Glória Perez, autora da minissérie, e as pesquisadoras Bianca Freire-Medeiros, Giovana Manfredi e Sandra Regina convidam você a dar um mergulho ainda mais profundo no universo da trama!
06/04/2007
MISSÃO COMPRIDA E CUMPRIDAChegamos ao último capítulo! valeu a exaustão de sair diretamente de "América" para mergulhar em "Amazonia". A minissérie incluiu na História do Brasil uma página que não havia ainda sido contada. Hoje todo mundo pode dizer que já ouviu falar de José de Carvalho, Galvez, Plácido de Castro, nomes que a história oficial não registrou, tem idéia do que tenham sido os coroneis da borracha e do fausto que os cercavam, tem idéia do que seja um seringueiro, do que era a vida nos seringais e, por tudo isso, pode compreender bem mais a dimensão de Chico Mendes. A proposta foi contar os três momentos mais importantes da saga acreana. Galvez, o momento dos aventureiros, Plácido de Castro, o momento heróico, Chico Mendes o trágico. E aí está. Hoje me despeço de vocês imensamente feliz com o resultado. E desejando que Amazonia tenha sido um ponto de partida para a conscientizaçao dos brasileiros: é preciso acordar para defender esse patrimônio que é nossa floresta, antes que seja tarde!
03/04/2007
3º Fase!Pessoal, hj começa a 3º fase da minissérie! Está Tudo tão lindo... Fiquem atentos! Beijos.
27/03/2007
Convidados Especiais Numa Cena EspecialOlá! Ontem nós gravamos as cenas do enterro de Chico Mendes. Foi emocionante. Para deixar tudo ainda mais perfeito, tivemos a presença de convidados muitos queridos: a Cora Rónai, o Zuenir Ventura, a Mary Akiersztein e o Élson Martins, que está trabalhando conosco nesta última fase como consultor. Eles fizeram parte da figuração, estavam no cortejo. Primeiro, a caracterização: A Mary na maquiagem. E fazendo o cabelo (Mary vai me matar por colocar essa foto! :-)) Olha a Cora! E aqui com seus óculos anos 80! O Zuenir também teve que se maquiar. Uma foto do Zuenir e do Élson Martins. Eles dizem que têm várias juntas, nos mais variados lugares. Aí está mais uma para a coleção. Depois de prontos, fomos assistir ao trecho de um vídeo que mostrava uma missa na floresta realizada dias antes da morte do Chico. O Marquinhos sempre faz isso: debate a cena antes dela acontecer. Fica tudo muito mais rico: E aqui já prontos para gravar: Bacana, né? Beijos.
23/03/2007
Silvia Buarque é Mary AlegrettiMary é antropóloga, foi para o Acre fazer uma tese sobre seringais e acabou se tornando participante ativa na luta dos seringueiros. Foi ela que abriu os caminhos no exterior para Chico Mendes. Além disso, participou com ele da realização do projeto seringueiro, que incluía o levantamento de escolas nos seringais e a formação de uma cooperativa, para que os homens da floresta pudessem ter domínio sobre a comercialização do que produziam.
21/03/2007
Nossa Equipe!Olá, pessoal! Querem conhecer o pessoal da nossa equipe que estava no Acre? Olha aí: Tatiana Diana Luiz, Sídia, César e Carol di Deus, o pessoal da produção no Acre. Roger, Cláudio, Alexandre, Waldeck e Hélio. Rodrigo Mário Jorge e Karen Pedro Vasconcellos Carlinhos, Sandro, Carol di Deus (escondidinha), Janete, Lícia, Zuleica, Barba e Rubens. Mirica Ricardo, Aléxis e Walquíria. Odir, Renato, Antônio, Jorge, João Miguel (olha o nosso fotógrafo saindo na foto!!!) e Altino. Carolzinha Bandeira E não estão todos aí, nossa galera era ainda maior! Esse foi nosso último jantar em terras acreanas, lá no AFA Bistrô (menos as fotos da Mirica, do Pedrinho e da Carol Bandeira, que foram feitas no set). Beijos!
21/03/2007
Hoje: Mestre IrineuMestre Irineu Serra, o fundador da religiao da floresta, chega hoje à minissérie, interpretado pelo Miltom Gonçalves
19/03/2007
Enquanto isso, no Rio.Dalva de Oliveira (interpretada pela Sylvia Massari) inaugurou a Rádio Difusora Acreana, DYZ9 - A Voz da Selva. Estavam presentes os filhos, Pery e Billi, e a Lucinha Araujo, representando as amigas daquela deusa de nossa MPB. Na foto abaixo, Dalva e Teresa Seiblitz, que faz a mulher do governador, com o diretor Milani. Confiram aqui: ![]()
19/03/2007
Mais Fotos da Viagem!Ângela e Elenira Cora Rónai Jorge Viana, Cora Rónai, Angela Mendes e Glória no jantar de despedida Lima Duarte (nosso Bento na 3º fase) e a Cora Nilson (primo do Chico Mendes), Cássio e nosso diretor Pedro Vasconcellos ensaiando o corte da seringueira. Cássio Gabus e Vanessa Giácomo (caracterizados como Chico Mendes e Ilzamar Mendes) Uma pausa para o café... Gravando!
19/03/2007
A viagem – parte IV!!!Na terça-feira da semana passada, gravamos algumas cenas do empate no *Seringal Cachoeira. Como seriam as últimas produzidas no Acre, queríamos fazer uma homenagem àqueles que nos ajudaram e principalmente aos amigos, filhos e companheiros de luta de Chico Mendes. Nossa figuração, nesse dia, foi ainda mais especial: Dona Cecília, tia do Chico, com a Vanessa Giácomo. Filhos, amigos e companheiros de luta de Chico, entre eles Júlia Feitosa e Raimunda Bezerra. Essa (no centro) é a Ângela, filha mais velha do Chico Mendes, devidamente paramentada para a cena. Olha aí o Sandino e a Elenira, filhos do Chico Mendes, também caracterizados! Aí a bela Walquíria Raizer, poeta acreana. E o Dr. Raiz e a Janete. *O Seringal Cachoeira foi palco do empate de maior repercussão organizado por Chico Mendes e seus companheiros. A área havia sido comprada pelo fazendeiro Darly Alves da Silva, mas foi desapropriada pelo governo. A partir desse momento, intensificaram-se as ameaças de morte. Chico foi assassinado no mesmo ano. A região é, hoje, área de proteção ambiental. Lá funciona o Assentamento Agroextrativista Chico Mendes.
18/03/2007
Lançamento dos livros Seringal e Terra Caída!![]() Esperamos vcs!
16/03/2007
A viagem, parte III!Na segunda pela manhã, fomos dar uma olhada na cidade (Rio Branco). O Danúbio (Dandan para os íntimos :-)) nos acompanhou. Rio Acre Fundação Elias Mansur Foto que está exposta na Tentamen, o primeiro clube social de Rio Branco Estátua do poeta Juvenal Antunes Demos uma volta também pelas barracas de comércio popular. A Cora fez fotos ótimas. Estas camisetas com o nome da minissérie são uma verdadeira febre por lá, a gente encontra em todo canto. Olha aí a Neiva Rodrigues vestindo uma! Depois voltamos para o hotel para fazer as malas. Era hora de pegar a estrada e seguir para Brasiléia, de onde sairíamos, na manhã seguinte, para acompanhar as gravações no seringal Cachoeira. Estas são fotos que fiz no trajeto Rio Branco - Brasiléia. Daqui a pouco eu conto sobre as gravações. Já adianto que tivemos participações especiais: os filhos do Chico, Ângela, Elenira e Sandino, fizeram figuração nas cenas, bem como companheiros de luta, como a Júlia Feitosa e a Raimunda Bezerra. Aguardem! Beijos.
