no Rio.



Dalva de Oliveira (interpretada pela Sylvia Massari) inaugurou a Rádio Difusora Acreana, DYZ9 - A Voz da Selva.
Estavam presentes os filhos, Pery e Billi, e a Lucinha Araujo, representando as amigas daquela deusa de nossa MPB. Na foto abaixo, Dalva e Teresa Seiblitz, que faz a mulher do governador, com o diretor Milani. Confiram aqui:




Postado por

Glória Perez

comentários:
19/03/2007

Mais Fotos da Viagem!




Ângela e Elenira


Cora Rónai


Jorge Viana, Cora Rónai, Angela Mendes e Glória no jantar de despedida


Lima Duarte (nosso Bento na 3º fase) e a Cora


Nilson (primo do Chico Mendes), Cássio e nosso diretor Pedro Vasconcellos ensaiando o corte da seringueira.


Cássio Gabus e Vanessa Giácomo (caracterizados como Chico Mendes e Ilzamar Mendes)


Uma pausa para o café...


Gravando!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
19/03/2007

A viagem – parte IV!!!



Na terça-feira da semana passada, gravamos algumas cenas do empate no *Seringal Cachoeira. Como seriam as últimas produzidas no Acre, queríamos fazer uma homenagem àqueles que nos ajudaram e principalmente aos amigos, filhos e companheiros de luta de Chico Mendes. Nossa figuração, nesse dia, foi ainda mais especial:






Dona Cecília, tia do Chico, com a Vanessa Giácomo.


Filhos, amigos e companheiros de luta de Chico, entre eles Júlia Feitosa e Raimunda Bezerra.


Essa (no centro) é a Ângela, filha mais velha do Chico Mendes, devidamente paramentada para a cena.


Olha aí o Sandino e a Elenira, filhos do Chico Mendes, também caracterizados!


Aí a bela Walquíria Raizer, poeta acreana.


E o Dr. Raiz e a Janete.

*O Seringal Cachoeira foi palco do empate de maior repercussão organizado por Chico Mendes e seus companheiros. A área havia sido comprada pelo fazendeiro Darly Alves da Silva, mas foi desapropriada pelo governo. A partir desse momento, intensificaram-se as ameaças de morte. Chico foi assassinado no mesmo ano. A região é, hoje, área de proteção ambiental. Lá funciona o Assentamento Agroextrativista Chico Mendes.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
18/03/2007

Lançamento dos livros Seringal e Terra Caída!





Esperamos vcs!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
16/03/2007

A viagem, parte III!



Na segunda pela manhã, fomos dar uma olhada na cidade (Rio Branco). O Danúbio (Dandan para os íntimos :-)) nos acompanhou.


Rio Acre


Fundação Elias Mansur


Foto que está exposta na Tentamen, o primeiro clube social de Rio Branco


Estátua do poeta Juvenal Antunes

Demos uma volta também pelas barracas de comércio popular. A Cora fez fotos ótimas.

Estas camisetas com o nome da minissérie são uma verdadeira febre por lá, a gente encontra em todo canto.




Olha aí a Neiva Rodrigues vestindo uma!

Depois voltamos para o hotel para fazer as malas. Era hora de pegar a estrada e seguir para Brasiléia, de onde sairíamos, na manhã seguinte, para acompanhar as gravações no seringal Cachoeira.




Estas são fotos que fiz no trajeto Rio Branco - Brasiléia.

Daqui a pouco eu conto sobre as gravações. Já adianto que tivemos participações especiais: os filhos do Chico, Ângela, Elenira e Sandino, fizeram figuração nas cenas, bem como companheiros de luta, como a Júlia Feitosa e a Raimunda Bezerra.

Aguardem!

Beijos.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
16/03/2007

O Acre através dos olhos da Cora!



Olha só a coluna da Cora que foi publicada ontem no jornal O Globo!

Paixão à primeira vista

Cidades limpas e cuidadas, casinhas humildes mas tinindo de arrumadas: sorria, você está no Acre

Hoje de tarde fui à Bolívia, que fica logo ali. Encontrei Lima Duarte e Cássio Gabus Mendes bebendo umas Paceñas no boteco da esquina, enquanto, na praça em frente, centenas de maritacas fofocavam antes de se recolherem às palmeiras onde dormem. Conversamos e rimos muito; na volta, parei na beira do rio para me despedir de três jovens capivaras que avistei ontem. Não, não estou de pileque. Estou na cidade de Brasiléia, a poucos quilômetros de Xapuri. Vim de enxerida, ver as gravações da segunda fase de "Amazônia", a fantástica minissérie de Glória Perez -- e estou totalmente apaixonada pelo Acre.

A exuberância da natureza na Região Norte nunca deixa de me surpreender, mas no Acre há bem mais do que isso -- há um amor pela terra que se manifesta nas centenas de bandeiras do estado que tremulam em mastros oficiais, que se mostram nas lojas e nas casas, e que percorrem as ruas como adesivos de automóveis, motos e bicicletas. Isso quando não vão coladas ao próprio peito dos acreanos, como estampas de camisetas.

Em nenhum outro lugar do mundo, nem mesmo na Nova York dos tempos da campanha "I love New York", vi tanta gente usando camisetas com símbolos locais.

Faz um bem danado à alma da gente ver isso.

Depois há, por toda parte, paredes pintadas nas cores mais alegres. No começo achei que isso fosse coisa da capital, privilegiada por administrações de matar qualquer carioca de inveja; mas não. Percorrendo os mais de 200 quilômetros que levam de Rio Branco à fronteira com a Bolívia, onde quer que se pare há uma janela vermelha, uma porta azul, uma fachada verde.

Esse gosto pelo colorido se vê igualmente nas roupas estendidas para secar. Qualquer varal humilde perdido pelo interior parece adereço cenográfico. Isso, aliás, criou um interessante paradoxo para a equipe que faz "Amazônia", e que acabou deixando de lado muitas locações importantes, porque pareceriam bonitas demais, limpas demais para serem verdadeiras.

O grau de limpeza surpreende, mesmo. Em Rio Branco, cheguei a pensar que as ruas tão bem tratadas fossem apenas o resultado de um esforço ocasional para transmitir uma boa imagem, aproveitando a visibilidade proporcionada pela minissérie; mas em Brasiléia e em Epitaciolandia, onde encontra-se a equipe da Globo, há cuidado igual com os espaços públicos. As cidades não são ricas, em alguns lugares o asfalto está esburacado por causa das chuvas, mas quase não se vê lixo nas ruas ou pichações nas paredes.

Confesso que, diante dessa pobreza digna e asseada, me envergonhei pelo estado lastimável em que se encontra o Rio. Como todo carioca, estou cansada de saber que não há turista americano ou europeu que não fique chocado diante de tanta sujeira e falta de manutenção; agora sei, por constatação própria, que, neste quesito, fazemos feio também diante dos acreanos.

* * *
Percorrer este interior, que o pessoal gosta de definir como "Brasil profundo", sempre me comove. Entra-se em outra dimensão do tempo, num mundo mais simples, menos consumista, mais apegado aos valores da terra.

Vejo as casinhas modestas de madeira, de um ou dois cômodos, limpas e aconchegantes, onde as pessoas vivem com tão pouco, e me assusta o contraste com as cidades grandes, onde cada vez juntamos mais coisas inúteis à nossa volta.

É claro que há também o reverso da medalha. Tenho uma tendência natural a buscar o lado bom do que me cerca, mas é impossível ignorar a devastação pela qual passou este estado ao sobrevoá-o, ou a atravessar quilômetros e quilômetros de pastos e mais pastos.

A paisagem é linda e bucólica, com certeza -- mas ali, onde pasta o gado, houve, um dia, uma floresta inteira que veio abaixo.

Isso corta o coração.

Passeando por Rio Branco de bicicleta com Jorge Viana, ex-prefeito e ex-governador, também era impossível ignorar a presença ultra-discreta dos guarda-costas, que não estavam lá como símbolos de um eventual poder, mas como necessidade fundamental de sobrevivência de um homem que teve coragem de desafiar os bandidos que controlavam a região.

Quem lê jornal sabe que este é um lugar onde as desavenças continuam a ser resolvidas a bala.

* * *
O Acre não é um destino turístico como Manaus ou Belém, mas deveria ser. Não tem teatros mirabolantes plantados na selva (quase não tem mais selva, a bem da verdade) mas, entre seus defeitos e qualidades, entre as tragédias do passado e o gigantesco esforço de recuperação da auto-estima do presente, reúne uma quantidade única de lições de Brasil.

Cheguei há três dias, vou embora logo, mas tenho, desde já, duas certezas: a de que esta foi uma das mais extraordinárias viagens da minha vida, e a de que este é um recanto do meu país que levarei para sempre no coração.

(O Globo, Segundo Caderno, 15.3.2007)




:-)

*PS: a foto tb é da Cora e foi publicada no jornal.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
14/03/2007

Mais sobre a viagem!!!



Olá, blogueiros!

Antes de mais nada, desculpem a demora. Há um montão de fotos aqui para vcs verem, mas vamos aos poucos :-). Só para lembrar, a Cora tb está fazendo um registro da nossa viagem lá no blog dela. Eu recomendo!!!

Bom, pra começar preciso apresentar o Fernando para vcs! É ele quem sempre trabalha conosco quando estamos no Acre, nos levando pra lá e pra cá.


Olha o Fernandão aí, geeeente!

Feitas as devidas apresentações, vamos voltar ao relato da viagem...

...no sábado à tarde, acompanhamos a gravação no Alto Santo. Foi uma cerimônia linda, emocionante mesmo. Aliás, precisamos agradecer muito a generosidade de todos que fazem parte da comunidade do Alto Santo e em especial à Madrinha Peregrina, que nos ajudou em todo o processo, da criação à gravação das cenas:


Madrinha Peregrina e Lima Duarte (o Bento na 3º fase da minissérie)

No domingo pela manhã, vimos as gravações do Jabuti-Bumba, criado pela família Farias:





Foi um barato! A apresentação foi na Rua da Gameleira, que é super charmosa. Muitos amigos nossos aqui de Rio Branco participaram como figurantes, uma maneira que encontramos de homenagear quem sempre nos recebe tão bem.


Marquinhos, Jussara, Fabíola, Nena e Glória


Danúbio, Dani, Walquíria, eu (olha eu aí!!! :-)) e Leudes.

Depois, fizemos uma passeio pelas ruas próximas e fomos ver a Gameleira, essa árvore imensa aí na foto:



E a Cora, claro, fez amizade com a gatinha que fica no bar do Glacil (um sobrinho-neto do Potyguara, autor do livro Terra Caída que, como vcs sabem,é um dos dois nos quais são baseadas as cenas ficcionais da minissérie. O outro é O Seringal, do Miguel Ferrante).


Cora e a gatinha.


Glória e Glacil (olha a camiseta dele! O modelo é uma verdadeira febre por aqui!)

E a noite foi caindo, hora de arrumar as coisas e pegar o avião de volta para o Rio. Antes, um jantar no Café do Teatro:


Marquinhos, Jorge Viana, Dolores, Cora e Glória no Café do Teatro.

O Marquinhos e a Glória pegaram o avião às 2 da manhã de segunda, bem na madrugada!!! Eu e a Cora ainda estamos aqui e fizemos outras muitas fotos. Olhem lá no espaço dela e aguardem que logo, logo tem mais por aqui.

Beijão,
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
11/03/2007

EXTRA!EXTRA!EXTRA!



A super querida, simpática e competente jornalista Cora Rónai, que edita o caderno Info Etc do jornal O Globo, onde também tem uma coluna, e mantém um dos blogs mais bacanas da blogsfera está aqui conosco! Chegou ontem e já está contando suas aventuras em terras acreanas lá no espaço dela.

Vejam, vejam!!! É só clicar aqui.

Para nós todos da equipe é uma honra recebê-la!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
10/03/2007

Diário de Viagem


Olá!

Estamos no Acre! :-)

Gravaremos estes dias (até quarta-feira) as cenas da 3º fase da minissérie. Hoje vamos ao Alto Santo filmar a cerimônia do Daime. Vou mostrar algumas fotos das nossas atividades aqui, uma espécie de diário de viagem.

Saímos do Rio na quinta-feira.


Olha aí o Marquinhos e a Glória no avião!

No dia seguinte, tomamos café da manhã com a Ilzamar Mendes, viúva do Chico Mendes, que conheceu a atriz Vanessa Giácomo, que vai representá-la, e o Cássio Gabus, que fará o Chico. O papo foi ótimo! A Glória e o Marcos Schchetman também estavam presentes.


Vanessa Giácomo, Ilzamar Mendes e Cássio Gabus

Mais tarde, a Glória aproveitou o tempo livre para visitar amigos aqui de Rio Branco.

Fomos até a casa da Maria Martins:


Na foto: Lucas, Isadora, Clívia, Teresinha (que é afilhada da Glória), Glória, Maria Martins, Moisés e Fernanda.

Depois fomos visitar a Clarisse Fecuri, que estudou com a Dona Augusta, mãe da Glória.


Dona Clarisse e Glória.

De noite, fomos a um jantar super bacana! Toda a nossa produção estava presente, assim como o Binho, governador do Acre, e Jorge Viana, ex-governador. Vimos o capítulo de ontem juntos.


Binho e Vanessa Giácomo.


Glória com os garçons da festa, Rosevaldo Souza e Adelson Amâncio. Olha só a camiseta deles!!!

Mais tarde posto mais fotos das nossas atividades aqui. Espero que esse nosso diário de viagem faça com que vcs se sintam aqui conosco!

Um beijão!!!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
07/03/2007

Chico Mendes



"Há alguns anos, com certeza mais de dez, ainda me lembro muito bem, porque daí já se prenunciavam os acontecimentos de hoje, um amigo chegou meio esbaforido e de semblante preocupado; LÍDER SINDICAL MORTO EM TOCAIA, a manchete em letras bem destacadas causou-me um enorme impacto, mas coração de filha não se engana; claro que eu me assustei, mas foi meio rápido, como um raio, um aviso, ou quem sabe o quê, no instante seguinte, antes mesmo de ler a matéria, eu sabia que não era ele, meu coração disse: “calma, não é ele...” era Ivair Higino (dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, morto em 17 de junho de 1988, apenas alguns meses antes do assassinato de Chico Mendes).

Esse fato com certeza marcou-me demais porque nesse momento um sinal de alerta ficou instalado em mim. (...) A triste notícia tentou chegar até mim da forma mais branda possível, mas como reagir brandamente à perda de um pai, de um amigo, quando o coração está dilacerado de dor? Quando amamos muito uma pessoa, nunca pensamos que podemos perdê-la um dia, e quando a perdemos, no meu caso específico, fica a triste sensação de não poder recuperar o tempo que foi perdido com a separação, de não poder dizer-lhe pela última vez o quanto o amava. A saudade é companheira, com o tempo ela se torna amigável, e Deus em todos os momentos nos acompanha e eu devo a ele o consolo e a certeza de saber que meu querido pai está ao seu lado, que alcançou a paz e o descanso nos braços de Deus, o bondoso pai de todos nós."


Depoimento de Ângela Mendes, filha mais velha de Chico Mendes, sobre a morte do pai.

*o depoimento de Ângela, cujo trecho reproduzi acima, pode ser encontrado na íntegra no site do Cômite Chico Mendes. Eu o recolhi no CD-ROM 10 Anos Sem Chico Mendes, publicado pela mesma organização.


Foto do enterro de Chico Mendes (Pilly Coweel, copyright: Adrian Cowell)
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
05/03/2007

A BATALHA DE VOLTA DA EMPRESA E A HEROÍNA ANGELINA GONÇALVES



morreram muitos brasileiros nessa dramática batalha de Volta da Empresa. Ao saber que o exército boliviano estava a caminho, Plácido resolveu antecipar-se e esperar sua passagem num local ideal para emboscada: Volta da Empresa.
Nao contava, porém, com a traição do Antonio Portugues, o padeiro que guiou o exército boliviano, fazendo com ele chegasse antes dos brasileiros ao local da emboscada.

A cena vivida pela nossa Angelina é histórica: Angelina Gonçalves era uma seringueira que teve o marido morto pelos soldados bolivianos que festejavam a emboscada de Volta de Empresa.Desesperada, pegou a espingarda do morto e disparou contra os soldados, mas acertou o comandante da tropa: ROSENDO ROJAS, que diante dos soldados enfurecidos que queriam fuzilar Angelina, mandou que a soltassem, dizendo que mulheres assim nao se mata!


Postado por

Glória Perez

comentários:
02/03/2007

Matintapereira



Olá, blogueiros!

No capítulo de ontem, o Bastião (jackson Antunes) e o Bento (Thiago Oliveira) ouviram a Matintapereira. Vc sabe quem é ela? Olha só o que diz o Dicionário do Folclore Brasileiro, do Câmara Cascudo:

Matintapereira, Mati, Matitaperê, Matinta Pereira é o nome de uma pequena coruja considerada agourenta. Quando, a horas mortas da noite, ouvem cantar Matitaperê, quem o ouve logo diz: “Matinta, amanhã podes vir buscar tabaco”. (...) segundo a crença indígena, os feiticeiros e pajés se transformam nesse pássaro para se transportarem de um lugar para outro e exercer suas vinganças. Outros acreditam que o Mati (...) é um velho ou uma velha de uma perna só, que anda aos pulos.