16/03/2007
O Acre através dos olhos da Cora!Olha só a coluna da Cora que foi publicada ontem no jornal O Globo! Paixão à primeira vista Cidades limpas e cuidadas, casinhas humildes mas tinindo de arrumadas: sorria, você está no Acre Hoje de tarde fui à Bolívia, que fica logo ali. Encontrei Lima Duarte e Cássio Gabus Mendes bebendo umas Paceñas no boteco da esquina, enquanto, na praça em frente, centenas de maritacas fofocavam antes de se recolherem às palmeiras onde dormem. Conversamos e rimos muito; na volta, parei na beira do rio para me despedir de três jovens capivaras que avistei ontem. Não, não estou de pileque. Estou na cidade de Brasiléia, a poucos quilômetros de Xapuri. Vim de enxerida, ver as gravações da segunda fase de "Amazônia", a fantástica minissérie de Glória Perez -- e estou totalmente apaixonada pelo Acre. A exuberância da natureza na Região Norte nunca deixa de me surpreender, mas no Acre há bem mais do que isso -- há um amor pela terra que se manifesta nas centenas de bandeiras do estado que tremulam em mastros oficiais, que se mostram nas lojas e nas casas, e que percorrem as ruas como adesivos de automóveis, motos e bicicletas. Isso quando não vão coladas ao próprio peito dos acreanos, como estampas de camisetas. Em nenhum outro lugar do mundo, nem mesmo na Nova York dos tempos da campanha "I love New York", vi tanta gente usando camisetas com símbolos locais. Faz um bem danado à alma da gente ver isso. Depois há, por toda parte, paredes pintadas nas cores mais alegres. No começo achei que isso fosse coisa da capital, privilegiada por administrações de matar qualquer carioca de inveja; mas não. Percorrendo os mais de 200 quilômetros que levam de Rio Branco à fronteira com a Bolívia, onde quer que se pare há uma janela vermelha, uma porta azul, uma fachada verde. Esse gosto pelo colorido se vê igualmente nas roupas estendidas para secar. Qualquer varal humilde perdido pelo interior parece adereço cenográfico. Isso, aliás, criou um interessante paradoxo para a equipe que faz "Amazônia", e que acabou deixando de lado muitas locações importantes, porque pareceriam bonitas demais, limpas demais para serem verdadeiras. O grau de limpeza surpreende, mesmo. Em Rio Branco, cheguei a pensar que as ruas tão bem tratadas fossem apenas o resultado de um esforço ocasional para transmitir uma boa imagem, aproveitando a visibilidade proporcionada pela minissérie; mas em Brasiléia e em Epitaciolandia, onde encontra-se a equipe da Globo, há cuidado igual com os espaços públicos. As cidades não são ricas, em alguns lugares o asfalto está esburacado por causa das chuvas, mas quase não se vê lixo nas ruas ou pichações nas paredes. Confesso que, diante dessa pobreza digna e asseada, me envergonhei pelo estado lastimável em que se encontra o Rio. Como todo carioca, estou cansada de saber que não há turista americano ou europeu que não fique chocado diante de tanta sujeira e falta de manutenção; agora sei, por constatação própria, que, neste quesito, fazemos feio também diante dos acreanos. * * * Percorrer este interior, que o pessoal gosta de definir como "Brasil profundo", sempre me comove. Entra-se em outra dimensão do tempo, num mundo mais simples, menos consumista, mais apegado aos valores da terra. Vejo as casinhas modestas de madeira, de um ou dois cômodos, limpas e aconchegantes, onde as pessoas vivem com tão pouco, e me assusta o contraste com as cidades grandes, onde cada vez juntamos mais coisas inúteis à nossa volta. É claro que há também o reverso da medalha. Tenho uma tendência natural a buscar o lado bom do que me cerca, mas é impossível ignorar a devastação pela qual passou este estado ao sobrevoá-o, ou a atravessar quilômetros e quilômetros de pastos e mais pastos. A paisagem é linda e bucólica, com certeza -- mas ali, onde pasta o gado, houve, um dia, uma floresta inteira que veio abaixo. Isso corta o coração. Passeando por Rio Branco de bicicleta com Jorge Viana, ex-prefeito e ex-governador, também era impossível ignorar a presença ultra-discreta dos guarda-costas, que não estavam lá como símbolos de um eventual poder, mas como necessidade fundamental de sobrevivência de um homem que teve coragem de desafiar os bandidos que controlavam a região. Quem lê jornal sabe que este é um lugar onde as desavenças continuam a ser resolvidas a bala. * * * O Acre não é um destino turístico como Manaus ou Belém, mas deveria ser. Não tem teatros mirabolantes plantados na selva (quase não tem mais selva, a bem da verdade) mas, entre seus defeitos e qualidades, entre as tragédias do passado e o gigantesco esforço de recuperação da auto-estima do presente, reúne uma quantidade única de lições de Brasil. Cheguei há três dias, vou embora logo, mas tenho, desde já, duas certezas: a de que esta foi uma das mais extraordinárias viagens da minha vida, e a de que este é um recanto do meu país que levarei para sempre no coração. (O Globo, Segundo Caderno, 15.3.2007) ![]() :-) *PS: a foto tb é da Cora e foi publicada no jornal.
14/03/2007
Mais sobre a viagem!!!Olá, blogueiros! Antes de mais nada, desculpem a demora. Há um montão de fotos aqui para vcs verem, mas vamos aos poucos :-). Só para lembrar, a Cora tb está fazendo um registro da nossa viagem lá no blog dela. Eu recomendo!!! Bom, pra começar preciso apresentar o Fernando para vcs! É ele quem sempre trabalha conosco quando estamos no Acre, nos levando pra lá e pra cá. ![]() Olha o Fernandão aí, geeeente! Feitas as devidas apresentações, vamos voltar ao relato da viagem... ...no sábado à tarde, acompanhamos a gravação no Alto Santo. Foi uma cerimônia linda, emocionante mesmo. Aliás, precisamos agradecer muito a generosidade de todos que fazem parte da comunidade do Alto Santo e em especial à Madrinha Peregrina, que nos ajudou em todo o processo, da criação à gravação das cenas: ![]() Madrinha Peregrina e Lima Duarte (o Bento na 3º fase da minissérie) No domingo pela manhã, vimos as gravações do Jabuti-Bumba, criado pela família Farias: ![]() ![]() Foi um barato! A apresentação foi na Rua da Gameleira, que é super charmosa. Muitos amigos nossos aqui de Rio Branco participaram como figurantes, uma maneira que encontramos de homenagear quem sempre nos recebe tão bem. ![]() Marquinhos, Jussara, Fabíola, Nena e Glória ![]() Danúbio, Dani, Walquíria, eu (olha eu aí!!! :-)) e Leudes. Depois, fizemos uma passeio pelas ruas próximas e fomos ver a Gameleira, essa árvore imensa aí na foto: ![]() E a Cora, claro, fez amizade com a gatinha que fica no bar do Glacil (um sobrinho-neto do Potyguara, autor do livro Terra Caída que, como vcs sabem,é um dos dois nos quais são baseadas as cenas ficcionais da minissérie. O outro é O Seringal, do Miguel Ferrante). Cora e a gatinha. ![]() Glória e Glacil (olha a camiseta dele! O modelo é uma verdadeira febre por aqui!) E a noite foi caindo, hora de arrumar as coisas e pegar o avião de volta para o Rio. Antes, um jantar no Café do Teatro: Marquinhos, Jorge Viana, Dolores, Cora e Glória no Café do Teatro. O Marquinhos e a Glória pegaram o avião às 2 da manhã de segunda, bem na madrugada!!! Eu e a Cora ainda estamos aqui e fizemos outras muitas fotos. Olhem lá no espaço dela e aguardem que logo, logo tem mais por aqui. Beijão,
11/03/2007
EXTRA!EXTRA!EXTRA!A super querida, simpática e competente jornalista Cora Rónai, que edita o caderno Info Etc do jornal O Globo, onde também tem uma coluna, e mantém um dos blogs mais bacanas da blogsfera está aqui conosco! Chegou ontem e já está contando suas aventuras em terras acreanas lá no espaço dela. Vejam, vejam!!! É só clicar aqui. Para nós todos da equipe é uma honra recebê-la!
10/03/2007
Diário de ViagemOlá! Estamos no Acre! :-) Gravaremos estes dias (até quarta-feira) as cenas da 3º fase da minissérie. Hoje vamos ao Alto Santo filmar a cerimônia do Daime. Vou mostrar algumas fotos das nossas atividades aqui, uma espécie de diário de viagem. Saímos do Rio na quinta-feira. Olha aí o Marquinhos e a Glória no avião! No dia seguinte, tomamos café da manhã com a Ilzamar Mendes, viúva do Chico Mendes, que conheceu a atriz Vanessa Giácomo, que vai representá-la, e o Cássio Gabus, que fará o Chico. O papo foi ótimo! A Glória e o Marcos Schchetman também estavam presentes. Vanessa Giácomo, Ilzamar Mendes e Cássio Gabus Mais tarde, a Glória aproveitou o tempo livre para visitar amigos aqui de Rio Branco. Fomos até a casa da Maria Martins: Na foto: Lucas, Isadora, Clívia, Teresinha (que é afilhada da Glória), Glória, Maria Martins, Moisés e Fernanda. Depois fomos visitar a Clarisse Fecuri, que estudou com a Dona Augusta, mãe da Glória. Dona Clarisse e Glória. De noite, fomos a um jantar super bacana! Toda a nossa produção estava presente, assim como o Binho, governador do Acre, e Jorge Viana, ex-governador. Vimos o capítulo de ontem juntos. Binho e Vanessa Giácomo. Glória com os garçons da festa, Rosevaldo Souza e Adelson Amâncio. Olha só a camiseta deles!!! Mais tarde posto mais fotos das nossas atividades aqui. Espero que esse nosso diário de viagem faça com que vcs se sintam aqui conosco! Um beijão!!!
07/03/2007
Chico Mendes"Há alguns anos, com certeza mais de dez, ainda me lembro muito bem, porque daí já se prenunciavam os acontecimentos de hoje, um amigo chegou meio esbaforido e de semblante preocupado; LÍDER SINDICAL MORTO EM TOCAIA, a manchete em letras bem destacadas causou-me um enorme impacto, mas coração de filha não se engana; claro que eu me assustei, mas foi meio rápido, como um raio, um aviso, ou quem sabe o quê, no instante seguinte, antes mesmo de ler a matéria, eu sabia que não era ele, meu coração disse: “calma, não é ele...” era Ivair Higino (dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, morto em 17 de junho de 1988, apenas alguns meses antes do assassinato de Chico Mendes). Esse fato com certeza marcou-me demais porque nesse momento um sinal de alerta ficou instalado em mim. (...) A triste notícia tentou chegar até mim da forma mais branda possível, mas como reagir brandamente à perda de um pai, de um amigo, quando o coração está dilacerado de dor? Quando amamos muito uma pessoa, nunca pensamos que podemos perdê-la um dia, e quando a perdemos, no meu caso específico, fica a triste sensação de não poder recuperar o tempo que foi perdido com a separação, de não poder dizer-lhe pela última vez o quanto o amava. A saudade é companheira, com o tempo ela se torna amigável, e Deus em todos os momentos nos acompanha e eu devo a ele o consolo e a certeza de saber que meu querido pai está ao seu lado, que alcançou a paz e o descanso nos braços de Deus, o bondoso pai de todos nós." Depoimento de Ângela Mendes, filha mais velha de Chico Mendes, sobre a morte do pai. *o depoimento de Ângela, cujo trecho reproduzi acima, pode ser encontrado na íntegra no site do Cômite Chico Mendes. Eu o recolhi no CD-ROM 10 Anos Sem Chico Mendes, publicado pela mesma organização. Foto do enterro de Chico Mendes (Pilly Coweel, copyright: Adrian Cowell)
05/03/2007
A BATALHA DE VOLTA DA EMPRESA E A HEROÍNA ANGELINA GONÇALVESmorreram muitos brasileiros nessa dramática batalha de Volta da Empresa. Ao saber que o exército boliviano estava a caminho, Plácido resolveu antecipar-se e esperar sua passagem num local ideal para emboscada: Volta da Empresa. Nao contava, porém, com a traição do Antonio Portugues, o padeiro que guiou o exército boliviano, fazendo com ele chegasse antes dos brasileiros ao local da emboscada. A cena vivida pela nossa Angelina é histórica: Angelina Gonçalves era uma seringueira que teve o marido morto pelos soldados bolivianos que festejavam a emboscada de Volta de Empresa.Desesperada, pegou a espingarda do morto e disparou contra os soldados, mas acertou o comandante da tropa: ROSENDO ROJAS, que diante dos soldados enfurecidos que queriam fuzilar Angelina, mandou que a soltassem, dizendo que mulheres assim nao se mata!
02/03/2007
MatintapereiraOlá, blogueiros! No capítulo de ontem, o Bastião (jackson Antunes) e o Bento (Thiago Oliveira) ouviram a Matintapereira. Vc sabe quem é ela? Olha só o que diz o Dicionário do Folclore Brasileiro, do Câmara Cascudo: Matintapereira, Mati, Matitaperê, Matinta Pereira é o nome de uma pequena coruja considerada agourenta. Quando, a horas mortas da noite, ouvem cantar Matitaperê, quem o ouve logo diz: “Matinta, amanhã podes vir buscar tabaco”. (...) segundo a crença indígena, os feiticeiros e pajés se transformam nesse pássaro para se transportarem de um lugar para outro e exercer suas vinganças. Outros acreditam que o Mati (...) é um velho ou uma velha de uma perna só, que anda aos pulos. Beijos!