Beijos!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
01/03/2007

2º fase da minissérie



Nós já estamos gravando a 2º fase da minissérie!!! Olha aí um relato histórico desta parte da nossa história (é um pouco longo, mas tem muitas informações bacanas!):

A Amazônia viveu um segundo ciclo da borracha durante a 2º guerra mundial. A Malásia, que tomou o lugar do Brasil como principal produtora de borracha do mundo, estava agora sob controle dos japoneses, o que provocou uma queda de 97% de sua produção.

As Forças Aliadas (EUA, Inglaterra, França) necessitavam da borracha para o material bélico e, assim, o governo brasileiro, que apoiava o grupo desde 1943, fez um acordo com o governo americano, os acordos de Washington, que desencadeou uma operação de larga escala para extração de látex. O objetivo era aumentar a produção brasileira de 18 mil para 45 mil toneladas.

Os seringais estavam abandonados e o governo Getúlio Vargas realizou uma mobilização nacional para arregimentar homens para o trabalho na Amazônia, a chamada "Batalha da Borracha". O Nordeste vivia uma de suas piores secas e foi de lá que saiu a maior parte dos "soldados da borracha”, 54 mil trabalhadores. O alistamento era feito pelo SEMTA – Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia, órgão criado pelo Estado Novo.

A região novamente experimentou a sensação de riqueza e de pujança que vemos na 1º fase da minissérie. O dinheiro voltou a circular em Manaus, em Belém, em cidades e povoados vizinhos e a economia regional fortaleceu-se. Contudo, o crescimento da produção de borracha na Amazônia nesse período foi infinitamente menor do que o esperado.

Tão logo a guerra chegou ao fim, em 1945, os EUA se apressaram em cancelar todos os acordos referentes à produção de borracha amazônica. O acesso às regiões produtoras do sudeste Asiático se achava novamente aberto e o mercado internacional logo se normalizaria. Os trabalhadores enviados, mais uma vez, sofreram as conseqüências disso. A aposentadoria como soldado da borracha, por exemplo, só foi regularizada na Constituição de 1988.

Chico Mendes nasceu no final deste processo, em 1944. Mas isso já é papo para a 3º fase...




Para escrever este post, usei o excelente material que o pessoal da produção de arte, coordenados pela Ana Maria Magalhães, fez no início dos nossos trabalhos.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
28/02/2007 O uirapuru verdadeiro

Dalgas nos manda a fotografia do uirapuru verdadeiro, que só existe no Acre. Vejam
que beleza:

Postado por

Glória Perez

comentários:
27/02/2007

Vida de Seringueiro


Terra que meu pai criou-se
Terra que meu pai nasceu
Um bravo trabalhador
que aqui mesmo morreu
Também falo a meu amigos para não ser
só eu que digo
O dono daqui sou eu

O dono daqui sou eu
Meu lugar, meu paradeiro
porque sempre vou levando
a vida de seringueiro

Esta vida foi herança
que meu velho pai deixou
Glória a Deus e à seringa
porque foi quem me criou

Porque foi quem me criou
quero lhe dar bom exemplo
Meu pai fazia borracha
pra me trazer o sustento

Pra me trazer o sustento
do que a borracha comprava
Mais parte de alimento assim
meu pai arranjava
Me lembro carne de caça
de quando meu pai caçava
também uns peixes
do rio
de quando meu pai pescava

Foi assim que me criei
muito longe da riqueza
Pobre por não possuir bens
Mais rico de natureza...

Raimundo Caboré, 12/01/1995
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
23/02/2007

Hélio Melo



Hélio Melo foi escritor, pintor e músico. Nasceu e cresceu no seringal e fez da mata seu ofício, já que era seringueiro, e sua arte. Contador de “causos”, escreveu livros, mas o que mais fazia era pintar quadros de traço simples - e extrema poesia – sobre a vida dos povos da floresta. Para isso, usava uma tinta extraída do sumo de plantas. Também tocava violino. Em 2006, sua obra foi reconhecida e reverenciada na 27º Bienal de São Paulo.



"O Caçador Marupiara

É chamado o caçador murupiara aquele homem de sorte em suas caçadas que, além de profissional, conhece os mistérios da caça. O marupiara, quando anda na mata e vê muitos vestígios de caça grande, não atira em caça miúda para não espantar as maiores. A caça grande é a anta, o caititu, o veado e outros. A caça miúda, ou seja, a embiara, é o nambu, o jacu, a cotia e assim por diante (...)”

Do livro As Experiências do Caçador – do seringueiro para o seringueiro, de Hélio Melo.





Beijão pra vcs!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
14/02/2007

Amazônia Para Sempre!



A Floresta Amazônica, esse nosso patrimônio tão rico em biodiversidade e enredo de histórias fantásticas, está ameaçada. Por isso, três atores da minissérie, Christiane Torloni, Victor Fasano e Juca de Oliveira, estão encabeçando um movimento que visa recolher assinaturas do maior número de pessoas para alertar nossas autoridades sobre a necessidade de preservação das nossas matas. Diz o documento:

“A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. Assim, deve-se implementar em níveis Federal, Estadual e Municipal a interrupção imediata do desmatamento da Floresta Amazônica”

Assine. Sua participação tb é muito importante.



Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
09/02/2007

Há exatos 104 anos


Em 09 de fevereiro de 1903 o Barão do Rio Branco escreveu um ultimatum definitivo endereçado aos bolivianos. O documento definia como litigioso o território localizado entre o paralelo 10.20' e a linha Madre de Díos-Javary e determinava sua ocupação pelo exército. Alegando que os brasileiros estavam defendendo o território face a um possível ataque estrangeiro, exigia a retirada da aduana de Porto Acre para o sul do mesmo paralelo.
Este ultimatum teria como desfecho a assinatura, em 17 de novembro de 1903, do famoso Tratado de Petrópolis.
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
08/02/2007

Workshop da 2º fase



Oi, pessoal.

Na segunda e na terça-feira, dias 05 e 06 de fevereiro, nós participamos do workshop preparatório para a 2º fase da minissérie, que começa a ser gravada agora. Todos os que estão envolvidos nesta parte da trama estavam presentes: Glória e Marquinhos, o pessoal da produção e os atores. Nossos convidados falaram sobre temas que serão abordados nos capítulos e nós aprendemos um pouco mais sobre o encanto, a magia e as dores da história do Acre, construída com muito suor e luta.

Nas fotos abaixo, nossos convidados:



Marcos Vinicius Neves, historiador e presidente da Fundação Garibaldi Brasil, que falou sobre a história do Acre.

Raimundo Mendes, o Raimundão, vice-presidente da FETACRE - Federação dos Trabalhadores do Acre, contou sobre seu cotidiano como seringueiro e da relação muito íntima que o trabalhador rural desenvolve com a mata. Raimundão é primo de Chico Mendes e estava ao lado dele nas lutas pela organização sindical.

Toinho Alves, jornalista e editor do blog O Espírito da Coisa, que contou sobre o Daime.

Marcos Schechtman, nosso diretor.

Karla Martins, atriz, que falou dos encantos da floresta.

Aldenor da Costa, seringueiro que é nosso super-consultor, falou sobre o dia-a-dia no seringal.



Océlio de Medeiros, advogado e escritor, cheio de boas histórias para nos contar , falou da vida nos seringais, da luta pela legalização do Daime e do cotidiano de Rio Branco na década de 40.



Armando Nogueira, jornalista nascido em Xapuri, nos apresentou o poeta Juvenal Antunes, que será representado pelo Diogo Vilela.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
05/02/2007

A Marujada



Comandante: - Seu Mestre, mande preparar o navio para sairmos do ancoradouro!

Mestre: - Gente, chegue à proa, alabraçe os cabos, feche o portolore. Largue tudo!

Todos: - Larga!

Comandante: Imediato, veja se está em bom tempo para seguirmos viagem!

É assim que começa a Marujada, um auto que tem o mesmo nome do norte ao sul do país e traz no enredo o dia de uma embarcação a vapor, com direito a rebelião de subordinados e tudo (há um comandante, um imediato, oficiais, marinheiros etc)! Quem me contou foi o Seu Aldenor, um seringueiro de 64 anos que está nos ensinando muitas coisas da vida na floresta. Ele aprendeu a brincar a Marujada com um senhor chamado Osvaldo Galego quando ainda era um menino em Cruzeiro do Sul, município do Acre. Hoje, ele comanda o Brigue (Navio) Esperança, um grupo de Rio Branco que mantém a tradição e, assim, perpetua a cultura popular.

Claro que teremos isso tudo em Amazônia. Vcs vão adorar!


Olha aí o Seu Aldenor no comando do Brigue Esperança!


A Marujada.

Beijão!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
03/02/2007

selos de Plácido de Castro



o Jornalista Silvestre Gorgulho, secretário de cultura do DF e diretor da Folha Meio Ambiente, nos manda os selos que homenagearam Plácido de Castro quando de seu centenário.
E conta:

A diretora de Filatelia dos Correios, Laís Scuotto, informou que os selos foram produzidos para o centenário do nascimento de Plácido de Castro.

Os tais selos motivaram o governo da Bolívia a mandar uma carta ao Itamaraty exigindo que fossem retirados de circulação.

Brasileiramente, o Itamaraty o fez, mas somente depois que o selo já havia circulado bastante.




Postado por

Glória Perez

comentários:
03/02/2007

os soldados de Plácido de Castro





A Leninha, filha do dr Clovis Maia, dentista conhecido e muito querido do velho Acre, manda pra nós essas fotografias preciosas que encontrou nos alfarrábios deixados pelo seu pai.

São fotos da década de 60. Nelas podemos ver alguns remanescentes da revolução acreana, soldados que lutaram ao lado de Plácido de Castro pela conquista do Acre!
Postado por

Glória Perez

comentários:
26/01/2007

Simpatias



A herança folclórica de um povo é essencial para a compreensão dos mitos e ritos de cada cultura, e as festas juninas, no Brasil, além de cumprirem essa função no enredo da história humana, demonstram os laços de afeto do nosso povo. Quer um exemplo? Sabia que existem parentes de fogueira? Assim: vc escolhe um amigo de quem quer se aparentar, faz a promessa e cruza a fogueira. Pronto! Laços mais do que fortes os unem a partir de então.

Muitas simpatias são feitas nos dias de Santo Antônio (13 de junho) e São João (24 de junho). Eu e a Karla Martins, que além de atriz da minissérie é nossa consultora, selecionamos duas delas para mostrar pra vcs. Isso é coisa de Dona Maria Ninfa e de Dona Filó!


Para Conhecer o Futuro Marido

Compre uma imagem novinha de Santo Antônio. À meia-noite do dia 12 de junho, vá para a frente da fogueira, pegue o Santo Antonio com as duas mãos e diga: “meu Santo Antônio, vou lhe guardar e lhe botar escondido. Mostrai para mim o homem que me tá prometido”. Pegue a imagem e coloque no fundo do armário. Em 7 dias vc conhecerá seu futuro marido. Aí, mais do que depressa (para o Santo não ficar bravo e desistir de dar força ao noivado), pegue a imagem que estava presa, agradeça e acenda uma vela.

Para Conhecer o Futuro

Compre uma bacia de alumínio virgem e pegue um ovo que a galinha tenha botado naquele mesmo dia. Coloque água na bacia (o suficiente para que ela fique pela metade). Às 6 horas da tarde do dia 23 de junho, coloque a bacia no sereno, num lugar onde ninguém mexa. À meia-noite, pegue o ovo, quebre na beira da bacia e jogue na água. Na manhã seguinte, veja qual o desenho que se formou: se lembrar um navio será uma viagem, se aparecer um rosto virá um casamento, se aparecer uma cruz...ai, cuidado.

:-)

Beijão.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
26/01/2007

ANGELINA GONÇALVES, uma heroína da guerra do Acre




o quadro é do pintor Rivas Plata

ANGELINA foi a brava mulher de um seringueiro. Depois da batalha de Empreza (assim com z mesmo), a tropa boliviana, passando pela casa onde morava, matou seu marido. ANGELINA virou leoa: armada de uma espingarda investiu sozinha contra a tropa e, mirando os soldados que a deixaram viúva, acertou o comandante ROJAS.

Enfurecidos, os soldados a arrastaram até o comandante, que se medicava dos ferimentos, gritando para justiça-la ali mesmo. ROJAS tem um gesto nobre e cavalheiresco, que ficou registrado nos anais dessa guerra sangrenta.

- Soltai-a! mulheres assim nao se mata! Se Castro tiver em seu exercito dez mulheres iguais a essa, conquista a Bolívia!

A passagem será vivida na minissérie pela nossa Angelina.
Postado por

Glória Perez

comentários:
21/01/2007

As últimas palavras de Galvez


Depois de uma vida tumultuada e repleta de aventuras, Luiz Galvez morreu em 1935 na Espanha. Suas últimas palavras têm algo de profético:
“Essa era a calamidade que eu ambicionava evitar para a América Latina (...) Hoje, os Estados Unidos já têm, pois, uma mão sobre o coração da América do Sul, assim como têm a outra sobre o da América Central. Porém isso não se vê... e quando se veja, será tarde”.
Curiosamente, a epopéia de Galvez deixou um impensável legado: entre as conquistas do Estado Livre do Acre está a de ter emitido seus próprios selos. Hoje em dia, restaram apenas seis destes selos, que estão entre os mais valorizados pelos aficionados da filatelia.
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
17/01/2007

A Expedição dos Poetas



Com a ajuda oculta do governador Silvério Néri, e depois da saga heróica de Galvez, um grupo de intelectuais de Manaus imaginou uma expedição para, mais uma vez, tomar posse do território acreano. Eram poetas, boêmios, sonhadores que se encontravam nos cafés, nos hotéis e casas de divertimento onde se reunia a mocidade da capital. Para dar um tom sério à empreitada, batizaram-na com gala:

E trataram logo de emprestar um sentido militar e cívico, como convinha à glória da campanha e nos altos intuitos da causa: Expedição Floriano Peixoto.
(1)

...mas ela ficou conhecida como Expedição dos Poetas porque...

A idéia empolgou a imaginação romântica dos conspiradores. Cada um deles sentia-se um Lord Byron, defendendo a liberdade de um país espoliado. Os bolivianos seriam os turcos, escravizando o Acre – a Grécia da cultura clássica, pela qual o autor de Don Juan sacrificou a vida.
(2)

Partiram no dia 16 de novembro a bordo do Solimões, um gaiola (navio) obsoleto alugado por onze contos de réis. Tinham também um pequeno canhão (que mais prejudicou do que ajudou os revolucionários).

Sem conhecimento militar, os poetas fracassaram, o que parecia evidente desde o princípio. Mas há, claro, a beleza sem igual de terem lutado:

Com relação a esta expedição, é justo que se reconheça: se aos seus membros faltavam disciplina e instrução militares, sobravam amor à causa e desprendimento pessoal.
(3)

Beijão pra vcs. Estava com saudades!

(1) TOCANTINS, Leandro. Formação Histórica do Acre. 4º edição. Brasília. Editora Senado Federal. 2001. Vol. 1, p. 487

(2) TOCANTINS, Leandro. Formação Histórica do Acre. 4º edição. Brasília. Editora Senado Federal. 2001. Vol. 1, p. 487

(3) ESTADO - MAIOR DO EXÉRCITO. História do Exército Brasileiro. Brasília. Serviço Gráfico da Fundação IBGE. 1972. Vol. 2, p. 754.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
15/01/2007

"Vítimas de um mal governo e de suas ilusões"


Em 1945, o jornal A Província do Pará calculava que, dos 50 mil homens que haviam migrado para a Amazônia na qualidade de soldados da borracha, haviam morrido 23 mil "sem pão, sem cuidados médicos, sem possibilidade de lutar contra a febre, a avitaminose ou parasitas. Cairam nessas selvas longínquas, vítimas de um mal governo e de suas ilusões". Em tom semelhante, o Jornal do Acre, do dia 11 de setembro do mesmo ano, referia-se aos soldados da borracha como "pobres diabos sacrificados na luta das vaidades e ambições". E concluía: "É uma pena que no Brasil não haja castigos para esse tipo de crimes. Todo mundo se queixa mas nada muda porque os mortos, mortos estão".
É da sina destes injustiçados soldados que a nossa minissérie vai tratar em sua segunda fase. Aguardem!
Abraços,
Bianca
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
12/01/2007

o uirapuru verdadeiro



O canto do verdadeiro uirapuru só se pode escutar nas matas acreanas. Foi lá, às margens do rio Acre, que o pesquisador Dalgas Frish conseguiu a única gravação do canto desse pássaro maravilhoso que os jornais americanos chamaram de "o Caruso das Selvas".
Dalgas quer fazer do uirapuru o símbolo do Acre. Já dei meu apoio total e irrestrito à campanha, que está sendo divulgada no blog do jornalista Altino Machado!
Postado por

Glória Perez

comentários:
09/01/2007

LUIZ GALVEZ: da caricatura ao retrato




Reconstituição a bico de pena de uma fotografia de Galvez no seu palácio, feita por Perci Lau e publicada por Leandro Tocantins no segundo volume da sua Formação Histórica do Acre. A foto é de 1899.