01/03/2007
2º fase da minissérieNós já estamos gravando a 2º fase da minissérie!!! Olha aí um relato histórico desta parte da nossa história (é um pouco longo, mas tem muitas informações bacanas!): A Amazônia viveu um segundo ciclo da borracha durante a 2º guerra mundial. A Malásia, que tomou o lugar do Brasil como principal produtora de borracha do mundo, estava agora sob controle dos japoneses, o que provocou uma queda de 97% de sua produção. As Forças Aliadas (EUA, Inglaterra, França) necessitavam da borracha para o material bélico e, assim, o governo brasileiro, que apoiava o grupo desde 1943, fez um acordo com o governo americano, os acordos de Washington, que desencadeou uma operação de larga escala para extração de látex. O objetivo era aumentar a produção brasileira de 18 mil para 45 mil toneladas. Os seringais estavam abandonados e o governo Getúlio Vargas realizou uma mobilização nacional para arregimentar homens para o trabalho na Amazônia, a chamada "Batalha da Borracha". O Nordeste vivia uma de suas piores secas e foi de lá que saiu a maior parte dos "soldados da borracha”, 54 mil trabalhadores. O alistamento era feito pelo SEMTA – Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia, órgão criado pelo Estado Novo. A região novamente experimentou a sensação de riqueza e de pujança que vemos na 1º fase da minissérie. O dinheiro voltou a circular em Manaus, em Belém, em cidades e povoados vizinhos e a economia regional fortaleceu-se. Contudo, o crescimento da produção de borracha na Amazônia nesse período foi infinitamente menor do que o esperado. Tão logo a guerra chegou ao fim, em 1945, os EUA se apressaram em cancelar todos os acordos referentes à produção de borracha amazônica. O acesso às regiões produtoras do sudeste Asiático se achava novamente aberto e o mercado internacional logo se normalizaria. Os trabalhadores enviados, mais uma vez, sofreram as conseqüências disso. A aposentadoria como soldado da borracha, por exemplo, só foi regularizada na Constituição de 1988. Chico Mendes nasceu no final deste processo, em 1944. Mas isso já é papo para a 3º fase... Para escrever este post, usei o excelente material que o pessoal da produção de arte, coordenados pela Ana Maria Magalhães, fez no início dos nossos trabalhos.
28/02/2007
O uirapuru verdadeiro
Dalgas nos manda a fotografia do uirapuru verdadeiro, que só existe no Acre. Vejam que beleza:
27/02/2007
Vida de SeringueiroTerra que meu pai criou-se Terra que meu pai nasceu Um bravo trabalhador que aqui mesmo morreu Também falo a meu amigos para não ser só eu que digo O dono daqui sou eu O dono daqui sou eu Meu lugar, meu paradeiro porque sempre vou levando a vida de seringueiro Esta vida foi herança que meu velho pai deixou Glória a Deus e à seringa porque foi quem me criou Porque foi quem me criou quero lhe dar bom exemplo Meu pai fazia borracha pra me trazer o sustento Pra me trazer o sustento do que a borracha comprava Mais parte de alimento assim meu pai arranjava Me lembro carne de caça de quando meu pai caçava também uns peixes do rio de quando meu pai pescava Foi assim que me criei muito longe da riqueza Pobre por não possuir bens Mais rico de natureza... Raimundo Caboré, 12/01/1995
23/02/2007
Hélio MeloHélio Melo foi escritor, pintor e músico. Nasceu e cresceu no seringal e fez da mata seu ofício, já que era seringueiro, e sua arte. Contador de “causos”, escreveu livros, mas o que mais fazia era pintar quadros de traço simples - e extrema poesia – sobre a vida dos povos da floresta. Para isso, usava uma tinta extraída do sumo de plantas. Também tocava violino. Em 2006, sua obra foi reconhecida e reverenciada na 27º Bienal de São Paulo. "O Caçador Marupiara É chamado o caçador murupiara aquele homem de sorte em suas caçadas que, além de profissional, conhece os mistérios da caça. O marupiara, quando anda na mata e vê muitos vestígios de caça grande, não atira em caça miúda para não espantar as maiores. A caça grande é a anta, o caititu, o veado e outros. A caça miúda, ou seja, a embiara, é o nambu, o jacu, a cotia e assim por diante (...)” Do livro As Experiências do Caçador – do seringueiro para o seringueiro, de Hélio Melo. Beijão pra vcs!
14/02/2007
Amazônia Para Sempre!A Floresta Amazônica, esse nosso patrimônio tão rico em biodiversidade e enredo de histórias fantásticas, está ameaçada. Por isso, três atores da minissérie, Christiane Torloni, Victor Fasano e Juca de Oliveira, estão encabeçando um movimento que visa recolher assinaturas do maior número de pessoas para alertar nossas autoridades sobre a necessidade de preservação das nossas matas. Diz o documento: “A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. Assim, deve-se implementar em níveis Federal, Estadual e Municipal a interrupção imediata do desmatamento da Floresta Amazônica” Assine. Sua participação tb é muito importante. ![]()
09/02/2007
Há exatos 104 anosEm 09 de fevereiro de 1903 o Barão do Rio Branco escreveu um ultimatum definitivo endereçado aos bolivianos. O documento definia como litigioso o território localizado entre o paralelo 10.20' e a linha Madre de Díos-Javary e determinava sua ocupação pelo exército. Alegando que os brasileiros estavam defendendo o território face a um possível ataque estrangeiro, exigia a retirada da aduana de Porto Acre para o sul do mesmo paralelo. Este ultimatum teria como desfecho a assinatura, em 17 de novembro de 1903, do famoso Tratado de Petrópolis.
08/02/2007
Workshop da 2º faseOi, pessoal. Na segunda e na terça-feira, dias 05 e 06 de fevereiro, nós participamos do workshop preparatório para a 2º fase da minissérie, que começa a ser gravada agora. Todos os que estão envolvidos nesta parte da trama estavam presentes: Glória e Marquinhos, o pessoal da produção e os atores. Nossos convidados falaram sobre temas que serão abordados nos capítulos e nós aprendemos um pouco mais sobre o encanto, a magia e as dores da história do Acre, construída com muito suor e luta. Nas fotos abaixo, nossos convidados: Marcos Vinicius Neves, historiador e presidente da Fundação Garibaldi Brasil, que falou sobre a história do Acre. Raimundo Mendes, o Raimundão, vice-presidente da FETACRE - Federação dos Trabalhadores do Acre, contou sobre seu cotidiano como seringueiro e da relação muito íntima que o trabalhador rural desenvolve com a mata. Raimundão é primo de Chico Mendes e estava ao lado dele nas lutas pela organização sindical. Toinho Alves, jornalista e editor do blog O Espírito da Coisa, que contou sobre o Daime. Marcos Schechtman, nosso diretor. Karla Martins, atriz, que falou dos encantos da floresta. Aldenor da Costa, seringueiro que é nosso super-consultor, falou sobre o dia-a-dia no seringal. Océlio de Medeiros, advogado e escritor, cheio de boas histórias para nos contar , falou da vida nos seringais, da luta pela legalização do Daime e do cotidiano de Rio Branco na década de 40. Armando Nogueira, jornalista nascido em Xapuri, nos apresentou o poeta Juvenal Antunes, que será representado pelo Diogo Vilela.
05/02/2007
A MarujadaComandante: - Seu Mestre, mande preparar o navio para sairmos do ancoradouro! Mestre: - Gente, chegue à proa, alabraçe os cabos, feche o portolore. Largue tudo! Todos: - Larga! Comandante: Imediato, veja se está em bom tempo para seguirmos viagem! É assim que começa a Marujada, um auto que tem o mesmo nome do norte ao sul do país e traz no enredo o dia de uma embarcação a vapor, com direito a rebelião de subordinados e tudo (há um comandante, um imediato, oficiais, marinheiros etc)! Quem me contou foi o Seu Aldenor, um seringueiro de 64 anos que está nos ensinando muitas coisas da vida na floresta. Ele aprendeu a brincar a Marujada com um senhor chamado Osvaldo Galego quando ainda era um menino em Cruzeiro do Sul, município do Acre. Hoje, ele comanda o Brigue (Navio) Esperança, um grupo de Rio Branco que mantém a tradição e, assim, perpetua a cultura popular. Claro que teremos isso tudo em Amazônia. Vcs vão adorar! Olha aí o Seu Aldenor no comando do Brigue Esperança! A Marujada. Beijão!