Se ganhou muitos admiradores e adeptos ao criar a República do Acre, Galvez ganhou muitos opositores também, que através dos jornais o retratavam como um aventureiro, mulherengo, viciado em jogo e gerente de bordel, reduzindo-o aos traços mais excêntricos de sua personalidade. E foi essa caricatura que ficou para a posteridade.

Não se pode negar que o passado ajudava, mas ele não foi só isso. A verdade é que soube reconhecer o momento histórico e mostrar-se à altura. A maneira como tratou de organizar o Estado Independente demonstra isso.

Vocês verão nospróximos capítulos!
Postado por

Glória Perez

comentários:
06/01/2007

Amazônia em Paris

Estamos todos adorando a minissérie Amazônia, não é verdade? Pois é, os franceses também! Assisti aos dois primeiros capítulos em um restaurante brasileiro em Paris e o clima foi de grande emoção. Eram muitos brasileiros matando as saudades de casa através daquelas cenas lindas e vários franceses tirando o chapéu para a qualidade da nossa dramaturgia. Alguns com quem conversei haviam visitado a belíssima exposição "Terres d'Amazonie", na prefeitura de Paris, e estavam totalmente seduzidos pelos encantos da nossa floresta.
Vive l'Amazonie!!!

Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
05/01/2007

Panema



Um dos maiores temores dos seringueiros é pegar panema. Ficar empanemado, perder a sorte para caçar, para agradar as mulheres.

E uma das maneiras mais conhecidas de se pegar panema é desrespeitando a caça. Tendo morto o animal que vai comer, o caçador deve tratar o caçado com o devido respeito, não pode arrasta-lo indevidamente e, depois de come-lo, deve cuidar para que seus ossos não sejam deixados em lugar de passagem, onde possam ter contato com fezes de outros animais, ou onde mulheres grávidas ou menstruadas possam passar por cima deles.
Se o fizer, é panema na certa!


Existem várias receitas para curar panema: uma poderosa prevenção é a vacina do sapo, utilizada pelos índios.

Entre outras providências, o empanemado pode ser defumado -ele e sua espingarda, porque a espingarda também pega panema- como fez Jovina no capítulo de hoje, pode tirar o enrasco tomando um banho de espuma com a casca de um pau conhecido como timbaúba, ou atirar contra um paxiubão, passar a espingarda entre as pernas e sair sem olhar pra trás.

No dia em que se vai recorrer a um dos métodos para tirar o enrrasco, deve-se sair de casa sem dirigir a palavra a ninguém, e manter silêncio absoluto, até que a operação tenha sido completa.

Existe um método que se considera muito perigoso e pouco recomendável, porque pode danificar um inocente: quando o caçador sabe quem o empanemou, ele faz o retrato do suspeito modelado na barriguda, depois atira contra o retrato, por entre as pernas. No que o tiro acerta o retrato, o atingido adoece, podendo até morrer.

Elson Martins nos manda uma receita pra tirar enrasco que lhe foi ensinada por um seringueiro. vejam o que ele conta:

RECEITA ENVIADA PELO JORNALISTA ELSON MARTINS

O seringueiro Otávio Luciano da Silva, 76 anos, nascido no seringal Restauração, alto rio Tejo, no Vale do Juruá, cortou seringa durante 57 anos a partir dos nove de idade. Agora vive aposentado pelo Funrural na cidade de Thaumaturgo. Em fevereiro, eu o entrevistei e quis saber se conhecia algum remédio contra “panema” (má sorte na caça). Ele respondeu que sim e fez questão de ensinar:



“Pega-se o rabo do quatipuru roxo e o chifre esquerdo de um veado; nove penas da nhambu azul, da asa esquerda; a segunda malha da jabota; cinco penas do mucumbu (rabo) do jacamim; nove pimentas malagueta; nove ramos de tipi da mata e três catingas de caititu. Pega-se tudo isso e põe numa vasilha.

Num dia de sexta-feira em que o cabra for pro mato, ele deve levantar às seis horas sem falar com ninguém. Deixa tudo preparadinho no lado que ele vai pra mata. No dia seguinte leva a vasilha com os ingredientes, toca fogo e põe umas palhinhas da palmeira Jarina que é pra fazer fumaça.Então ele defuma a arma, a roupa todinha, aí deixa lá a vasilha sem olhar para trás.

Se ele não matar numa primeira vez, no outro dia ele mata. A receita serve pra todos os bichos: do miúdo ao grande”.
br/>Elson Martins
Postado por

Glória Perez

comentários:
03/01/2007

O Primeiro Dia



Ontem foi a nossa estréia. Toda a equipe, a parte técnica, os atores, diretores, a Gloria, todos nós assistimos num restaurante do Rio, juntos e felizes, olhando nossa filha parida em conjunto, a minissérie. E assim como não se pode pedir imparcialidade a uma mãe que fala da beleza do filho, não posso ocultar a satisfação de ver Amazônia no ar, linda, exuberante, delicada e forte. Confesso que chorei bastante e vi olhos lacrimejantes ao meu lado. Estávamos emocionados.

Mais feliz ainda eu fiquei quando conversei com nossos amigos do Acre, pessoas que colaboraram nas pesquisas, que participaram das gravações, pessoas que conhecemos por lá e que foram tão, tão especiais. O estado parou para assistir sua história retratada e isso não tem tamanho, não tem dimensão que eu possa dar. É só essa sensação aqui dentro do peito, retumbante.

E foi só o primeiro capítulo. Hoje tem mais! Ai, meu coração...*risos*

Tomara que vcs tenham gostado como eu.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
02/01/2007

LA ESTRELLA SOLITARIA





No Brasil muito pouco se escreveu sobre Galvez. Mas o espanhol Alfonso Domingo publicou uma belíssima biografia romanceada dele: LA ESTRELLA SOLITARIA. O romance ganhou prêmios na Espanha e vai ser transformado num filme.
Para quem quiser saber mais sobre Luiz Galvez, o livro do Alfonso Domingo é uma ótima pedida.


Postado por

Glória Perez

comentários:
02/01/2007

lendas do Acre: o caboclinho da mata e o equilíbrio ecológico



Os bichos da mata têm dono: é o caboclinho da mata, que permite que os seringueiros cacem o essencial para sua alimentação, mas castiga com surras monumentais aquele que mata mais animais do que possa comer!
Todos os seringueiros respeitam o caboclinho, e a maioria deles já o viu ou apanhou dele.
Dizem que a sova parece chicotada de cipó, e vem não se enxerga de onde, o que apavora ainda mais o espancado. Quando o caboclinho se enfurece, bate nao só no caçador, mas também no seu cachorro.
Quem levou uma surra daquelas do dono da caça foi o nosso Chico Mendes. E ele sempre contava essa história, lembra o Raimundão, primo e companheiro de lutas do Chico.
Postado por

Glória Perez

comentários:
27/12/2006

A Vida Simples de Chico Mendes



Chico Mendes era um homem simples, que viveu sem glórias e morreu em nome de um ideal de igualdade. A casa onde morava com sua esposa Ilzamar e os filhos Elenira e Sandino (Ângela, filha do primeiro casamento de Chico, morava em Rio Branco com uma tia), que hoje é um museu, mostra isso:


Vista frontal da casa de Chico (depois de passar por reforma)


Cozinha


Quarto


Sala

Beijão.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
26/12/2006

Um soneto de JUVENAL ANTUNES



Juvenal Antunes era uma grande figura: quem nao o conheceu no Acre, por ter nascido depois de sua morte, cresceu escutando falar dele.
Aqui vai um dos sonetos que ele escreveu na sua mesa cativa, à frente do hotel Madrid, onde passava o dia inteiro bebendo e fazendo poesia

Na minissérie, ele será interpretado pelo Diogo Vilela. '
E aí vai o soneto:

O ACRE

Terra gigantea e nova, opulenta e feraz,
Que a miséria e ambição povoaram de repente,
Como virgem pudica, amorosa e inocente,
Entregaste teu seio ao nordestino audaz.

Aqui corria outrora, em imensas caudais,
O rio de dinheiro, em tumultuosa enchente;
E era belo de ver como esta heróica gente
Disputava o bastão de quem gastava mais.

Das espigas, porém, como no Egito plenas,
O septenio acabou; e, hoje, num triste drama,
Vemos, representando o seu papel, apenas,

Seringueiros, que a fome encova as faces lívidas,
A borracha a dois mil e pouco o quilograma,
Bacharéis sem questões e coronéis com dívidas!



Postado por

Glória Perez

comentários:
26/12/2006

o Arco-Iris e os ashaninkas



Os ashaninkas tem muito medo do arco íris, porque ele rouba o espírito das pessoas e traz doenças. Por isso nunca pronunciam o nome dele.
Quando o arco-iris aparece, deve-se cortar o ar com um terçado na direçao dele, para que sinta medo e fuja. Ou jogar cinzas quentes para cima, para que caia em seus olhos, impedindo-os de ver as pessoas da tribo e de fazer-lhes mal.

Segundo os Ashaninkas o arco-iris é noke, a sucuri. Ele é o dono do barro utilizado no tingimento de roupas e utensílios. Tem raiva das mulheres grávidas e menstruadas. Se uma mulher menstruada mexer no seu barro ele a engravida. As grávidas nunca conseguem bons resultados no tingimento. Se uma mulher menstruada ou grávida passar por cima do barro, a sucuri o inutiliza, e ele nao serve mais para tingimento.

da Enciclopédia da Floresta
foto: tirada da internet

Postado por

Glória Perez

comentários:
21/12/2006

Ave-Maria dos Seringueiros


Atendendo a pedidos, postamos a singela Ave-Maria dos Seringueiros:

Ave madeira que desgraça
Ser preciso eu te cortar
Bendito sois o teu leite
Pra meus filhos sustentar
Para os barões farrear
Santa madeira mãe do leite
Rogai pela nossa vitória
Pra conseguir as reservas
Extrativistas
Nesta hora. Amém!

Beijos,
Bianca
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
18/12/2006

Atrizes Acreanas no nosso elenco!



Olá, pessoal.

Bom, além de Brendha Haddad, linda e talentosa atriz que já está fazendo o maior sucesso nas gravações da minissérie, temos outras duas acreanas em destaque no elenco: Clarisse Baptista e Karla Martins. Hoje eu quero contar um pouco da trajetória delas:



Clarisse Baptista, a nossa Zilá, iniciou sua carreira de atriz ainda menina, aos 13 anos, no grupo Semente. Participou de várias montagens, entre elas Vila Beira do Barrando, de Antonio Manoel Rodrigues, Assunta do 21, de Nery Gomide e A Mãe, de Bertold Brecht. Veio para o Rio de Janeiro em 1983 e formou-se na CAL – Casa das Artes de Laranjeiras. Em 1992, foi escolhida para participar da Escola Internacional de Teatro, em Machurucutu, Cuba. Em 2002, participou da peça Stella do Patrocínio, sobre uma interna do Instituto Juliano Moreira, e obteve projeção nacional e reconhecimento por parte de críticos de teatro. Versátil, apresentou programas na Rádio Difusora Acreana. Atualmente ela dirige o teatro Plácido de Castro e a Usina de Artes João Donato, em Rio Branco.



Karla Martins, a Dona Filó, é atriz e contadora de histórias. Formou-se em artes cênicas pela Universidade do Rio de Janeiro em 1991 e fez pós-graduação no Instituto Superior de Arte de Havana, Cuba, no ano de 1995. De volta ao Acre, desenvolveu projetos de arte e educação nos seringais da Reserva Extrativista Chico Mendes. Trabalhou também no teatro OIKOVEVA, onde pesquisou o teatro antropológico. Atuou em várias montagens teatrais e no curta O Ovo, baseado no texto de Clarice Lispector e com direção de Nicole Algranti. Participa da Rede Latino Americana de Contadores de Histórias e foi a primeira estrangeira a receber o prêmio Contarte. Atualmente trabalha na Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
16/12/2006

GALVEZ E LOLA



Dom Galvez, o primeiro a proclamar o Estado Independente do Acre, ocupava um cargo diplomático em Buenos Ayres quando se meteu com a esposa de uma autoridade local e acabou sendo obrigado a deixar a Argentina.

Junto com o cargo, abandonou também a carreira diplomática e foi para Manaus, a feérica Manaus daquele final de século, espécie de ponto de encontro de todos os aventureiros do mundo, que para lá iam embalados pelo sonho da fortuna fácil, propiciado pelo boom da borracha.

Em Manaus reencontra um amor antigo e permanente: a Lola (Vera Fisher), e entra em sociedade com ela para abrir um cabaret.
E aqui estão eles, durante a apresentação de uma ópera no Teatro Amazonas.
Galvez é mesmo um homem de mil faces!

Postado por

Glória Perez

comentários:
14/12/2006

ESTÁ NO BLOG DO ALTINO:



PROPAGANDA BÁSICA

O povo acreano já começa a propagar espontaneamente a logomarca da minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes", de autoria de Glória Perez.

A estudante de jornalismo Jannice Dantas desfilava hoje no centro da cidade com a sua camiseta básica.

Revelou que cada peça custa R$ 20,00 e podem ser adquiridas com Edjane Pinheiro, no fone 68 9205-2041.
Postado por

Glória Perez

comentários:
13/12/2006

A VACINA DO SAPO





O leite do sapo Kempo é uma espécie de purgante para os índios: tira mau olhado, reforça o sistema imunológico, prevenindo doenças, traz sorte, energia e vitalidade. É uma espécie de vacina, repetida periodicamente desde a infância. Os homens a tomam no braço, as mulheres na perna.

O efeito imediato, chamado pelos índios de "pressão do sapo", é uma náusea muito grande, acompanhada pela paralização do corpo e sensaçao de desequilíbrio.

O leite só pode ser retirado desta espécie de sapo, o Kempo. E de maneira delicada, de modo que nao o maltrate, ou o efeito será contrário àquilo que se espera. Retirado o leite, o sapo é solto e devolvido a seu habitat.
Muitos moradores do Acre costumam tomar a vacina do sapo, que deve ser sempre aplicada pelos índios. Só eles sabem produzi-la, aplica-la e tomar conta do vacinado nos 15 ou 20 minutos em que dura o seu efeito.



obs. as imagens são do filme YAWA
Postado por

Glória Perez

comentários:
12/12/2006

Coletiva de Imprensa






Hoje tivemos coletiva. Aconteceu no cenário do cabaret de Manaus, onde os coroneis da borracha passavam noites alegres e acendiam charutos com notas de cem mil reis.
Foi apresentado um can can, dança modismo da época, e um número magnifico do Edson Cordeiro, cantando uma aria de Carmem.

Aqui, eu e Schechtman com Brenda (Ritinha), atriz acreana que a minissérie está lançando:


Alexandre Borges, nosso Plácido de Castro:


Regina Casé (dona Maria Ninfa), Juca de Oliveira (José de Carvalho) e Victor Fasano (Gentil Norberto)


o governador Jorge Viana na cidade cenográfica com a familia de José Potyguara, autor do romance Terra Caída,
que inspira, junto com O Seringal, de Miguel Ferrante, a parte ficcional da minissérie: Jorge Viana é quem assina o prefácio de Terra Caída, e Armando Nogueira assina o prefácio de O Seringal:





Postado por

Glória Perez

comentários:
12/12/2006

A FÉ DO CORONEL





Em plena guerra, Plácido de Castro foi ao seringal Bom Destino pedir mais 150 homens ao
coronel Joaquim Victor. O coronel cedeu os homens e quando Plácido saiu, ajoelhou-se na terra e fez uma promessa a Nossa Senhora: se Plácido vencesse a guerra ele construiria, em homenagem a ela, um monumento que duraria eternamente!
Joaquim Victor prometeu e cumpriu: vencida a guerra, mandou fazer na ALemanha uma capela de ferro galvanizado, que foi toda montada no seringal!
Postado por

Glória Perez

comentários:
11/12/2006

Seringais



Oi, pessoal!

Já viram as chamadas da minissérie? Estão lindas! Vi ontem e morri de orgulho...:-)

Bom, mas vim aqui para mostrar ilustrações de lugares dos quais vcs ouvirão falar nos capítulos da minissérie. São seringais onde se passaram fatos importantes da história que vamos contar. Olha aí:


Seringal Bom Destino


Seringal Caquetá


Seringal Empreza (é com "z" mesmo!)

As imagens são do Álbum do Rio Acre, de Emilio Falcão.

Beijão pra vcs.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
10/12/2006

Cássio Gabus é Chico Mendes


Na última fase da nossa minissérie, ganham vida figuras marcantes da história recente da floresta. Participar do trabalho de pesquisa que dá subsídio histórico à imaginação criativa da Gloria é, para mim, um privilégio: significa a oportunidade de conhecer a fundo o legado de Chico Mendes.