03/02/2007
selos de Plácido de Castroo Jornalista Silvestre Gorgulho, secretário de cultura do DF e diretor da Folha Meio Ambiente, nos manda os selos que homenagearam Plácido de Castro quando de seu centenário. E conta: A diretora de Filatelia dos Correios, Laís Scuotto, informou que os selos foram produzidos para o centenário do nascimento de Plácido de Castro. Os tais selos motivaram o governo da Bolívia a mandar uma carta ao Itamaraty exigindo que fossem retirados de circulação. Brasileiramente, o Itamaraty o fez, mas somente depois que o selo já havia circulado bastante. ![]() ![]()
03/02/2007
os soldados de Plácido de Castro![]() ![]() A Leninha, filha do dr Clovis Maia, dentista conhecido e muito querido do velho Acre, manda pra nós essas fotografias preciosas que encontrou nos alfarrábios deixados pelo seu pai. São fotos da década de 60. Nelas podemos ver alguns remanescentes da revolução acreana, soldados que lutaram ao lado de Plácido de Castro pela conquista do Acre!
26/01/2007
SimpatiasA herança folclórica de um povo é essencial para a compreensão dos mitos e ritos de cada cultura, e as festas juninas, no Brasil, além de cumprirem essa função no enredo da história humana, demonstram os laços de afeto do nosso povo. Quer um exemplo? Sabia que existem parentes de fogueira? Assim: vc escolhe um amigo de quem quer se aparentar, faz a promessa e cruza a fogueira. Pronto! Laços mais do que fortes os unem a partir de então. Muitas simpatias são feitas nos dias de Santo Antônio (13 de junho) e São João (24 de junho). Eu e a Karla Martins, que além de atriz da minissérie é nossa consultora, selecionamos duas delas para mostrar pra vcs. Isso é coisa de Dona Maria Ninfa e de Dona Filó! Para Conhecer o Futuro Marido Compre uma imagem novinha de Santo Antônio. À meia-noite do dia 12 de junho, vá para a frente da fogueira, pegue o Santo Antonio com as duas mãos e diga: “meu Santo Antônio, vou lhe guardar e lhe botar escondido. Mostrai para mim o homem que me tá prometido”. Pegue a imagem e coloque no fundo do armário. Em 7 dias vc conhecerá seu futuro marido. Aí, mais do que depressa (para o Santo não ficar bravo e desistir de dar força ao noivado), pegue a imagem que estava presa, agradeça e acenda uma vela. Para Conhecer o Futuro Compre uma bacia de alumínio virgem e pegue um ovo que a galinha tenha botado naquele mesmo dia. Coloque água na bacia (o suficiente para que ela fique pela metade). Às 6 horas da tarde do dia 23 de junho, coloque a bacia no sereno, num lugar onde ninguém mexa. À meia-noite, pegue o ovo, quebre na beira da bacia e jogue na água. Na manhã seguinte, veja qual o desenho que se formou: se lembrar um navio será uma viagem, se aparecer um rosto virá um casamento, se aparecer uma cruz...ai, cuidado. :-) Beijão.
26/01/2007
ANGELINA GONÇALVES, uma heroína da guerra do Acre![]() o quadro é do pintor Rivas Plata ANGELINA foi a brava mulher de um seringueiro. Depois da batalha de Empreza (assim com z mesmo), a tropa boliviana, passando pela casa onde morava, matou seu marido. ANGELINA virou leoa: armada de uma espingarda investiu sozinha contra a tropa e, mirando os soldados que a deixaram viúva, acertou o comandante ROJAS. Enfurecidos, os soldados a arrastaram até o comandante, que se medicava dos ferimentos, gritando para justiça-la ali mesmo. ROJAS tem um gesto nobre e cavalheiresco, que ficou registrado nos anais dessa guerra sangrenta. - Soltai-a! mulheres assim nao se mata! Se Castro tiver em seu exercito dez mulheres iguais a essa, conquista a Bolívia! A passagem será vivida na minissérie pela nossa Angelina.
21/01/2007
As últimas palavras de GalvezDepois de uma vida tumultuada e repleta de aventuras, Luiz Galvez morreu em 1935 na Espanha. Suas últimas palavras têm algo de profético: “Essa era a calamidade que eu ambicionava evitar para a América Latina (...) Hoje, os Estados Unidos já têm, pois, uma mão sobre o coração da América do Sul, assim como têm a outra sobre o da América Central. Porém isso não se vê... e quando se veja, será tarde”. Curiosamente, a epopéia de Galvez deixou um impensável legado: entre as conquistas do Estado Livre do Acre está a de ter emitido seus próprios selos. Hoje em dia, restaram apenas seis destes selos, que estão entre os mais valorizados pelos aficionados da filatelia.
17/01/2007
A Expedição dos PoetasCom a ajuda oculta do governador Silvério Néri, e depois da saga heróica de Galvez, um grupo de intelectuais de Manaus imaginou uma expedição para, mais uma vez, tomar posse do território acreano. Eram poetas, boêmios, sonhadores que se encontravam nos cafés, nos hotéis e casas de divertimento onde se reunia a mocidade da capital. Para dar um tom sério à empreitada, batizaram-na com gala: E trataram logo de emprestar um sentido militar e cívico, como convinha à glória da campanha e nos altos intuitos da causa: Expedição Floriano Peixoto. (1) ...mas ela ficou conhecida como Expedição dos Poetas porque... A idéia empolgou a imaginação romântica dos conspiradores. Cada um deles sentia-se um Lord Byron, defendendo a liberdade de um país espoliado. Os bolivianos seriam os turcos, escravizando o Acre – a Grécia da cultura clássica, pela qual o autor de Don Juan sacrificou a vida. (2)Partiram no dia 16 de novembro a bordo do Solimões, um gaiola (navio) obsoleto alugado por onze contos de réis. Tinham também um pequeno canhão (que mais prejudicou do que ajudou os revolucionários). Sem conhecimento militar, os poetas fracassaram, o que parecia evidente desde o princípio. Mas há, claro, a beleza sem igual de terem lutado: Com relação a esta expedição, é justo que se reconheça: se aos seus membros faltavam disciplina e instrução militares, sobravam amor à causa e desprendimento pessoal. (3)Beijão pra vcs. Estava com saudades! (1) TOCANTINS, Leandro. Formação Histórica do Acre. 4º edição. Brasília. Editora Senado Federal. 2001. Vol. 1, p. 487 (2) TOCANTINS, Leandro. Formação Histórica do Acre. 4º edição. Brasília. Editora Senado Federal. 2001. Vol. 1, p. 487 (3) ESTADO - MAIOR DO EXÉRCITO. História do Exército Brasileiro. Brasília. Serviço Gráfico da Fundação IBGE. 1972. Vol. 2, p. 754.
15/01/2007
"Vítimas de um mal governo e de suas ilusões"Em 1945, o jornal A Província do Pará calculava que, dos 50 mil homens que haviam migrado para a Amazônia na qualidade de soldados da borracha, haviam morrido 23 mil "sem pão, sem cuidados médicos, sem possibilidade de lutar contra a febre, a avitaminose ou parasitas. Cairam nessas selvas longínquas, vítimas de um mal governo e de suas ilusões". Em tom semelhante, o Jornal do Acre, do dia 11 de setembro do mesmo ano, referia-se aos soldados da borracha como "pobres diabos sacrificados na luta das vaidades e ambições". E concluía: "É uma pena que no Brasil não haja castigos para esse tipo de crimes. Todo mundo se queixa mas nada muda porque os mortos, mortos estão". É da sina destes injustiçados soldados que a nossa minissérie vai tratar em sua segunda fase. Aguardem! Abraços, Bianca
12/01/2007
o uirapuru verdadeiroO canto do verdadeiro uirapuru só se pode escutar nas matas acreanas. Foi lá, às margens do rio Acre, que o pesquisador Dalgas Frish conseguiu a única gravação do canto desse pássaro maravilhoso que os jornais americanos chamaram de "o Caruso das Selvas". Dalgas quer fazer do uirapuru o símbolo do Acre. Já dei meu apoio total e irrestrito à campanha, que está sendo divulgada no blog do jornalista Altino Machado!
09/01/2007
LUIZ GALVEZ: da caricatura ao retrato![]() Reconstituição a bico de pena de uma fotografia de Galvez no seu palácio, feita por Perci Lau e publicada por Leandro Tocantins no segundo volume da sua Formação Histórica do Acre. A foto é de 1899. Se ganhou muitos admiradores e adeptos ao criar a República do Acre, Galvez ganhou muitos opositores também, que através dos jornais o retratavam como um aventureiro, mulherengo, viciado em jogo e gerente de bordel, reduzindo-o aos traços mais excêntricos de sua personalidade. E foi essa caricatura que ficou para a posteridade. Não se pode negar que o passado ajudava, mas ele não foi só isso. A verdade é que soube reconhecer o momento histórico e mostrar-se à altura. A maneira como tratou de organizar o Estado Independente demonstra isso. Vocês verão nospróximos capítulos!
06/01/2007
Amazônia em ParisEstamos todos adorando a minissérie Amazônia, não é verdade? Pois é, os franceses também! Assisti aos dois primeiros capítulos em um restaurante brasileiro em Paris e o clima foi de grande emoção. Eram muitos brasileiros matando as saudades de casa através daquelas cenas lindas e vários franceses tirando o chapéu para a qualidade da nossa dramaturgia. Alguns com quem conversei haviam visitado a belíssima exposição "Terres d'Amazonie", na prefeitura de Paris, e estavam totalmente seduzidos pelos encantos da nossa floresta.Vive l'Amazonie!!!
05/01/2007
PanemaUm dos maiores temores dos seringueiros é pegar panema. Ficar empanemado, perder a sorte para caçar, para agradar as mulheres. E uma das maneiras mais conhecidas de se pegar panema é desrespeitando a caça. Tendo morto o animal que vai comer, o caçador deve tratar o caçado com o devido respeito, não pode arrasta-lo indevidamente e, depois de come-lo, deve cuidar para que seus ossos não sejam deixados em lugar de passagem, onde possam ter contato com fezes de outros animais, ou onde mulheres grávidas ou menstruadas possam passar por cima deles. Se o fizer, é panema na certa! Existem várias receitas para curar panema: uma poderosa prevenção é a vacina do sapo, utilizada pelos índios. Entre outras providências, o empanemado pode ser defumado -ele e sua espingarda, porque a espingarda também pega panema- como fez Jovina no capítulo de hoje, pode tirar o enrasco tomando um banho de espuma com a casca de um pau conhecido como timbaúba, ou atirar contra um paxiubão, passar a espingarda entre as pernas e sair sem olhar pra trás. No dia em que se vai recorrer a um dos métodos para tirar o enrrasco, deve-se sair de casa sem dirigir a palavra a ninguém, e manter silêncio absoluto, até que a operação tenha sido completa. Existe um método que se considera muito perigoso e pouco recomendável, porque pode danificar um inocente: quando o caçador sabe quem o empanemou, ele faz o retrato do suspeito modelado na barriguda, depois atira contra o retrato, por entre as pernas. No que o tiro acerta o retrato, o atingido adoece, podendo até morrer. Elson Martins nos manda uma receita pra tirar enrasco que lhe foi ensinada por um seringueiro. vejam o que ele conta: RECEITA ENVIADA PELO JORNALISTA ELSON MARTINS O seringueiro Otávio Luciano da Silva, 76 anos, nascido no seringal Restauração, alto rio Tejo, no Vale do Juruá, cortou seringa durante 57 anos a partir dos nove de idade. Agora vive aposentado pelo Funrural na cidade de Thaumaturgo. Em fevereiro, eu o entrevistei e quis saber se conhecia algum remédio contra “panema” (má sorte na caça). Ele respondeu que sim e fez questão de ensinar: “Pega-se o rabo do quatipuru roxo e o chifre esquerdo de um veado; nove penas da nhambu azul, da asa esquerda; a segunda malha da jabota; cinco penas do mucumbu (rabo) do jacamim; nove pimentas malagueta; nove ramos de tipi da mata e três catingas de caititu. Pega-se tudo isso e põe numa vasilha. Num dia de sexta-feira em que o cabra for pro mato, ele deve levantar às seis horas sem falar com ninguém. Deixa tudo preparadinho no lado que ele vai pra mata. No dia seguinte leva a vasilha com os ingredientes, toca fogo e põe umas palhinhas da palmeira Jarina que é pra fazer fumaça.Então ele defuma a arma, a roupa todinha, aí deixa lá a vasilha sem olhar para trás. Se ele não matar numa primeira vez, no outro dia ele mata. A receita serve pra todos os bichos: do miúdo ao grande”. br/>Elson Martins
03/01/2007
O Primeiro DiaOntem foi a nossa estréia. Toda a equipe, a parte técnica, os atores, diretores, a Gloria, todos nós assistimos num restaurante do Rio, juntos e felizes, olhando nossa filha parida em conjunto, a minissérie. E assim como não se pode pedir imparcialidade a uma mãe que fala da beleza do filho, não posso ocultar a satisfação de ver Amazônia no ar, linda, exuberante, delicada e forte. Confesso que chorei bastante e vi olhos lacrimejantes ao meu lado. Estávamos emocionados. Mais feliz ainda eu fiquei quando conversei com nossos amigos do Acre, pessoas que colaboraram nas pesquisas, que participaram das gravações, pessoas que conhecemos por lá e que foram tão, tão especiais. O estado parou para assistir sua história retratada e isso não tem tamanho, não tem dimensão que eu possa dar. É só essa sensação aqui dentro do peito, retumbante. E foi só o primeiro capítulo. Hoje tem mais! Ai, meu coração...*risos* Tomara que vcs tenham gostado como eu.
02/01/2007
LA ESTRELLA SOLITARIA![]() No Brasil muito pouco se escreveu sobre Galvez. Mas o espanhol Alfonso Domingo publicou uma belíssima biografia romanceada dele: LA ESTRELLA SOLITARIA. O romance ganhou prêmios na Espanha e vai ser transformado num filme. Para quem quiser saber mais sobre Luiz Galvez, o livro do Alfonso Domingo é uma ótima pedida.