Nesta foto tirada por Mary Allegretti, Cássio Gabus Mendes abraça Elenira e Sandino, filhos do Chico.

Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
07/12/2006

do jornalista Elson Martins sobre WILSON PINHEIRO



Nascido em Careiro, pequeno município do Amazonas, Wilson ainda jovem tornou-se órfão de pai. Com mais dois irmãos passou a sustentar a família trabalhando como lixeiro da Prefeitura de Manaus. Passavam muitas dificuldades, por isso sonhou com a vida de garimpeiro em Porto Velho, Estado de Rondônia. Foi para lá, adoeceu de malária e exauriu a juventude sem melhorar de vida. Mandava mixaria para a família. Depois, ficou sem notícias da mãe e, desolado, enfiou-se nas matas acreanas tornando-se seringueiro. Casou, teve oito filhos, estava há 20 anos no seringal Sacado quando apareceram os fazendeiros.

A Contag o encontrou em 1975 com 47 anos , sofrido e triste mas com energia para juntar-se aos companheiros e resistir. Era valente, sério, de poucas palavras mas muita ação. Quando falava media o que dizia, não queria formular nenhum pensamento torto. Sua coragem animava outros companheiros do seu e dos outros 7 sindicatos criados em seguida.Todos o procuravam e pediam orientação. Estava no segundo mandato como presidente do Sindicato de Brasileia quando foi assassinado, de emboscada, em 21 de julho de 1980. O jornal Varadouro registrou:

Eram 8h30 da noite, a pequena cidade fronteiriça com a Bolívia assistia a novela “Água Viva” em que o personagem Miguel Fragonard caia morto em sua residência, atingido por um tiro. Wilson também via a novela na sede do sindicato. Seu companheiro de diretoria, João Bronzeado, acabava de dizer: “Companheiro, vamos largar de mão essa novela e ajeitar os nossos papéis. Novela não dá futuro para trabalhador”. Wilson, que se levantara, não teve tempo de responder. Do lado de fora da casa partiram três disparos que lhe atingiram os rins e ele caiu morto.

“Ele tinha um tino administrativo, falava com o trabalhador como a um irmão”; “Foi um homem de muito respeito. Não tem ninguém que possa dizer uma vírgula contra ele”; “Ah, se não fosse ele os fazendeiros tinham derrubado tudo quanto era seringueira e castanheira”. Assim falaram os companheiros chorando sobre o seu cadáver.


Sob o comando de Wilson Pinheiro, os trabalhadores realizaram em 1979 o chamado “grande mutirão contra a jagunçada” na estrada de Boca do Acre, com mais de 300 sindicalistas. Esse evento foi um marco de resistência. Confiante, Wilson mandou o recado duro que apressou sua morte: “Nós não vamos permitir desmatamentos no Acre”. O recado afrontou as elites e até autoridades públicas (do IBDF, Incra, da segurança estadual e federal). Numa reunião da Sudhevea (Superintendência da Borracha, extinta) promovida em Xapuri, no dia 14 de junho de 1980, o ex-seringalista Guilherme Lopes, folclórico e falastrão, sugeriu uma solução para acabar com os “empates”: matar o presidente do Sindicato, os padres e o delegado da Contag. Sugestão acatada. Oito anos depois de Wilsão, mataram também Chico Mendes, no dia 22 de dezembro de 1988, às 18h30, quando saia da cozinha para o quintal de sua casa. Com tiro de chumbo no peito.
Postado por

Glória Perez

comentários:
06/12/2006

Wilson Pinheiro



Chico Mendes foi o líder seringueiro que chamou a atenção do mundo para a causa dos que viviam da extração do látex e da castanha. Pesquisando sobre Chico, vc sempre vai ouvir falar de outra liderança: Wilson Pinheiro.

Wilson foi seringueiro no Amazonas, mudou-se para Rondônia e depois para o Acre. Foi um dos fundadores do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia e seu presidente (eleito em 1977). É descrito assim no livro de Andrew Revkin: “um homem esguio, mais alto do que seus colegas seringueiros, com sorriso amplo, compridos e musculosos braços e mãos grandes. Era um orador convincente e um organizador talentoso*. Ele e Chico eram companheiros de luta e amigos muito próximos.

Assim como Chico, ele teve uma morte precoce e anunciada. Foi assassinado no dia 21 de julho de 1980, na sala do Sindicato que presidia.


Wilson Pinheiro

*Revkin, Andrew. Tempo de Queimada Tempo de Morte, Francisco Alves Editora, Rio de Janeiro, 1990, página 178.

Beijos,
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
05/12/2006

Plácido de Castro fotografado por Fawcett



Altino Machado nos manda uma fotografia de Plácido de Castro, em Carapatá, tirada um ano antes de sua morte por Percy Fawcett.
Fawcett era um pesquisador que andou pela Amazonia, no início do seculo XX, em busca de cidades perdidas. Desapareceu misteriosamente e até hoje não se sabe o que aconteceu com ele.
Postado por

Glória Perez

comentários:
03/12/2006

Pai Nosso do Seringueiro


Seringueira que estás na selva
multiplicados sejam vossos dias
venha a vós o vosso leite
Seja feita a nossa borracha
Assim na prensa como na caixa
Para o sustento de nossas famílias
nos dai hoje e todos os dias
Perdoai nossa ingratidão
Assim como nós perdoamos
As maldades do patrão
E ajudai a nos libertar
Das garras do regatão
Amém!
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
30/11/2006

O Jabuti-Bumbá






O Acre tem sua versão do boi-bumbá: é o Jabuti-Bumbá. As músicas e as danças são diferentes da versao nordestina. O Jabuti-Bumbá, que já é uma tradição em nosso estado, foi criado pelos Farias, uma familia tradicional do Acre. E vai ser mostrado na nossa minissérie.


Postado por

Glória Perez

comentários:
29/11/2006

Horácio Alves Mendonça, Soldado da Borracha


Este emocionante depoimento faz parte do documentário que retrata o Primeiro Encontro Nacional dos Seringueiros, ocorrido em Brasília no ano de 1985.
Um abraço grande,
Bianca
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
27/11/2006

Construção da cidade cenográfica de Manaus



Oi!

Pra dar mais munição à curiosidade, vou postar algumas fotos da construção da cidade cenográfica de Manaus. Gente, tá ficando tão lindo...

Beijão pra vcs





Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
27/11/2006

velhinhos que nada!



Assistam no blog do Altino a maravilha que é uma noite no bar dos velhinhos, lá em Rio Branco!
Postado por

Glória Perez

comentários:
26/11/2006

Poesia da Seringueira


Árvore robusta
De Raízes profundas
Da seiva tão rica
Que alimenta o Mundo

Da copa tão bela
Que nos protege do calor
Do caule singelo
Que sustenta a Flor

Em agosto senesce
Para as folhas trocar
Esconde a produção
E não devemos sangrar

Quando pequena
È fácil de perceber
Cortando uma folhinha
O Látex começa a escorrer

Depois de cinco anos
Ela entra em produção
Oferecendo a borracha
Para movimentar a Nação
Matéria-prima como essa
Que não há substituição

Da borracha se faz quase tudo
Que se pode imaginar
E é mais difícil dizer
Onde não a utilizar
Pois com ela se apaga até erros
De quem quis e não soube acertar

E por isso pedimos a todos
Que possam de si um pouco oferecer
Para proteger a Seringueira
E a mesma nunca desaparecer.

Autor desconhecido


Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
26/11/2006

no PROJAC



Na primeira foto, durante as primeiras gravaçoes de Deborah Bloch e Neusa Borges.
Na segunda, o almoço com Dalgas Frish, o famoso pesquisador que gravou o canto dos pássaros da amazonia.

Postado por

Glória Perez

comentários:
22/11/2006

padre Paolino e a medicina da floresta





Antes era o padre José -hoje é o padre Paolino que percorre os rios do Acre fazendo
desobrigas: batizando, casando, abençoando e cuidando das populações ribeirinhas.

Padre José era nordestino, chegou ao Acre menino, tangido pela seca de 1915. Padre Paolino é italiano, e deixou uma vida confortável para dedicar a vida aos moradores dos rios.

Padre José vai estar na primeira e na segunda fase de nossa minissérie, interpretado pelo
Calloni. Padre Paolino vai estar em pessoa, na terceira fase.

Padre José escreveu um livro sobre suas experiências na floresta. Padre Paolino também escreveu o seu, onde transcreve as receitas que o povo da floresta utiliza para curar doenças. E aqui vai uma pequena amostra pra vocês:

febre? CUMARU-passar o óleo de cumaru no corpo todo. Faz suar e passa a frebre
CARANAPAÚBA E QUINA DO MATO- fazer o chá com duas polegadas de casca de caranapaúba e 1 chave de quina do mato num litro d'água. Tomar 1 copo durante
o dia

Dor de ouvido? FLOR DE JERIMUM-esquentar a flor de jerimum, tirar o sumo e colocar 2 gotas no ouvido 2 vezes ao dia

CATINGA DE MULATA-esfregar uma palma de catinga de mulata, tirar o sumo, coar e colocar duas gotas no ouvido, 2 vezes ao dia. Tampar com algodão.

Espinhas e Cravos?-AGRIÃO- ferver as folhas e, com esta água, lavar o rosto
PEPINO-amasse um pepino até virar um creme e aplique diariamente no rosto
Postado por

Glória Perez

comentários:
21/11/2006

O olhar de quem esteve lá!



Oi! Tudo bem por aí? Por aqui tudo caminhando (com céu cinza e carregado de chuva!)

Olha só: a Karol Araújo, uma menina muito simpática do Acre, fez parte do elenco de figuração e registrou tudo num diário com imagens e descrições. Vou postar algumas destas fotos aqui com os comentários dela.

Com a palavra, Karolina Araújo:

Dia 14/09:

"Meninas da figuração da Zarzuella e a atriz Franciely Freduzeski"

Dia 16/09:

"Essa daí é a famosa escada de 65 degraus (minha amiga contou!) que todos nós descíamos para chegar até a cidade cenográfica."

Dia 28/09:

"Antes de começar a gravar todo mundo é amigo! Aqui estão soldados de Plácido e soldados bolivianos."

Dia 29/09:

"Eram bombas espalhadas para todo lado (com todo o cuidado, claro): dentro do rio, nas margens, nas moitas. Lá de cima, onde eu estava, só se ouvia o estrondo, um barulho inexplicável. Lá embaixo, os cogumelos de fogo apareciam, seguidos por cortinas de fumaça que se misturavam ao ar das terras acreanas..."

Bacana, né? Depois eu coloco mais fotos e textos da karol. Aliás: OBRIGADA, KAROL!

Beijão pra vcs.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
20/11/2006

começaram as gravações no estúdio



Hoje entramos no estúdio. A primeira cena foi com dona Júlia (Malu valle), e aqui vai ela para vocês. Ao lado, Emilia Duncan, a figurinista, a responsável pelo belíssimo figurino do elenco.





Postado por

Glória Perez

comentários:
18/11/2006

Deborah Bloch é Beatriz



Esposa do Gomes (Paulo Betti), cunhada do coronel Firmino (José de Abreu). irmã de dona Julia (Malu Valle) rival de Lola (Vera Fisher) e de Maria Alonso (Cristiane Torloni) na disputa pelo amor de Galvez (José Wilker), a impetuosa Beatriz vai ser responsável por muitos momentos emocionantes da trama.

Postado por

Glória Perez

comentários:
17/11/2006

Os Yawanawa e a pintura



Os Yawanawa são uma das muitas etnias indígenas do Acre.
Usam o urucum para fazer suas pinturas e utilizam, em seus desenhos, motivações que
lembram as cores e as formas dos animais da floresta.

Explicam que se pintam para demonstrar que estão alegres e saudáveis. Também para
que se tornem invisíveis aos olhos do inimigo no momento da guerra, e dessa maneira
lutem confiantes e sem medo.

A pintura é importante porque revela, também, a identidade de cada tribo.

Os Yananawas fazem um festival anual. E agora remeto vocês ao blog do Altino, onde dois representantes desta nação: o Joaquim Tashka Yawanawa e o Biraci Nishiwaka Brasil, falam sobre esse festival:
as fotografias que ilustram esse post são do documentário YAWA:

Postado por

Glória Perez

comentários:
16/11/2006

a mídia no Acre antigo





Antes que o rádio chegasse a Rio Branco, os anúncios de filmes, festas e toda a sorte de
eventos eram comunicados à população através do Raimundo Doido, com seu tambor e alto-falante. A informação vinha acompanhada de uns passinhos de dança.
Na minissérie, vamos mostrar a performance do Raimundo Doido.
Aí está ele, em fotografia de álbum de família
Postado por

Glória Perez

comentários:
16/11/2006

Cidade Cenográfica no Projac



Olá!

Hoje eu fui dar uma volta pela cidade cenográfica da minissérie...e está tudo muito bacana e caprichado! O Seu Aldenor, que é seringueiro e trabalha no Parque Capitão Ciríaco, lá do Acre, está aqui no Rio conosco nos ensinando direitinho como as coisas devem ser. Nas fotos, ele está construindo o defumador, onde se trabalha o látex até que a péla de borracha esteja pronta.


Olha aí o Seu Aldenor trabalhando!


Esse é o Jorge "Jimi Cliff", da carpintaria. Ele está colocando a cobertura do defumador.


E aqui, uma foto de tudo terminado (as fotos são de defumadores diferentes)!

Viu só?

Beijos e beijos.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
15/11/2006

O incansável elenco de apoio

Fabiana Mesquista, acreana e estudante de jornalismo, passou um dia nas gravações da minissérie e fez um registro muito interessante.

A minissérie mudou a rotina de muitos moradores de Rio Branco, desde agosto, quando a equipe que seleciona figurantes chegou. Cerca de 600 pessoas foram escolhidas, membros comuns e muito bem-humorados da sociedade acreana dispostos a fazer parte de um pedaço de cena ou apenas ver como é feita. “Fiz a inscrição na Usina de Artes, no primeiro dia de seleção. Semanas depois recebi um telefonema chamando para participar das gravações. Acordei às cinco da manhã e peguei o ônibus dos figurantes na Praça Plácido de Castro. Entramos num ramal do km 48 da estrada de Porto Acre, eu estava ansiosa e quando via as tendas brancas do set e o palácio do Galvez, pensei, puxa, vou participar disso!” , conta Karolina Araújo, estudante de Ciências Sociais, com quem conversei nesses dias. A primeira participação de Karolina foi na Companhia de Dança Zarzuella, cuja estrela é Maria Alonso (Cristiane Torloni). Ela e mais quatro amigas vestiram-se de dançarinas espanholas, ensaiaram a música e no momento da gravação apenas seguiram a instrução de um dos diretores “vai no ritmo da música e sente...” O resultado foi a cena de uma belíssima e sensual apresentação de Maria Alonso, com cinco meninas de Rio Branco, lá no fundo, sentindo a música e indo no ritmo dela. Então veio a idéia: Tudo bem, pensei, posso não parecer uma dançarina espanhola, mas fico bem como seringueira. Fiz uns contatos e fui à luta...

De todos os participantes com quem conversei, sem dúvida, o mais interessante foi Cícero Franca. Artista plástico, repentista e ator, com fala rápida e alegre, cantou um repente para Glória Perez e recebeu o papel de Aristide, um soldado da revolução que, por beber muito, leva uma bronca de Plácido de Castro, interpretado por Alexandre Borges. “Eu fui decorando no ônibus, o texto do Aristide era só reclamação. Aí, uma mulher achou que eu falava com ela e começou a brigar comigo.” Risos. “O Plácido não gostou de ver o Aristide beber, então pegou a garrafa e derramou. Eu acompanhei com tristeza a bebida derramando enquanto dizia que ela ajudava a sustentar...”

A guerra sangrenta entre as forças regulares bolivianas e o exército acreano formado por seringueiros mobilizou centenas de figurantes por vários dias. Homens corriam por um terreno acidentado, portando armas cenográficas, sob o comando dos diretores da minissérie. Essa grande batalha resultou na tomada definitiva de Puerto Alonso, mas o objetivo final dos acreanos era obter a anexação do Acre ao Brasil. A história do Acre é bonita e vivê-la, mesmo que por alguns minutos, é emocionante. Sempre que perguntava qual foi o momento marcante desses dias, todos faziam um apanhado deles: a guerra, a dança, o corte da corrente, o almoço com peixe assado na palha de bananeira, ônibus atolado no ramal... A conclusão que posso tirar dessa experiência fantástica é que apesar de todas as dificuldades, a população acreana permanece fiel às suas origens e tradição de lutas para pertencer ao Brasil. Conhecem o seu lugar e não abrem mão de mostrar a mais bela identidade amazônica.

Por Fabiana Mesquita – estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Acre
Publicado originalmente no site www.overmundo.com.br
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
13/11/2006

Clarisse Baptista e Karla Martins



Oi, comunidade blogueira! Tudo bem?