02/01/2007
lendas do Acre: o caboclinho da mata e o equilíbrio ecológicoOs bichos da mata têm dono: é o caboclinho da mata, que permite que os seringueiros cacem o essencial para sua alimentação, mas castiga com surras monumentais aquele que mata mais animais do que possa comer! Todos os seringueiros respeitam o caboclinho, e a maioria deles já o viu ou apanhou dele. Dizem que a sova parece chicotada de cipó, e vem não se enxerga de onde, o que apavora ainda mais o espancado. Quando o caboclinho se enfurece, bate nao só no caçador, mas também no seu cachorro. Quem levou uma surra daquelas do dono da caça foi o nosso Chico Mendes. E ele sempre contava essa história, lembra o Raimundão, primo e companheiro de lutas do Chico.
27/12/2006
A Vida Simples de Chico MendesChico Mendes era um homem simples, que viveu sem glórias e morreu em nome de um ideal de igualdade. A casa onde morava com sua esposa Ilzamar e os filhos Elenira e Sandino (Ângela, filha do primeiro casamento de Chico, morava em Rio Branco com uma tia), que hoje é um museu, mostra isso: Vista frontal da casa de Chico (depois de passar por reforma) Cozinha Quarto Sala Beijão.
26/12/2006
Um soneto de JUVENAL ANTUNES![]() Juvenal Antunes era uma grande figura: quem nao o conheceu no Acre, por ter nascido depois de sua morte, cresceu escutando falar dele. Aqui vai um dos sonetos que ele escreveu na sua mesa cativa, à frente do hotel Madrid, onde passava o dia inteiro bebendo e fazendo poesia Na minissérie, ele será interpretado pelo Diogo Vilela. ' E aí vai o soneto: O ACRE Terra gigantea e nova, opulenta e feraz, Que a miséria e ambição povoaram de repente, Como virgem pudica, amorosa e inocente, Entregaste teu seio ao nordestino audaz. Aqui corria outrora, em imensas caudais, O rio de dinheiro, em tumultuosa enchente; E era belo de ver como esta heróica gente Disputava o bastão de quem gastava mais. Das espigas, porém, como no Egito plenas, O septenio acabou; e, hoje, num triste drama, Vemos, representando o seu papel, apenas, Seringueiros, que a fome encova as faces lívidas, A borracha a dois mil e pouco o quilograma, Bacharéis sem questões e coronéis com dívidas!
26/12/2006
o Arco-Iris e os ashaninkas![]() Os ashaninkas tem muito medo do arco íris, porque ele rouba o espírito das pessoas e traz doenças. Por isso nunca pronunciam o nome dele. Quando o arco-iris aparece, deve-se cortar o ar com um terçado na direçao dele, para que sinta medo e fuja. Ou jogar cinzas quentes para cima, para que caia em seus olhos, impedindo-os de ver as pessoas da tribo e de fazer-lhes mal. Segundo os Ashaninkas o arco-iris é noke, a sucuri. Ele é o dono do barro utilizado no tingimento de roupas e utensílios. Tem raiva das mulheres grávidas e menstruadas. Se uma mulher menstruada mexer no seu barro ele a engravida. As grávidas nunca conseguem bons resultados no tingimento. Se uma mulher menstruada ou grávida passar por cima do barro, a sucuri o inutiliza, e ele nao serve mais para tingimento. da Enciclopédia da Floresta foto: tirada da internet
21/12/2006
Ave-Maria dos SeringueirosAtendendo a pedidos, postamos a singela Ave-Maria dos Seringueiros: Ave madeira que desgraça Ser preciso eu te cortar Bendito sois o teu leite Pra meus filhos sustentar Para os barões farrear Santa madeira mãe do leite Rogai pela nossa vitória Pra conseguir as reservas Extrativistas Nesta hora. Amém! Beijos, Bianca
18/12/2006
Atrizes Acreanas no nosso elenco!Olá, pessoal. Bom, além de Brendha Haddad, linda e talentosa atriz que já está fazendo o maior sucesso nas gravações da minissérie, temos outras duas acreanas em destaque no elenco: Clarisse Baptista e Karla Martins. Hoje eu quero contar um pouco da trajetória delas: Clarisse Baptista, a nossa Zilá, iniciou sua carreira de atriz ainda menina, aos 13 anos, no grupo Semente. Participou de várias montagens, entre elas Vila Beira do Barrando, de Antonio Manoel Rodrigues, Assunta do 21, de Nery Gomide e A Mãe, de Bertold Brecht. Veio para o Rio de Janeiro em 1983 e formou-se na CAL – Casa das Artes de Laranjeiras. Em 1992, foi escolhida para participar da Escola Internacional de Teatro, em Machurucutu, Cuba. Em 2002, participou da peça Stella do Patrocínio, sobre uma interna do Instituto Juliano Moreira, e obteve projeção nacional e reconhecimento por parte de críticos de teatro. Versátil, apresentou programas na Rádio Difusora Acreana. Atualmente ela dirige o teatro Plácido de Castro e a Usina de Artes João Donato, em Rio Branco. Karla Martins, a Dona Filó, é atriz e contadora de histórias. Formou-se em artes cênicas pela Universidade do Rio de Janeiro em 1991 e fez pós-graduação no Instituto Superior de Arte de Havana, Cuba, no ano de 1995. De volta ao Acre, desenvolveu projetos de arte e educação nos seringais da Reserva Extrativista Chico Mendes. Trabalhou também no teatro OIKOVEVA, onde pesquisou o teatro antropológico. Atuou em várias montagens teatrais e no curta O Ovo, baseado no texto de Clarice Lispector e com direção de Nicole Algranti. Participa da Rede Latino Americana de Contadores de Histórias e foi a primeira estrangeira a receber o prêmio Contarte. Atualmente trabalha na Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour.
16/12/2006
GALVEZ E LOLA![]() Dom Galvez, o primeiro a proclamar o Estado Independente do Acre, ocupava um cargo diplomático em Buenos Ayres quando se meteu com a esposa de uma autoridade local e acabou sendo obrigado a deixar a Argentina. Junto com o cargo, abandonou também a carreira diplomática e foi para Manaus, a feérica Manaus daquele final de século, espécie de ponto de encontro de todos os aventureiros do mundo, que para lá iam embalados pelo sonho da fortuna fácil, propiciado pelo boom da borracha. Em Manaus reencontra um amor antigo e permanente: a Lola (Vera Fisher), e entra em sociedade com ela para abrir um cabaret. E aqui estão eles, durante a apresentação de uma ópera no Teatro Amazonas. Galvez é mesmo um homem de mil faces!
14/12/2006
ESTÁ NO BLOG DO ALTINO:PROPAGANDA BÁSICA ![]() O povo acreano já começa a propagar espontaneamente a logomarca da minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes", de autoria de Glória Perez. A estudante de jornalismo Jannice Dantas desfilava hoje no centro da cidade com a sua camiseta básica. Revelou que cada peça custa R$ 20,00 e podem ser adquiridas com Edjane Pinheiro, no fone 68 9205-2041.