Bom, hoje eu quero apresentar pra vcs mais dois tesouros do solo acreano: Clarisse Baptista e Karla Martins. Elas são atrizes com grande experiência no teatro e vão abrilhantar nossa minissérie na segunda fase como, respectivamente, Zilá e Dona Filó.


Clarisse Baptista como Zilá.


Karla Martins como Dona Filó, a parteira e rezadeira da 2º fase.

Beijão e boa semana pra vcs!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
11/11/2006

Os Geoglifos do Acre




fotografia de Sergio Valle


fotografia de Altino Machado: um poste dentro de um geoglifo

O jornalista acreano ALTINO MACHADO escreve, para nos, uma crônica sobre eles. Com a palavra, o ALTINO:

Espero que haja espaço na minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes" para ser mostrado ao povo brasileiro os geoglifos do Acre - as figuras que se tornaram visíveis na terra após o corte raso e a queima da floresta para a formação de pastagens. Trata-se de uma das descobertas mais fantásticas da arqueologia amazônica ou sul-americana dos últimos tempos.

Valas e fragmentos dos geoglifos já formam os maiores monumentos arqueológicos do país e podem contar uma nova história sobre os povos que viveram na América antes da chegada dos europeus. A minissérie poderá contribuir para chamar a atenção e impedir a destruição de um legado que data do século XIII, mais de 200 anos antes de Pedro Álvares Cabral desembarcar no Brasil

Existe uma velha polêmica que envolve etnólogos e arqueólogos sobre as formas de organização social e nível de complexidade sociocultural alcançados pelas sociedades indígenas encontradas e dizimadas pelos europeus a partir do século XVI. Perdurava a tese de que sociedades complexas e populosas se desenvolveram apenas na várzea amazônica, não em áreas de terra firme.

Os pesquisadores envolvidos com os estudos prelimares dos geoglifos dizem que a razão pela qual foram construídos, bem como aquela população se organizava em termos sociais, econômicos e culturais, pode provocar uma verdadeira quebra de paradigma dentro da disciplina arqueológica e mudar para sempre o curso dos estudos sobre as sociedades pré-coloniais amazônicas.

A partir dos geoglifos, surgem evidências de que também se desenvolveram sociedades complexas na Amazônia, que promoveram enorme alteração na paisagem. Os pesquisadores trabalham com a hipótese de que no Acre, há mil anos, viveram sociedades mais numerosas do que a população existente hoje.

As imagens de satélite do Google Earth ajudaram na identifição de um terço dos 120 geoglifos no Acre. Um artigo científico a respeito será publicado em breve por três pesquisadores, mas dentro e fora do Acre o assunto ainda é muito desconhecido. Os arqueólogos querem tombá-los como patrimônio da humanidade, por enquanto, não foi sequer tombado pelo Estado ou municípios.

Nos últimos meses registrei a dilapidação de nossos geoglifos. Recentemente, um poste de energia elétrica do Programa Luz para Todos, do governo federal, foi fixado dentro de um de nossos geoglifos mais belos - um retângulo com um círculo dentro, cuja imagem faz lembrar a logo da Rede Globo. Na semana passada, no Dia de Finados, fotografei o estrago causado por um trator com arado, que aplaionou um dos maiores geoglifos do Acre, na Vila Pia, na BR-317, a 60 quilômetros de Rio Branco.

Esses e tantos outros casos chegam ao conhecimento do Ministério Público e do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que não tomam nenhuma medida para coibir a destruição. O Iphan não possui normas claras e procedimentos que devem ser tomados para a exploração turística dos sítios, tampouco gente para fiscalizar os sítios arqueológicos.

É necessário que haja estudos, divulgação e exploração turística dos geoglifos da melhor forma possível. Sem divulgação, não haverá pressão da sociedade sobre parlamentares para protegê-los com leis e portarias, que podem e devem ser criadas, pois a lei federal é muito ampla.

Em setembro, uma equipe de documentaristas de uma emissora da TV japonesa esteve no Acre para filmar os geoglifos. NoS próximoS dias, uma equipe do Globo Repórter, da Rede Globo, estará em Rio Branco para fazer o mesmo. O ritmo de destruição está sendo tão intenso que as futuras gerações correm o risco de conhecer apenas os geoglifos registrados em fotos e vídeos.

Torço para que nossos geoglifos não sejam eliminados do cenário amazônico.

P.S.: gostaria de sugerir aos interessados, algumas leituras sobre o tema:
os geoglifos do Acre, janela para o passado, Pré-História do Acre, geoglifos pra boi pastar, Japão filma os geoglifos, Arqueologia Amazônica
http://www.geoglifosdaamazonia.hpg.ig.com.br/index.htm.
http://altino.blogspot.com/2005/10/janela-para-o-passado.html
Postado por

Glória Perez

comentários:
11/11/2006

o jacaré açu e a extinção dos peixes





Padre José conta que os seringueiros costumam atribuir a extinção dos peixes à maldição que os índios teriam lançado sobre os rios, depois da invasão dos brancos. E põe as coisas em seu devido lugar:

Diz que nos seus 43 anos de convivência com os índios, sempre ouviu deles que os peixes iam acabar se o branco não parasse de matar o jacaré açu. Os índios diziam, mas não explicavam o porque da advertência.

Até que uma noite, padre José matou um tucunaré que descobriu quietinho na margem e percebeu que, logo em seguida, milhares de piabinhas vieram devorar os milhares de avelinos do tucunaré que haviam ficado órfaos e desprotegidos. Observou, então, que os peixes que ficavam à noite, nas bordas, eram mães:

Então compreendi o aviso dos índios sobre o jacaré-açu, pois onde existe um, este vem contra quem mexer nas águas
Um jacaré açu, até 500 metros de distância ouve, mesmo dormindo, a pancada de uma bola de chumbo na superfície de um lago, e assim que ouve vai lá ver a novidade. Vai por baixo da água e flutua devagarinho, bem no local da batida na água, rodando a cabeça a 360 graus para descobrir o fenômeno que o acordou. Se a gente ficar quietinho, escondido por trás de uma árvore ele não vê, mas fica ali, por mais de meia hora, verificando qualquer movimento na barranca.


Logo, este sáurio é um soldado, cuja farda piranha não come, candiru não roi, arraia não ferra, nem puraquê dá choque, e pancada pouca não mata.
Ele é um comandante encarregado de defender uma região, de vigiar seu condado; é valente, quanto mais ferido, mais agressivo se torna.



Na época, padre José empreendeu uma corajosa e solitária campanha contra a caça desses animais. Nao foi ouvido por ninguém, como ele mesmo conta:

Fui a Belém do Pará, onde havia uma enorme indústria de couro de jacaré, e quando fui falar sobre a coisa, quase apanhei de alguns industriais, que me chamaram de intrometido em coisas que não entendia. Somente muitos anos depois, foi proibida a matança desses saurinos em todo o Amazonas.

Padre José foi um dos primeiros a compreender a importância do equilíbrio ecológico, numa época que ninguém falava disso!
Postado por

Glória Perez

comentários:
09/11/2006

Hino dos Soldados da Borracha



Como já comentamos aqui no blog, os soldados da borracha foram os trabalhadores que saíram principalmente do nordeste brasileiro para a região amazônica na época da segunda Guerra Mundial. Eram convocados (convidados, aliciados) para a extração do látex, produto que interessava muito aos EUA no período do conflito. Segundo diziam as autoridades, eles teriam o mesmo status dos pracinhas que estavam indo para o front. Mas, como nos mostrou a história, as coisas não foram bem assim: os seringueiros sofriam muito nas matas, endividavam-se com os patrões e não foram reconhecidos dignamente pelo governo brasileiro.



Hoje eu estava lendo* e encontrei um dos hinos dos soldados da borracha. Olha só:

Um dia, quando os esplêndidos raios da vitória alcançarem nosso país,
ele há de ver seus esforços,
assegurando esta liberdade,
há de fazê-lo feliz.

Se sofrer com a escuridão e a solidão,
um dia,
liberto desta prisão,
cantará a glória da nação.

Ora viva, soldado brasileiro!
Seu produto será útil por todo o mundo!

No momento em que se reunir às fileiras dos batalhões da floresta,
e pensar na vitória do Brasil,
e esquecer sua vida perigosa,
soldado corajoso, você triunfará!

Ora viva, soldado brasileiro!
Seu produto será útil por todo o mundo!


Beijão pra vcs!

*REVKIN, Andrew. Tempo de Queimada. Tempo de Morte. Rio de Janeiro, Francisco Alves Editora, 1990, p. 85
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
09/11/2006

BENDITA SEJAS TU, PREGUIÇA AMADA
QUE NÃO CONSENTES QUE EU ME OCUPE EM NADA





Este é Juvenal Antunes, nosso poeta maior, que na minissérie vai ser interpretado
pelo Diogo Vilela. E o título do post são os primeiros versos do seu poema mais célebre: o
"Elogio à preguiça."


Juvenal veio do Rio Grande do Norte como promotor de Justiça, mas era, antes de tudo,
um boêmio inveterado. O terno nunca foi seu uniforme: passava os dias metido num
robe, na porta do hotel Madrid, onde vivia em Rio Branco, bebendo, fazendo versos e proclamando seu amor a Laura, mulher casada que lhe inspirou os mais belos sonetos. Sair dali? nem para receber o ordenado, que lhe chegava por exercícios findos!


a fotografia nos foi mandada pela Lucia Helena Pereira, escritora e sobrinha neta do Juvenal.
E aqui, na proxima foto, vemos Ida e Zé Rodrigues, proprietários do Hotel Madrid, onde o poeta viveu.

Tia Ida está inteirona, e tem contribuído muito conosco, lembrando os feitos e os poemas do seu hóspede mais ilustre.




(foto album de família)
Postado por

Glória Perez

comentários:
08/11/2006

o seringueiro e a mata



como é que os povos da floresta vivem a floresta? Esse é o Raimundão, primo do Chico Mendes, contando como as árvores cantam. Bonito demais:

Postado por

Glória Perez

comentários:
07/11/2006

O saber natural



A pesquisa para a minissérie está nos ensinando muitas coisas, mas o que mais me chama a atenção é o conhecimento empírico daqueles que viviam (e vivem) nos seringais. As parteiras conseguem, sem nenhum aprendizado acadêmico, “aparar” meninos e meninas quase sem recursos. O ser humano é mesmo uma coisa, não?

Olha só o trecho que encontrei sobre nascimento de gêmeos no livro “Defumadores e Porongas”, do Álvaro Maia:

“Dona Emereciana relatava os aperreios de gêmeos quando nascem, sendo curumim e cunhatã*. Começam a brigar antes de nascer, cada um querendo botar a cabeça pra fora. Porque mulher é como piraíba**. A barriga tem dois espaços engordurados. Mete-se a peixeira no espinhaço pra coisa dar certo. Nos gêmeos é a mesma coisa. A gente faz umas coceirinhas num pezinho da cunha. Mexe logo e quer sair, quase empurrando o companheiro. Nascem e é um berreiro doido. Não se trata de fome, pois são alimentados e continuam no choro. Quando são deitados juntinhos, deixam de chorar. Já se viu manhã igual?”

Beijos

*Curumim é menino. Cunhatã é menina.
** Peixe amazônico.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
06/11/2006

a saga dos retirantes






os seringueiros, em sua maioria, eram retirantes que foram para o Acre tangidos pela
seca e pela miséria, em busca de uma chance de vida, e lá se tornaram escravos de um sistema que Euclydes da Cunha chamou de "o mais perverso sobre a face da terra".

Vinham no porão dos navios, amontoados com animais e cargas. E já chegavam devendo uma quantia tao grande, que normalmente morriam sem conseguir pagar! mortos, os coroneis decidiam a sorte de suas viúvas, casando-as com outro seringueiro que assumisse a dívida deixada por eles, e continuavam senhores dos seus filhos.

Nosso padre José, que na minissérie será interpretado pelo Calloni. foi um desses retirantes.
E aqui postamos um audio retirado do documentário JOSÉ, de SILVIO MARGARIDO, onde ele conta a morte do pai, na trágica travessia:

Postado por

Glória Perez

comentários:
05/11/2006

a guerra do Acre







Esse exército seringueiro, comandando por Plácido de Castro (Alexandre Borges), e armado de facões e espingardas, derrotou o exército formal da Bolívia, que usava os armamentos mais modernos e, na última cena da guerra, chegou a ser comandado pelo próprio presidente da República.

Os seringueiros lutaram embalados pelo sonho de que a conquista do Acre mudaria suas vidas. Nao mudou.

Os sonhos de Galvez e Plácido de Castro também nao foram cumpridos, quando o Acre não foi integrado ao país como um novo estado, e sim como um território, e por muitos e muitos anos continuou fora do alcance das leis e da atenção do país!
Postado por

Glória Perez

comentários:
05/11/2006

Delzuite





aqui está Giovana Antonelli na pele de Delzuite, uma filha de seringueiro sonhadora, que
vai conseguir fugir do seringal e viver muitas venturas e desventuras na cidade grande!
Postado por

Glória Perez

comentários:
01/11/2006

O Teatro Amazonas



O Teatro Amazonas, que fica em Manaus, foi construído durante o primeiro ciclo da borracha, quando o leite da seringueira, que valia ouro, mantinha uma elite enriquecida. A pedra fundamental foi fincada em 1884, mas apenas no reveillon de 1896/97 ele foi inaugurado.



Em volta do teatro o piso é de borracha. Assim, o ruído das carruagens não era ouvido durante os espetáculos.

Bacana, né?

Beijão.
Maria ALonso (Torloni) e a companhia de Zarzuella
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
01/11/2006

momento de descontração: Letícia Spiller





aí está nossa Letícia, em Rio Branco-Acre, num intervalo das gravações, mostrando que é craque também nos temperos.

Na minissérie, Letícia vai viver Anália, personagem do romance Terra Caída, de José Potyguara

Galinha Cabidela



Pois é! Aí a Lelê estava preparando uma galinha cabidela. A Anália, sua personagem na minissérie, tb sabe fazer essa receita como ninguém!

Eu provei o prato...e estava uma delícia.

:-)

obs. ESSE ADENDO AQUI É DA GIOVANA. ELA QUE PROVOU O PRATO
Postado por

Glória Perez

comentários:
01/11/2006

ADÁLIO PEREIRA DE OLIVEIRA, SOLDADO DA BORRACHA


A historiadora Xenia Barbosa, da Universidade Federal de Rondônia, faz um trabalho muito interessante de recuperação da memória dos soldados da borracha. Segue um pequeno trecho de uma de suas entrevistas:
"Eu saí para cá em fevereiro de 1943, por causa da guerra de 1939. Nós viemos contratados como soldado da borracha para o serviço para o americano. Antes eu morava no Ceará, em Cascavel, era uma cidade boa, rica e muito produtiva.
A pessoa naquele tempo tinha era que obedecer! Eu tava casado e não queria vir, mas tinha que obedecer. Mesmo casado tinha que deixar tudo! E eu deixei minha mulher com seis meses de casado, mas ou ia pra guerra ou vinha pra borracha.
Pra vim pra cá tive que vender tudo, porque o que já se tinha de roupas, calçado, qualquer luxo que a gente tivesse, um relógio, uma aliança, não podia trazer nada. E aí eu recebi uma mala de carregar nas costas com uma rede pequena, uma coberta pequena, um caneco de esmalte e um par de alpercata de rabicho. Uma calça de mescla e uma camisa de um pano ordinário que nós chama americano. Assim era a farda. E um chapéu de palha.
Cheguei aqui no Amazonas. Primeiro eu cortei muita lenha pra navio. Naquele tempo do atraso os navios tudo era a lenha. Esses navios de convés baixo era tudo a lenha. E eu cortei muita lenha!
Faziam a gente vim pra seringa como à guerra, porque se não fosse para seringa ia pra lá. Na idade que eu tava era convocado mesmo! Eu vim obrigado, vim com medo da guerra.
E eu fui pra uma colocação de seringa chamada Rarizal, cortar seringa. O serviço é um pouco enrascado! Nos primeiros anos a pessoa nunca faz nada, sempre apanhando porque o serviço é um pouco dificultoso! E ainda tem um tal de paludismo aqui, que hoje em dia é chamado de malária, quando agarrava a pessoa, o camarada tremia uma hora, bolando assim no meio da mata. E se ele não fizesse a borracha no fim do mês o patrão também não vendia. Ou ele morria com a malária ou de fome. A sujeição era essa!"
Beijos pra vcs,
Bianca
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
31/10/2006

O canto do Uirapuru





JOHAM FRISCH é um apaixonado pelas aves brasileiras. Na floresta amazonica, gravou o canto de centenas de aves.
E nas selvas acreanas -ele diz- mais precisamente no seringal Bagaço, gravou pela primeira vez o canto do Uirapuru verdadeiro, cantando 8 melodias diferentes

Johan nos escreveu pondo à disposiçao da minissérie esse trabalho. E explica:

"chama-se Uirapuru verdadeiro porque existe um outro Uirapuru, do mesmo gênero, com o nome de Cyphorhimus aradus. Também é comum na Amazonia
(...) Seu canto é inferior ao do Uirapuru encontrado na selva acreana.

Vejam como o jornal News American-Baltimore se refere a essa gravação:

"O lendário uirapuru canta apenas 10 dias por ano. O caruso da selva grava um best -seller"

Dizem que o canto do Uirapuru traz sorte e felicidade a quem o escuta. E ele vai estar em Amazonia- de Galvez a Chico Mendes.
Obrigada, Johan, em nome de todos nós!


Do jornalista acreano Altino Machado:



Glória, o engenheiro belga Johan Dalgas Frisch é um dos mais apaixonados ornitólogos brasileiros. Em 1997, quando morei em Brasília, conversei muitas vezes ao telefone com ele, que mora em São Paulo. Em meados dos anos 50, quando gravou o canto do uirapuru no seringal Bagaço, onde nasceu a ministra Marina Silva, o fato foi destaque na imprensa internacional. Dalgas não deixa morrer o sonho para que o Brasil adote uma ave como símbolo. Bem, ele me enviou a coleção Aves Brasileiras, de seis CDs, incluindo Aves da Amazônia, onde está o lendário canto do uirapuru. Além disso, enviou o livro de fotografias "Jardim dos Beija-Flores", organizado em parceira com Christian Dalgas Frisch, filho dele. É uma obra impactante pelo conteúdo numa impressão primorosa. Seu post me fez revisitar o livro, onde ele escreveu a dedicatória: "Ao estimado jornalista Altino Machado e família, com os cumprimentos dos beija-flores do Brasil, um grande abraço". S. Paulo, 27 de fevereiro de 1997. Um beijo pra voce e vida longa ao admirável Dalgas.

http://altino.blogspot.com/

Postado por

Glória Perez

comentários:
30/10/2006

Soldados da Borracha



Os seringais tiveram mais um momento de apogeu durante a segunda guerra, quando o Eixo cortou o acesso dos Aliados à borracha da Malásia. O governo brasileiro lança, então, com apoio dos Estados Unidos, a campanha "Borracha para a Vitória", e desloca para a Amazonia um exército de retirantes: os soldados da borracha.



Como os pracinhas, eles estavam indo para a guerra, atuando em outra frente de batalha. E teriam, por parte do governo, o mesmo tratamento e as mesmas regalias. Com a vantagem -dizia a propaganda- que o Eldorado amazonico oferecia possibilidades de enriquecimento e de uma vida próspera e farta. O artista plástico suíço Pierre Chabloz foi contratado para criar os cartazes da propaganda.



Cerca de 55 mil homens foram levados para os seringais. Estima-se que 31 mil tenham morrido de pronto, atacados por animais e vitimados pela malária e pela febre amarela.
Os outros foram deixados lá, esquecidos.
Pensão igual a dos pracinhas???? que pensão?

Os soldados da borracha são personagens da segunda fase da minissérie.

E aqui está seu Lupércio, que na vida real foi soldado da borracha. Seu Lupercio conta que era rapazinho, no Ceará, quando o caminhão passou recolhendo homens. Não o deixaram nem se despedir da mãe. Foi praticamente "tocado"para dentro do caminhão, e levado para
o Acre, onde vive até hoje.


Postado por

Glória Perez

comentários:
30/10/2006

Honório


Oi, pessoal!
O pai do Dico e marido da Amelinha (tadinho!) vai ser o Honório, representado pelo Sóstenes Vidal, ator pernambucano que está estreando na televisão. Lá em Recife, ele encena o espetáculo Viva Pernamuco, que mostra os ritmos e folguedos da região.



Honório vive às voltas com os caprichos de Amelinha, afinal, como disse a Gloria, ter uma mulher no seringal era coisa rara!

Beijos!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
29/10/2006

Dico





Mussunzinho está com a gente: faz o Dico, menino que nasceu e cresceu no seringal e
vai ter por madrasta a terrível Amelinha (Betty Goffman).
Postado por

Glória Perez

comentários:
29/10/2006

uma figura muito popular: O Dr. Raiz





O dr Raiz é uma personagem real de Rio Branco. Doutor no uso e aplicação das plantas da floresta. Reza e dá receitas para curar quebranto, espinhela caída, campainha caída, enfim, qualquer desses malefícios que possam atingir uma criatura de Deus.

Cuida também da sorte, indicando amuletos que protegem a pessoa de ofensa de cobras, do olhar dos invejosos, e são capazes, também, de chamar para ela amores e fortuna.

Sem esquecer a beleza: os cremes rejuvenescedores feitos com o pau do mulateiro, o célebre shampoo de Tarauacá que faz nascer o cabelo dos carecas, tudo isso é com o
dr Raiz.

Aqui está ele, cercado de sementes, ervas, plantas, garrafadas, amuletos e outros preparados, na sua lojinha do Mercado Velho.
Postado por

Glória Perez

comentários:
27/10/2006

Betty Goffman é Amelinha





Nos primeiros tempos,a população dos seringais era quase que exclusivamente masculina. Amelinha chega num barco de mulheres que o coronel manda trazer de Manaus para
vender aos seringueiros. E vai aprontar todas!
Postado por

Glória Perez

comentários:
26/10/2006

O homem que matou Plácido de Castro



Gentil Norberto (o neto), nos envia uma foto preciosa: este é Alexandrino da Silva, o
homem que matou Plácido de Castro numa emboscada, em 1908, e que na minissérie será interpretado pelo ator Paulo Vespúcio:



Alexandrino, conhecido pela truculência, lutou com destaque no exército seringueiro.
Vencida a guerra, aliou-se às autoridades locais, récem nomeadas pelo governo federal, que se sentiam ameaçadas pela popularidade de Plácido. Ocupava o cargo de subdelegado quando cometeu o crime.

A História registra que, da mesma forma como aconteceu com Chico Mendes, Alexandrino foi a mão que executou a vontade de muitos.

O crime foi registrado na delegacia, alguns depoimentos foram tomados, mas nao houve processo. Ficou impune. A familia de Plácido acusou o presidente da República de complacência, e mandou levantar o túmulo onde um punhado de moedas desequilibra a balança da justiça.


Postado por

Glória Perez

comentários:
26/10/2006

Os herdeiros de Chico Mendes



A Angela é filha do primeiro casamento do Chico, com a dona Eunice:


Elenira e Sandino são filhos do segundo casamento, com a Ilzamar



Os filhos do Chico



A Angela tinha 18 anos quando o pai foi assassinado. Dos filhos, foi quem mais conviveu, apesar da distância (Chico morava em Xapuri e Angela estava em Rio Branco). A Elenira estava com quatro anos e o Sandino com dois. Todo mundo diz que o Chico era um paizão, do tipo que senta no chão e se esparrama para brincar. Ele chamava as meninas de “minhas velhas”.

Beijos,

Giovana
Postado por

Glória Perez

comentários:
24/10/2006

Brendha Haddad é Ritinha





Esta é a Brendha Haddad, atriz acreana que estamos lançando na minissérie, para viver uma das histórias centrais do romance O Seringal.
Brendha vai dar o que falar!
Postado por

Glória Perez

comentários:
22/10/2006

O SERINGAL

No livro “O SERINGAL”, de Miguel Jeronymo Ferrante, há um trecho que acho muito emocionante e que sintetiza o clima do seringal nos tempos idos. Reproduzo abaixo:

“Chegara o dia de Toinho ir tomar conta de sua “colocação”. A “Bem-te-vi” estava preparada para receber o novo seringueiro. Barraca nova que o coronel mandara construir, as estradas de seringueiras limpas, prontas para o “corte”. Toinho meteu no encauchado a rede e seus trastes, pôs o terçado à cinta e a espingarda a tiracolo, já municiada. Estava pronto para partir. Pela manhã, estivera no armazém, fazendo o aviamento. Guiado pela experiência do seu Cazuza, limitara-se a comprar o estritamente necessário para mantê-lo durante o primeiro mês da safra. Dois quilos de farinha d’água, um de feijão, um de arroz, meio de sal, um de café em grãos, um de jabá, meio de açúcar. Uma lata de banha de um quilo. Um maço de fósforos, duas dúzias de cartuchos, uma barra de sabão, um litro de querosene, uma lamparina de flandres. Duas garrafas de cachaça, duzentos gramas de fumo e papelinho. Mesmo assim, ficara a dever no Barracão vinte e seis mil e duzentos cruzeiros, nessa quantia incluído o preço dos utensílios de trabalho (uma faca, um balde e as tigelinhas), e parte das despesas, que lhe cabia pagar, segundo o uso do seringal, com a limpeza das estradas de seringa e construção da barraca. Começava devendo. Talvez, jamais chegasse a libertar-se do débito.”

Muito bacana, né?
Beijos,
Bianca
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
21/10/2006

O romance acreano





José Potyguara (Terra Caída) e Miguel Ferrante (O Seringal).
Dois romances que são um marco na literatura acreana, servem de base à parte ficcional da minissérie.
José Portiguara era promotor e, na minha infância, vizinho.
Miguel Ferrante, meu pai.
Ambos tinham grande vivência da região e um conhecimento profundo de seus costumes e tipos humanos.
Postado por

Glória Perez

comentários:
21/10/2006

José de Abreu é o coronel Firmino



é uma personagem de ficção, que vai conviver com os coroneis reais da guerra do Acre.
Postado por

Glória Perez

comentários:
18/10/2006

Calloni e Thiago: padre José e Bento



padre José com o Bento. A minissérie vai contar a vida desse menino seringueiro em três idades: adolescencia,maturidade e velhice.

Postado por

Glória Perez

comentários:
17/10/2006

mais coronéis



Liége Monteiro nos manda o retrato do avô. Francisco Matoso de Assis Marinho, filho do coronel Galdino, (José Galdino de Assis Marinho) um dos chefes mais importantes da revolução.
FRancisco Matoso participou também da guerra do Acre. Aqui está ele:



Esse é o coronel Hipólito Moreira, a bordo de seu "Dion Bouton". Foi o primeiro carro que existiu nas terras do Acre, e o coronel costumava passear com ele para deleite e espanto de quem o via passar. Quem nos manda a fotografia é o neto, Carlos Moreira.

Postado por

Glória Perez

comentários:
16/10/2006

Antonio Calloni é o Padre José





Padre José é uma figura querida e lembrada por todos os acreanos. Andava pelos seringais fazendo desobrigas, batizando, casando, medicando os seringueiros. Sempre com a batina por cima do macacão e a espingarda nas costas. Desbocado, irreverente, humano, gostava de caçar, pescar, e contar histórias. Quem nao se lembra das "mentiras" do padre José?
aí está ele, representado pelo nossoCalloni
Postado por

Glória Perez

comentários:
14/10/2006

Os acreanos e a história do Acre



É bonita a mobilização dos acreanos em torno da nossa minissérie. Temos recebido contribuiçoes valiosas: fotografias, documentos de família, depoimentos de pessoas que viveram momentos dessa bela e desconhecida história do Acre.

Danilo Silva, filho de Joaquim Vitor, o líder civil da guerra do Acre, nos mandou a fotografia do pai que já publicamos no blog, e gravou com a Giovana um vasto material sobre as lembranças do que vivenciou e do que ouviu o coronel contar.

João Américo Peret é sobrinho do tenente Alípio Bandeira, que foi ajudante do coronel Olympio da Silveira, enviado pelo governo federal para ocupar o Acre depois da vitória de Plácido de Castro, enquanto o Barao de Rio Branco abria as negociações com a Bolívia.
Peret encontrou o diário de campo do tio:
Diário de Um Soldado -Expedição Militar ao Acre, 1903
E generosamente nos deu acesso ao manuscrito, para que a narrativa pudesse ser enriquecida com as informações contidas no diário

Gentil Norberto vive aqui no Rio, e é neto do Gentil Norberto, um dos nomes mais atuantes na fase da conquista. Ele nos manda a fotografia do avô, que será interpretado pelo Vitor Fasano. Aqui está ele:






As duas fotos seguintes também foram cedidas por Gentil Norberto, e retratam personagens que vão estar presentes na minissérie:





Outra contribuição importante veio de Océlio Medeiros, Acreano com mais de 90 anos que conheceu e conviveu com figuras muito importantes do período revolucionário. Oscélio escreveu para nós um almanaque ilustrado: Almanaque do vovô Océlio, onde conta momentos importantes da trajetória de Plácido de Castro, como militar e como homem.
Postado por

Glória Perez

comentários:
13/10/2006

O homem Chico Mendes



Olá, blogueiros! Tudo bem?

Acabo de chegar de Xapuri.

Meu trabalho lá foi conhecer o Chico Mendes do cotidiano, aquele que não está nos livros, nos jornais, aquele que não se conhece em nenhuma publicação. Como era o amigo Chico Mendes? E o irmão Chico Mendes? O cunhado Chico Mendes, como agia? Como era o Chico vizinho de rua? E o companheiro Chico das lutas diárias no sindicato? O primo, o tio. Falei com muitas pessoas nos últimos três dias, entre eles o Zuza, irmão mais novo do Chico, a Deusa, sua cunhada, Seu Manduca Custódio, amigo de batalha. Foi muito bom descobrir que o Chico gostava de música e tocava viola, que adorava dominó, que tomava café o tempo todo, mas sempre aos golinhos, e muitas, muitas outras coisas que vcs conhecerão na nossa minissérie.


Zuza Mendes, irmão de Chico Mendes.

Aqui em Rio Branco eu já havia conversado com a Ilzamar, viúva do Chico, e a Elenira, sua filha (uma menina linda, simpática e que toca a Fundação que leva o nome do pai). Ainda quero bater um papo com o Sandino e com a Ângela, filha do primeiro casamento do Chico Mendes.

Confesso que me emocionei muito. Pareceu que a história brincava de se fazer real ali, na minha frente.

Beijos e cheiros.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
12/10/2006

Dona Maria Ninfa






A personagem de Regina Casé é uma homenagem às parteiras e rezadeiras que correm
os rios aparando crianças, e dizendo rezas para curar quebranto, mau olhado, espinhela caída,
e toda a sorte de males que atingem as pessoas.
Dona Maria Ninfa é um nome real.
Postado por

Glória Perez

comentários:
09/10/2006

Zuenir Ventura para o nosso blog:

Zuenir Ventura foi ao Acre como jornalista acompanhar as investigações sobre a morte do Chico Mendes e acabou publicando um livro sobre o assunto: CRIME E CASTIGO. O artigo abaixo ele escreveu especialmente para o nosso blog:

Um herói trágico



O país que produziu alguns dos mitos olímpicos e dionisíacos do século XX _ Pelé, Tom Jobim, Ayrton Senna, Ronaldo _ criou também um herói trágico e transformou-o no proto-mártir da causa ecológica, um homem que precisou morrer para ser conhecido em sua pátria, ele que já era, como escreveu o New York Times, “um símbolo de todo o planeta”.
De fato, o seringueiro Chico Mendes foi quem mobilizou não só o Brasil, mas também o mundo para a defesa da floresta amazônica, à qual acabaria dando sua vida. Certo de que estava marcado para morrer, ele não só denunciou a trama, como achava que morreria em vão. “Se descesse um enviado dos céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta, até que valeria a pena. Mas ato público e enterro numeroso não salvarão a Amazônia. Quero viver”.
Ele disse isso e pouco depois, às 18h45 do dia 22 de dezembro de 1988, foi assassinado, aos 44 anos, na porta da cozinha de sua casa em Xapuri, uma pequena cidade de cinco mil habitantes no estado amazônico do Acre. “Ele vinha com as mãos na cabeça, todo vermelho de sangue”, contou Ilzamar, que ouviu um estouro e correu para o marido. “Quando eu quis pegar no seu braço, ele caiu e ficou se debatendo. Aí vi que estava morrendo”.
Além de 18 perfurações no braço, ele fora atingido no peito direito por 42 grãos de chumbo de uma espingarda de caça. O autor confesso do disparo, Darci, era filho de Darli Alves da Silva, o fazendeiro mandante do crime.
Só então e diante da grande repercussão internacional, é que o Brasil começou a desconfiar, cheio de culpa, de que tinha perdido o que se custa tanto a construir: um verdadeiro líder.
Como um Gandhi dos trópicos, Chico organizou pacificamente os seringueiros para lutar pela preservação da floresta, que vinha sendo derrubada no Acre desde a década de 70 para dar lugar às grandes pastagens de gado. O movimento de resistência usava uma tática simples e eficaz: o empate, que consistia em impedir os desmatamentos, colocando os seringueiros, seus filhos e mulheres, todos desarmados, entre os peões armados de serras e as árvores.
Hábil político e homem de diálogo, Chico conseguiu também desfazer uma inimizade histórica entre seringueiros e índios, que sob sua influência se aliaram numa grande frente conhecida pelo nome de Povos da Floresta. Condecorado pela ONU e respeitado pelas organizações internacionais de proteção ao meio ambiente, Chico demonstrou que era possível promover um desenvolvimento racional para a floresta amazônica, sem transformá-la em santuário intocável, mas também sem devastá-la.
Criou para isso o projeto de reservas extrativistas, espaços para garantir os direitos mínimos que os seringueiros nunca haviam tido: escola, postos de saúde, melhores condições de comercialização de seus produtos, maior produtividade de extração, segurança contra as ameaças de expulsão dos latifundiários.
Chico sabia que precisava de aliados, não podia ficar isolado em Xapuri lutando contra poderosos interesses de fazendeiros e pecuaristas. Alguns antropólogos e representantes de entidades ambientalistas dos Estados Unidos e da Europa se encarregaram de projetá-lo no circuito internacional.
Em 1987, ele foi o primeiro brasileiro a receber o prêmio Global 500 das Nações Unidas, em Londres. No ano seguinte foi convidado a participar da reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Com a mesma desenvoltura com que andava nas ruas toscas de Xapuri ou pelas espessas florestas amazônicas, Chico passou a se movimentar por cidades como Nova York, onde chegou a se hospedar no mesmo hotel em que estava o então presidente Ronald Reagan. Os convites de viagens se sucediam e sua causa ficou sendo conhecida no mundo.
Se por um lado o prestígio externo reforçou a sua luta interna, por outro, pode ter contribuído para sua desgraça. Aplaudidas pelo Bird, pelo Bid e pelo Congresso americano, suas idéias enfrentavam a oposição violenta dos latifundiários, dos madeireiros e dos grandes projetos agropecuários que viviam do desmatamento desordenado da Amazônia.
A fama que ele alcançara junto a instituições e entidades estrangeiras, o seu carisma, tudo isso aliado aos incômodos empates que organizava em Xapuri, devem ter dado a seus inimigos a certeza de que a única maneira de barrar sua ação catalisadora era a morte.
Por isso ele sabia que ia ser assassinado e denunciou incansavelmente a ameaça. “Não quero flores no meu enterro, pois sei que vão arrancá-las da floresta”, escreveu no dia 5 de dezembro numa mensagem-despedida. “Quero apenas que meu assassinato sirva para acabar com a impunidade dos jagunços, sob a proteção da Polícia Federal do Acre e que, de 1975 para cá, já mataram mais de 50 pessoas”.
Poucas vezes a polícia brasileiras contou com uma lista tão completa de acusados, fornecida pela própria vítima. Nem isso, porém, serviu para impedir a morte anunciada.
Chico Mendes acertou quando anunciou que ia ser morto, mas errou ao achar que sua morte poderia ser inútil. Se ela não salvou a Amazônia, serviu pelo menos para intensificar o debate planetário sobre o destino da região. E mais: esse assassinato _ antecedido por dezenas de execuções de outros líderes rurais _ terá servido para denunciar que em um rico e extenso país ainda se mata por questões de terra.
Aquele estouro que Ilzamar ouviu chegou ao mundo todo. Nunca um tiro dado no Brasil ecoou tão longe.
Postado por