13/12/2006
A VACINA DO SAPO![]() ![]() O leite do sapo Kempo é uma espécie de purgante para os índios: tira mau olhado, reforça o sistema imunológico, prevenindo doenças, traz sorte, energia e vitalidade. É uma espécie de vacina, repetida periodicamente desde a infância. Os homens a tomam no braço, as mulheres na perna. O efeito imediato, chamado pelos índios de "pressão do sapo", é uma náusea muito grande, acompanhada pela paralização do corpo e sensaçao de desequilíbrio. O leite só pode ser retirado desta espécie de sapo, o Kempo. E de maneira delicada, de modo que nao o maltrate, ou o efeito será contrário àquilo que se espera. Retirado o leite, o sapo é solto e devolvido a seu habitat. Muitos moradores do Acre costumam tomar a vacina do sapo, que deve ser sempre aplicada pelos índios. Só eles sabem produzi-la, aplica-la e tomar conta do vacinado nos 15 ou 20 minutos em que dura o seu efeito. obs. as imagens são do filme YAWA
12/12/2006
Coletiva de Imprensa![]() ![]() Hoje tivemos coletiva. Aconteceu no cenário do cabaret de Manaus, onde os coroneis da borracha passavam noites alegres e acendiam charutos com notas de cem mil reis. Foi apresentado um can can, dança modismo da época, e um número magnifico do Edson Cordeiro, cantando uma aria de Carmem. Aqui, eu e Schechtman com Brenda (Ritinha), atriz acreana que a minissérie está lançando: ![]() Alexandre Borges, nosso Plácido de Castro: ![]() Regina Casé (dona Maria Ninfa), Juca de Oliveira (José de Carvalho) e Victor Fasano (Gentil Norberto) ![]() o governador Jorge Viana na cidade cenográfica com a familia de José Potyguara, autor do romance Terra Caída, que inspira, junto com O Seringal, de Miguel Ferrante, a parte ficcional da minissérie: Jorge Viana é quem assina o prefácio de Terra Caída, e Armando Nogueira assina o prefácio de O Seringal: ![]()
12/12/2006
A FÉ DO CORONEL![]() Em plena guerra, Plácido de Castro foi ao seringal Bom Destino pedir mais 150 homens ao coronel Joaquim Victor. O coronel cedeu os homens e quando Plácido saiu, ajoelhou-se na terra e fez uma promessa a Nossa Senhora: se Plácido vencesse a guerra ele construiria, em homenagem a ela, um monumento que duraria eternamente! Joaquim Victor prometeu e cumpriu: vencida a guerra, mandou fazer na ALemanha uma capela de ferro galvanizado, que foi toda montada no seringal!
11/12/2006
SeringaisOi, pessoal! Já viram as chamadas da minissérie? Estão lindas! Vi ontem e morri de orgulho...:-) Bom, mas vim aqui para mostrar ilustrações de lugares dos quais vcs ouvirão falar nos capítulos da minissérie. São seringais onde se passaram fatos importantes da história que vamos contar. Olha aí: Seringal Bom Destino Seringal Caquetá Seringal Empreza (é com "z" mesmo!) As imagens são do Álbum do Rio Acre, de Emilio Falcão. Beijão pra vcs.
10/12/2006
Cássio Gabus é Chico MendesNa última fase da nossa minissérie, ganham vida figuras marcantes da história recente da floresta. Participar do trabalho de pesquisa que dá subsídio histórico à imaginação criativa da Gloria é, para mim, um privilégio: significa a oportunidade de conhecer a fundo o legado de Chico Mendes. Nesta foto tirada por Mary Allegretti, Cássio Gabus Mendes abraça Elenira e Sandino, filhos do Chico. ![]()
07/12/2006
do jornalista Elson Martins sobre WILSON PINHEIRONascido em Careiro, pequeno município do Amazonas, Wilson ainda jovem tornou-se órfão de pai. Com mais dois irmãos passou a sustentar a família trabalhando como lixeiro da Prefeitura de Manaus. Passavam muitas dificuldades, por isso sonhou com a vida de garimpeiro em Porto Velho, Estado de Rondônia. Foi para lá, adoeceu de malária e exauriu a juventude sem melhorar de vida. Mandava mixaria para a família. Depois, ficou sem notícias da mãe e, desolado, enfiou-se nas matas acreanas tornando-se seringueiro. Casou, teve oito filhos, estava há 20 anos no seringal Sacado quando apareceram os fazendeiros. A Contag o encontrou em 1975 com 47 anos , sofrido e triste mas com energia para juntar-se aos companheiros e resistir. Era valente, sério, de poucas palavras mas muita ação. Quando falava media o que dizia, não queria formular nenhum pensamento torto. Sua coragem animava outros companheiros do seu e dos outros 7 sindicatos criados em seguida.Todos o procuravam e pediam orientação. Estava no segundo mandato como presidente do Sindicato de Brasileia quando foi assassinado, de emboscada, em 21 de julho de 1980. O jornal Varadouro registrou: Eram 8h30 da noite, a pequena cidade fronteiriça com a Bolívia assistia a novela “Água Viva” em que o personagem Miguel Fragonard caia morto em sua residência, atingido por um tiro. Wilson também via a novela na sede do sindicato. Seu companheiro de diretoria, João Bronzeado, acabava de dizer: “Companheiro, vamos largar de mão essa novela e ajeitar os nossos papéis. Novela não dá futuro para trabalhador”. Wilson, que se levantara, não teve tempo de responder. Do lado de fora da casa partiram três disparos que lhe atingiram os rins e ele caiu morto. “Ele tinha um tino administrativo, falava com o trabalhador como a um irmão”; “Foi um homem de muito respeito. Não tem ninguém que possa dizer uma vírgula contra ele”; “Ah, se não fosse ele os fazendeiros tinham derrubado tudo quanto era seringueira e castanheira”. Assim falaram os companheiros chorando sobre o seu cadáver. Sob o comando de Wilson Pinheiro, os trabalhadores realizaram em 1979 o chamado “grande mutirão contra a jagunçada” na estrada de Boca do Acre, com mais de 300 sindicalistas. Esse evento foi um marco de resistência. Confiante, Wilson mandou o recado duro que apressou sua morte: “Nós não vamos permitir desmatamentos no Acre”. O recado afrontou as elites e até autoridades públicas (do IBDF, Incra, da segurança estadual e federal). Numa reunião da Sudhevea (Superintendência da Borracha, extinta) promovida em Xapuri, no dia 14 de junho de 1980, o ex-seringalista Guilherme Lopes, folclórico e falastrão, sugeriu uma solução para acabar com os “empates”: matar o presidente do Sindicato, os padres e o delegado da Contag. Sugestão acatada. Oito anos depois de Wilsão, mataram também Chico Mendes, no dia 22 de dezembro de 1988, às 18h30, quando saia da cozinha para o quintal de sua casa. Com tiro de chumbo no peito.
06/12/2006
Wilson PinheiroChico Mendes foi o líder seringueiro que chamou a atenção do mundo para a causa dos que viviam da extração do látex e da castanha. Pesquisando sobre Chico, vc sempre vai ouvir falar de outra liderança: Wilson Pinheiro. Wilson foi seringueiro no Amazonas, mudou-se para Rondônia e depois para o Acre. Foi um dos fundadores do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia e seu presidente (eleito em 1977). É descrito assim no livro de Andrew Revkin: “um homem esguio, mais alto do que seus colegas seringueiros, com sorriso amplo, compridos e musculosos braços e mãos grandes. Era um orador convincente e um organizador talentoso”*. Ele e Chico eram companheiros de luta e amigos muito próximos. Assim como Chico, ele teve uma morte precoce e