Glória Perez

comentários:
09/10/2006

Cidade cenográfica



Oi! Tudo bem? Aqui estava um calor danado até ontem! O set de gravação estava literalmente fervendo :-).

Olha só como está linda nossa cidade cenográfica (que reproduz a sede do seringal) construída no vilarejo de Quixadá:


Casa do seringalista


Galpão de estoque


Armazém

Amanhã eu vou para Xapuri conversar com parentes, amigos e companheiros de luta de Chico Mendes. Conto as novidades assim que eu voltar.

Beijão.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
07/10/2006

Figuração!



Oi! Tudo jóia por aí?

Hoje fui acompanhar as gravações na cidade cenográfica que fica no vilarejo de Quixadá, distante uns 20 quilômetros do nosso hotel. Está tudo lindo e correndo muito bem. Tirei várias fotos, mas acho bacana começar mostrando o pessoal que está fazendo figuração na nossa minissérie, atores anônimos aqui do Acre que abrilhantam as cenas e fazem com que tudo fique ainda mais perfeito:







Beijos!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
06/10/2006

Antonio Calloni será o padre José





eu tinha 16 anos quando saí do Acre. Ainda não haviam construído a ponte, e era assim que a gente atravessava de um lado pro outro, a cidade dividida por um rio: nas canoas, que nos dias de festa se enfeitavam assim. Cada uma tinha um nome: Beija-Flor, Bem-te-vi, e vai por aí..

Nessa foto vemos o padre José, importante personagem da minissérie e da vida do Acre, que será interpretado pelo Antonio Calloni.

Padre José era muito humano e muito amado pelos seringueiros. Caçava, pescava, fazia partos, casamentos "no rumo", distribuía remédios. Uma das suas características mais famosas era, como se dizia na época, "exagerar a verdade". Algumas das suas fantásticas histórias que encantavam as crianças e os seringueiros, estarão na nossa minissérie.
Postado por

Glória Perez

comentários:
06/10/2006

Maria Alonso encanta o Acre e Galvez



mais um momentod e Maria Alonso, a prima dona que ganhou o coração de Galvez!
Postado por

Glória Perez

comentários:
05/10/2006

Diretamente do Acre!



Olá, pessoal!
Acabei de chegar em Rio Branco. Vou fazer pesquisas, acompanhar gravações e trazer um montão de novidades aqui para o nosso blog!

Pra começar, uma foto do Palácio de Galvez (na cidade cenográfica de Porto Acre):


As fotos são do acervo da Diana e da Silmara, queridas companheiras de trabalho que atuam no Departamento de Patrimônio Histórico do Acre.

Aguardem novidades!

Beijão!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
04/10/2006

A Gameleira




Essa árvore impressionante é a Gameleira, muito cara a todos os acreanos. Aqui estamos eu e Armando Nogueira, de volta às raízes. posando à sua sombra. Aqui, em 1882, Neutel Maia fundou o seringal Volta da Empresa, que será cenário de uma das mais trágicas batalhas da guerra do Acre. Depois da assinatura do tratado de Petrópolis foi para cá que se transferiu a sede do Governo. E teve início a cidade de Rio Branco.
Postado por

Glória Perez

comentários:
04/10/2006

Um Dia no Seringal

Despertar bem antes de o sol raiar. Apanhar a poronga (espécie de lamparina fixada na cabeça), as ferramentas e uma espingarda -- para se defender das onças! Caminhar horas a fio pelo coração da mata, sangrar cada seringueira com dois cortes e muito cuidado: as árvores têm personalidade e gostam de ser tratadas com carinho, como sabe todo bom seringueiro.
Hora do almoço: arroz, farinha e, nos dias de sorte, um saboroso tapir. Recolher as tigelas, levar o látex para casa e defumá-lo. A borracha líquida era, então, girada numa haste de madeira sobre a fumaça, até que se formasse uma grande bola. A bola de borracha era transportada através dos rios ou rolada através da floresta.
Num espaço de sociabilidade tão disperso, notícias e boatos corriam graças ao eficiente boca-a-boca que os seringueiros chavamam de "Rádio Cipó". Pela "Rádio Cipó" eram noticiados a passagem do padre, os nascimentos, casamentos, falecimentos e batizados. Os badalados "forrós de quatro bolas" também eram assim anunciados. Nunca ouviram falar em "forró de quatro bolas"?! Ah, essa eu deixo a Sandra contar pra vcs!
Beijos,
Bianca

Na foto: latas que são presas às seringueiras após a sangria para colher o látex; lamparina poronga; faca para sangrar a seringueira. Fonte: Fundação Joaquim Nabuco.


Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
03/10/2006

Plácido de Castro: o conquistador do Acre




Alexandre Borges vai fazer Plácido de Castro, o militar gaúcho que comandando seringueiros armados de facas e espingardas, derrotou o exército formal da Bolívia, munido das armas de guerra mais modernas da época.

Joaquim Victor, o chefe civil da revolução





este é Joaquim Victor da Silva, proprietário de muitos seringais na região do Acre. Foi num desses seringais, Caquetá, que Galvez construiu a Cidade do Acre, sede de seu breve governo.
Joaquim Victor chegou muito jovem na Amazonia, trabalhando como seringueiro. Porque sabia ler foi alçado à condição de guarda livros, e quando os donos do seringal que o contratara desistiram do empreendimento, tomou conta das terras e ampliou seus domínios, transformando-se num dos maiores proprietários da região.
Suas terras, situadas nos limites da área contestada, serviram de base para o exército seringueiro de Plácido de Castro.
Foto de álbum de família.
Postado por

Glória Perez

comentários:
30/09/2006

Galvez pede o reconhecimento do Estado Independente




Proclamada a República do Acre e empossado, por aclamação, seu presidente, Luiz Galvez organizou o estado, criou as repartições e dirigiu-se às nações estrangeiras em fracês (língua utilizada na comunicação diplomática) para pedir o reconhecimento do Estado Independente. Aqui está a carta que ele dirige aos presidentes da França, EUA, Suiça, Argentina, Chile, Peru e Paraguai, ao Imperador da Alemanha, à rainha da Inglaterra, aos reis da Itália e de Portugal, ao Imperador da Austria e à Rainha Regente da Espanha:

Nous avons l'honneur de communiquer à Votre Excellence que de date du 14 Julliet ècoulé, nous assumons la charge de President de l'Êtat Indépendent de l'Acre, acclamation que nous fut conferée par les habitants de cette région delaissé du Gouvernement de la République de la Bolivie.

Nous appelons aux sentiments humanitaire que feront comprendre à Votre Excellence l'attitude notre sacrifice et apprecierons l'approbation du Pays duquel Votre Excellence est le très illustre Président, reconnaissant definitivement cette contrée comme l'Êtat Independent de l'Acre.

Nous presenterons à Votre Excellence l'assurance de notre Respect et Haute consideration.Cidade do Acre, december 1899
Postado por

Glória Perez

comentários:
30/09/2006

Galvez e Maria Alonso



Galvez (Wilker) e Maria Alonso (Torloni), a estrela da companhia de zarzuela que foi
com ele conquistar o Acre.
Postado por

Glória Perez

comentários:
29/09/2006

N.S. DO ACRE OU N. S. DA SERINGUEIRA




Quando os bolivianos ocuparam o Acre, no final do século 19, e fundaram Puerto Alonso,
entregaram a cidade à proteção da Virgem da Conceição, e até ergueram uma capela em sua homenagem.
Poucos anos mais tarde, durante a guerra do Acre, o exército boliviano lançou mão de um artifício para armar uma cilada para os brasileiros: saiu com a imagem da santa em procissão. Plácido de Castro desconfiou da estratégia, partiu para o ataque, e as balas do conflito atravessaram a imagem, que guarda, até hoje, as suas marcas.
Vencida a Guerra, os brasileiros a confiscaram. E durante muitos anos ela ficou desaparecida, até ser encontrada pelo padre José no Rio de Janeiro, prestes a ser levada para a Europa por um embaixador que a tinha descoberto numa irmandade.
Padre José fez valer os direitos do Acre e devolveu nossa santa.
Durante muito tempo ela foi Nossa Senhora do Acre. Hoje é conhecida por Nossa Senhora da Seringueira

O Cristo Seringueiro


Ele está numa igrejinha de Cobija, cidade boliviana da fronteira
Postado por

Glória Perez

comentários:
25/09/2006

O Hino Acreano



O hino do Acre é lindo, daqueles de arrepiar o mais racional dos mortais. Traduz com garra, força e poesia a luta do povo. Ele foi escrito em 1903 pelo médico Francisco Mangabeira, baiano de apenas 23 anos que lutou também na Guerra de Canudos e morreu cedo, aos 25 anos, vítima de malária. Apenas 23 anos depois o hino encontrou sua melodia pelas mãos do maestro cearense Mozart Donizetti Gondim, que morou em Manaus e, mais tarde, foi para Cruzeiro do Sul.

Vou colocar aqui o trecho que mais me chama atenção:

"Mas se audaz estrangeiro algum dia
Nossos brios de novo ofender
Lutaremos com a mesma energia
Sem recuar, sem cair, sem temer
E ergueremos, então, destas zonas
Um tal canto vibrante e viril
Que será como a voz do Amazonas
Ecoando por todo o Brasil"


E todo mundo, todo mundo no Acre sabe cantar. Vc pode ouvir clicando AQUI.

Queria dividir isso com vcs.

Beijão.

Francisco Mangabeira fala do Hino


recebemos uma preciosa colaboração da professora de literatura Lizir Arcanjo. Ela descobriu em jornais de Salvador, de 1903, uma série de reportagens onde FRancisco Mangabeira conta sua experiência na guerra do Acre e fala de como o hino foi composto. Obrigada, Lizir! em nome de todos nós!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
22/09/2006

Mestre Irineu e a religião da floresta





Na infância e adolescência, que vivi no Acre, conheci o mestre Irineu. Era uma figura que impressionava a gente: guardo, até hoje, a impressão de nunca ter visto ninguém tão alto.
Mestre Irineu levou a Ayahuascar para Rio Branco, ainda no tempo dos meus avós. Tomava-se a mistura em rituais religiosos. A bebida era considerada sagrada pelos Incas, que a usavam desde antes da época da conquista. As tribos da região do Acre também a usavam (usam) de modo ritualístico. Mais tarde, o próprio mestre Irineu rebatizou-a com o nome de Daime.

Depois de sua morte, a viúva, madrinha Peregrina, continuou a tomar conta do culto,
e tem se mostrado sempre atenta para que a utilização do Daime não venha a ser distorcida nem descaracterizada.
Aqui está ela, em fotografia tirada pelo jornalista Altino Machado, no dia 15 de setembro deste ano, quando ela e o mestre Irineu completariam 50 anos de casados.


Mestre Irineu foi para o Acre bem no comecinho do século 20, demarcar fronteiras, e trabalhou como seringueiro também. Nós o veremos na minissérie.
A fotografia dele também nos foi cedida pelo Altino, e é de autoria do fotógrafo Américo de Mello. "

Encontrei na internet mais uma fotografia do mestre Irineu: vejam como era alto!




Postado por

Glória Perez

comentários:
21/09/2006

Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes

Nascido no seringal Porto Rico, em Xapuri, Chico se tornou seringueiro aos nove anos. Até os 14, a vida de Chico tinha sido como a de os outros meninos seringueiros, infância encurtada pelo trabalho pesado. Mas eis que um dia apareceu em sua colocação um sujeito misterioso, de pouca conversa. Esse forasteiro era Euclides Fernando Távora e foi ele quem alfabetizou Chico. Com seus livros, jornais e um aparelho de rádio – itens mais que raros no ambiente da floresta – Távora apresentou o mundo para aquele jovem seringueiro.
O jovem cresceu e se transformou em uma das lideranças mais expressivas da luta ecológica. Em 1987, a ONU concedeu-lhe o prêmio "Global 500" por seu trabalho junto à "União dos Povos da Floresta", que propunha a aliança entre índios e seringueiros em defesa da floresta e da implementação de reservas extrativistas. Chico Mendes foi o único brasileiro, até hoje, a conquistar este título.
Após uma década de ameaças, Chico foi morto em 22 de dezembro de 1988. Um mês antes, ele antecipara em entrevista no Rio de Janeiro: “Eles vão me matar. Os nomes deles eu digo: Darly e Alvarino Alves da Silva”.
Mas sua morte, certamente cruel e injusta, não foi em vão: os trabalhadores rurais de Xapuri obtiveram, em março de 2002, o selo verde do Conselho de Manejo Florestal, concedido àqueles que exploram madeira segundo padrões ambientais autorizados. Hoje, comercializam alimentos, medicamentos naturais e matérias-primas para a indústria de cosméticos.

Essa é uma história digna do Brasil que o Brasil precisa conhecer.
Beijão!
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
21/09/2006

DE GALVEZ A CHICO MENDES








Mary Alegretti faz uma comparação entre Galvez e Chico Mendes, ilustrada com as fotografias das escolas que ambos criaram: a de cima é a primeira escola em terras acreanas e foi construída por Galvez. A outra por Chico Mendes, no seringal Nazaré, em Xapury.

Vale a pena ler na íntegra: http://maryallegretti.blogspot.com/
Postado por

Glória Perez

comentários:
19/09/2006

A Volta de Galvez





Quem mandou esta foto para nós foi a Mary Allegretti. Para quem não sabe, a Mary foi uma pessoa muito importante na vida do Chico Mendes, uma das pessoas que lhe abriu as portas para que ele defendesse, no exterior, a causa da floresta.
A Mary está no Acre, e foi assistir a gravação da volta de Galvez ao poder.
O governo de Galvez durou 8 meses. No decorrer desse tempo, ele foi deposto uma vez por um seringalista, o Souza Braga. Isto porque, quando os comerciantes de Manaus e Belém se negaram a pagar impostos ao récem criado Estado Independente do Acre, ele, numa medida extrema, baixou um decreto proibindo a saída da borracha. Souza Braga rebelou-se, e para evitar a guerra civil, Galvez entregou-lhe o poder. Um mês depois, o próprio Souza Braga o chama de volta, e pede que assuma de novo o governo. Aqui o vemos, de volta à Cidade de Galvez, aclamado pelos moradores.
Postado por

Glória Perez

comentários:
19/09/2006

A emoção do "gravando!"



Oi, pessoal!

Olha só que coisa linda o relato da Karla Martins, atriz acreana que já atua no teatro e será apresentada às telas na 2º fase da minissérie, sobre um dia de gravações:

O sol escaldante, o leito do rio seco, a abundância de melancias na outra margem. A floresta imóvel observa. Um grito cruza a manhã: gravando! Do alto, Luiz Galvez discursa: "se a pátria não nos quer, façamos outra!" O público em volta aplaude, vibra. Por um minuto perco a noção de tempo, basta fechar os olhos, apenas isso, fechar os olhos. Sou eu também que aplaudo. O historiador ao meu lado sorri, acho que ele percebe que saí da órbita do agora. Já sou um deles, acredito naquela promessa de liberdade. Invejo a beleza da mulher ao lado de Galvez. Ao meu lado, o menino brinca com o mico, a mocinha se diverte com a pequena oncinha e outros tantos assistem silenciosos.

Novo grio ecoa: corta!

Me esforço e volto ao agora sem graça. Peço um par de óculos, qualquer coisa e eu estou pronta a responder: o sol é muito forte, me faz lacrimejar! Foram apenas alguns segundos, já o corre-corre me dispersa, mudam as posições, são outras cenas. Volto o olhar para o rio e tenho a desconfiança de que o tempo real beira a irrealidade.

Olho de novo o rio...e "rio" desconfiada.

16 de setembro de 2006
Cidade cenográfica - Porto Acre - AC
7° Dia de gravação


De arrepiar, não é?

Beijão!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
16/09/2006

Juca de Oliveira é José de Carvalho




José de Carvalho tem sido constantemente esquecido quando se conta a história do Acre. Era um advogado, funcionário do governo de Manaus, e foi responsável pelo primeiro momento da revolução -mais correto seria dizer- da guerra acreana.Estava no Acre quando os bolivianos chegaram para ocupar a região já ocupada pelos brasileiros. Representando os seringalistas que formaram a Junta Revolucionária, e contando com o apoio irrestrito da população local, ele foi até a récem fundada Puerto Alonso e intimou os bolivianos a se retirarem. Percebendo a desproporçao de forças, as autoridades bolivianas abandonaram o local, e José de Carvalho levantou, ali, a bandeira do Brasil.Voltou para Manaus abatido pela malária e orgulhoso pelo serviço prestado à pátria, mas a recíproca nao era verdadeira: o governo o expulsou do Estado e processou, por crime de lesa pátria.
Aí está ele, interpretado por Juca de Oliveira, a caminho de tomar Puerto Alonso.



e aqui vemos o momento dramático em que a bandeira boliviana é retirada para que seja hasteada a bandeira do
Brasil. José de Carvalho exigiu dos seringueiros que o seguiam um respeitoso silencio.
As fotos são de Joao Miguel Jr
Postado por

Glória Perez

comentários:
13/09/2006

A revolução dos poetas





Toda revolução tem seus "poetas", seus sonhadores! Geralmente eles ficam na mesa
do bar, decidindo os destinos da humanidade. No caso do Acre, foram à luta! Numa daquelas noites feéricas da velha Manaus, um grupo de boêmios e intelectuais nocauteou o único vigia de um navio boliviano ancorado no porto e embarcou nele, disposto a expulsar os bolivianos do Acre . Muita bebida, muitos discursos, muitas poesias recitadas depois, chegaram lá, proclamaram outra vez a República independente, abriram fogo contra Puerto Alonso e foram logo postos para correr, claro! Na debandada, deixaram de presente, para o exército inimigo, o canhão que lhes havia sido dado por Silvério Nery, então governador de Manaus.
A História chamou esse episódio inusitado de "Revolução dos poetas".
Nosso Matheus Nachtergaele é um deles!

Gloria

Um relatório de bordo!



Como nas grandes expedições, a dos poetas, chamada oficialmente de "Floriano Peixoto", também teve um cronista, que criou um diário dos dias de viagem, luta e poesia. Para manter uma aura de mistério, muito propícia aos dias da aventura romântica que viveram, o autor assinou como XYZ.

Bacana, não?

Beijos,

Giovana
Postado por

Glória Perez

comentários:
08/09/2006

Delzuite e o Boto






Diz a lenda que nas noites de lua cheia o boto se transforma num rapaz muito bonito e seduz
donzelas na beira do barranco. Por conta disso, muito pai retira a filha da festa quando chega aquele rapaz que dança como ninguém e atrai o olhar de todas as mulheres: sabe-se lá! pode ser um boto!
Antigamente era muito comum conhecer "filhos de boto"na região do Acre e de toda a Amazônia. Eu mesma conheci vários, registrados em cartório e tudo!
E mesmo nessa época tão moralista, quando era comum que se expulsasse de casa a moça solteira que aparecesse grávida, a seduzida pelo boto continuava respeitável: a culpa não era dela -ninguém pode resistir ao encantado!
Na nossa minissérie, quem vai viver essa história é a Delzuite (Giovana Antonelli)
Vou chamar a Bianca, a Giovana e a Sandra para contarem, nesse tópico, um pouco do que elas ficaram sabendo lá no Acre sobre essa personagem tão importante do folclore local.

Gloria

Ui, o boto!



Como a Gloria disse, o boto surge nas festas quando há lua cheia. Anda sempre muito bem vestido e cheiroso, mas só as mulheres notam. Sempre leva um chapéu na cabeça para esconder o orifício por onde respira na água (e que não desaparece quando ele vira gente).

Dizem que o boto é irresistível, que chegar perto dele é cair na armadilha. E saiu com o boto, já era: pega barriga de menino homem, pq filho de boto é sempre macho.

Olha só que perigo, mulherada!

:-)

Beijos!

Giovana



E dançam, sabiam?

Os botos dançam como ninguém, adoram dançar. Contam por lá que ele tem uma andar arrastado, meio mole, mas que é só soltar a música que ele cai no floreio! E é justamente nessa hora que o boto exala o perfume que en-lou-que-ce as meninas.

Beijão

Sandra




Foi boto, sinhá!



Tajapanema chorou no terreiro
Tajapanema chorou no terreiro
E a virgem morena fugiu pro costeiro
Foi boto sinhá
Foi boto sinhá
Que veio tentá
E a moça levou
E o tal dancará
Aquele doutor
Foi boto sinhá
Foi boto sinhô


Vcs conhecem essa música? É uma composição bem antiga de Waldemar Henrique e Antônio Tavernard. Tajapanema era uma virgem, guardiã da Floresta Amazônica, que mesmo conhecendo os segredos da região, foi seduzida por um boto.
Sebe Bom Meihy, professor da USP, recolheu vários depoimentos dos ribeirinhos sobre o boto e suas malandragens. Em Xapuri, ele escutou a seguinte história:
"Pra mulherada, o boto é o tal: cheiroso, de branco, chapéu... e como é malandro! É como Zé Pelintra, Zé Alves... Gosta de mulher menina, das que são donzelas... comem as outras também, mas só quando não tem mais virgens... A gente está sempre descalço, de alpercata ou de chinelo. O boto não, o sapato dele sempre brilha... O boto anda se arrastando, meio sem jeito. Mas quando o “diabo” dança, quando põe a mão na cintura das moças! É nos volteios que eles arrastam as moças pro cantos dos rio, pelos costados, e lá elas cedem pra eles... Resultado: nove meses depois..."
Um barato, né?
Beijos,
Bianca
Postado por

Glória Perez

comentários:
05/09/2006

Benki Pianko


Como a Gio já disse, mês passado o elenco e a equipe de produção da minissérie se reuniram em um workshop. Durante dois dias, convivemos com acreanos ilustres e anônimos que nos contaram histórias desse lugar mágico chamado Amazônia. Pra mim, um dos momentos mais emocionantes foi quando o índio Benki Pianko abençoou a todos na língua de sua tribo Ashaninka. Benki é uma das lideranças dos Povos da Floresta, que reúne índios, seringueiros e populações ribeirinhas na defesa da apropriação dos recursos naturais de forma consciente e equilibrada, ou seja, sem grande impacto ambiental.
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
05/09/2006

WILKER, o nosso GALVEZ





LUIZ GALVEZ RODRIGUES DE ARIAS, filho de uma família tradicional de Cádiz, formou-se em Ciências Jurídicas e ocupou postos diplomáticos em países da Europa e da América Latina. Culto, requintado, mulherengo, meteu-se em várias encrencas por conta de seu envolvimento com as casadas. Era um amante do jogo e dos cabarets, sabendo-se que gerenciou uma dessas casas, em Manaus.
Aí está ele, indo para o Acre, com a missão de proclamar o Estado Independente. A calma da embarcação é só aparente: GALVEZ levou junto com ele, para a fazer a conquista, uma companhia de zarzuella!



e aqui está Maria Alonso, a prima dona dessa companhia.
Postado por

Glória Perez

comentários:
04/09/2006

O Mapinguari



Vc já ouviu falar no Mapinguari? Ele é um monstro amazônico que aterroriza os seringueiros. Olha só a descrição que o Luís da Câmara Cascudo, folclorista brasileiro, faz do bicho na Geografia dos Mitos Brasileiros (Global Editora, São Paulo, 2002):

O Mapinguari é um macacão grande, maior do que um homem, com cascos virados às avessas, todo coberto de cabelo, invulnerável, exceto no umbigo. A boca é enorme, aberta verticalmente, desde a altura do nariz até perto do umbigo.

Quando o Mapinguari segura um caçador descuidado, prende-o debaixo do braço, mete a cabeça da vítima na imensa bocarra e vai mascando, como quem masca fumo. Só anda de dia, especialmente nos domingos ou nas tardes, perto do anoitecer
.


Ilustração de Eliza Farias, deste site.

Quando fomos entrevistar o Seu Lupércio, um seringueiro que já passou dos 80, tem 26 filhos e muita história pra contar (fez parte do nosso workshop, inclusive), perguntei se ele já tinha visto o Mapinguari.

- Olha, fia, ver eu não vi, não, mas bem que senti o cheiro.

:-)

Beijos!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
02/09/2006

PUERTO ALONSO, PORTO ACRE





a Puerto Alonso fundada pelos bolivianos, quando ocuparam o Acre, tornou-se Porto Acre todas as vezes que os brasileiros voltavam a dominar a região. Aí está ela sendo reconstruída para a minissérie!
Postado por

Glória Perez

comentários:
01/09/2006

Outros Blogs

Como muitos de vcs já sabem, ontem foi Dia do Blog e, reza a etiqueta, a gente deve sugerir outros blogs que consideramos legais. Eu indico dois:
reservasextrativistas.blogspot.com
maryallegretti.blogspot.com
Ambos têm muita coisa sb Chico Mendes e as lutas dos Povos da Floresta. Vale conferir!
Beijo
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
29/08/2006

Acre: com A de Aventura – Episódio II

A República do Galvez foi dissolvida, mas os acreanos não se deram por vencidos. Proclamaram, no ano seguinte, a II República Independente do Acre que acabou sendo derrotada pelos bolivianos. A chapa esquenta em 1901, quando a Bolívia assina um contrato de arrendamento do Acre com um sindicato de capitalistas estrangeiros. Sabe o que os caras desse Bolivian Syndicate queriam? Nada menos que o total controle da região, inclusive militar! Revoltados, os colonos brasileiros resolvem enfrentar os bolivianos e o tal sindicato. Entra em cena o herói gaúcho Plácido de Castro que proclama a III Rep. Independente do Acre. Dessa vez, os brasileiros contaram com o apoio do governo federal – finalmente! Sem condições de resistir, a Bolívia assinou o Tratado de Petrópolis (17/11/1903), abrindo mão de todo o Acre em troca dos territórios brasileiros do Estado do Mato Grosso e do pagamento de 2 milhões de libras esterlinas.
O Acre não custou somente um cavalo, longe disso: muito sangue foi derramado pra que o Acre pudesse ser brasileiro!
Bjs
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
28/08/2006

Dica de leitura



O pai da Gloria, Miguel Jeronymo Ferrante, era escritor além de advogado. É num livro dele, chamado O Seringal, que a parte ficcional da minissérie é baseada, e também em outro chamado Terra Caída, do José Potiguara. São incríveis! Não é muito fácil encontrá-los, mas a Editora Globo vai relançar.

Beijos!
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
27/08/2006

Acre: com A de Aventura


De 1899 a 1903, esse território fincado entre Brasil, Bolívia e Peru protagonizou uma sucessão de episódios incríveis! Vou contar um pouquinho dessa história pra vcs.
Até 1899, o Acre pertenceu oficialmente à Bolívia, mas, na prática, vinha sendo colonizado por brasileiros, especialmente nordestinos. Com o interesse mundial pela borracha, a Bolívia se deu conta de que estava marcando bobeira deixando os brasileiros tomarem conta de uma região rica em látex. Aí começaram os conflitos armados! Entra em cena o espanhol Luiz Galvez, uma figura interessantíssima, que proclama a Primeira República Independente do Acre em 1899. Mas a República do Galvez teve curta duração, pois o governo brasileiro enviou tropas que devolveram o Acre para a Bolívia – dá pra acreditar? Pois é!
Amanhã eu continuo...
Bjs,
Bianca
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
26/08/2006

ESSA É A NOSSA BANDEIRA




Foi criada em 1899 por Luiz Galvez. A estrela solitária representa o Estado Independente do Acre,à espera de unir-se às outras estrelas que integram a constelação da bandeira brasileira.
E dizer que isso só aconteceu em 1962!!!



Decreto de Galvez criando a bandeira do Acre



Art.1. A bandeira adotada pelo Estado Independente do Acre será constituída por dois triângulos retângulos ligados pela hipotenusa: sendo o superior de cor verde e o inferior de cor amarela, tendo este, no vértice superior uma estrela vermelha, segundo o modelo anexo I.
Art. 2. Revogam-seas disposições em contrário.
Casa do Governo provisório da Cidade do Acre
15 de julho de 1899 - Luiz Galvez

OBS. ao decretar outra vez o Estado Independente do Acre,Plácido de Castro inverteu as cores do triângulo.
Postado por

Glória Perez

comentários:
25/08/2006

O encanto das terras acreanas...



Eu estava pensando como poderia mostrar pra vcs o que senti quando conheci o Acre, a magia que tomou conta. Um verso? Uma música? Alguma coisa que eu tenha aprendido por lá (e não foram poucas)? Aí me lembrei dessa foto, tirada num passeio de barco com as meninas lindas e simpáticas que nos ciceronearam e viraram amigas, claro. Acho que a imagem do sol sobre o Rio Acre resume bem o encanto daquelas terras, daqueles enredos e daquela história que queremos compartilhar com vcs.

Beijão!

Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
24/08/2006

BemVindos



Gostaram do NOSSO espaço? Será aqui o nosso ponto de encontro durante a minissérie. Aqui no blog, vcs conhecerão mais de perto o meu trabalho, o da minha equipe de pesquisadoras (Giovana, Bianca e Sandra) e vão ficar por dentro de tudo o que acontecer durante os meses em que Amazônia - de Galvez a Chico Mendes estiver no ar, ocupando um pedaço de suas vidas todas as noites.

Fiquem atentos, comentem, participem.

Um beijão!
Postado por

Glória Perez

comentários:
24/08/2006

Saudações!


Como tantos cariocas, eu sabia muito pouco da história do Acre e da floresta. Galvez, Plácido de Castro, os soldados da borracha ocuparam não mais que três ou quatro linhas dos meus cadernos de escola. É o seu caso tb? Então prepare-se, porque vamos lhe apresentar essas personagens, o Filho do Boto, o Mapinguari, a Mãe da Seringueira e, claro, vamos relembrar nosso Chico Mendes!

Bem-vindos à Amazônia!
Postado por

Bianca Freire Medeiros

comentários:
24/08/2006

Oi, pessoal!



Que legal ter esse espaço pra bater papo com todo mundo!

Bom, eu sou a Giovana, uma paulista que mora no Rio e está perdidamente apaixonada pelo Acre! Fui para lá pela primeira vez em abril: conheci pessoas maravilhosas, histórias fantásticas, tomei tacacá (sabe o que é tacacá? Pois nós vamos contar!), conheci a rua da Gameleira, tomei banho no rio e fui mordida pelo candiru...*risos* . Junto com a Gloria, a Bianca e a Sandra, estou tentando aprender um pouco mais sobre a incrível, e ainda desconhecida, batalha do Acre pra ser brasileiro. Estou adorando e espero poder compartilhar esse aprendizado com vcs.

Nos vemos por aqui.

Beijos, cheiros e afagos.
Postado por

Giovana Manfredi

comentários:
24/08/2006

Bom, minha vez:



Eu sou a Sandra. Como a Bianca e a Giovana, estou adorando conhecer o Acre, sua história e cultura. Já ouvi muito falar do estado por meio da Gloria, acreana das boas, mas ainda não sabia de tantos enredos bacanas e costumes sem iguais. Na minissérie, eu vou cuidar da parte de dança, pesquisando a melhor maneira de mostrar pra vcs como se bailava no seringal, na sociedade amazonense, nas tribos indígenas e onde mais houvesse música. Espero que vcs gostem, pq eu estou amando.

Um beijo bem grande e até logo!
Postado por

Sandra Regina

comentários: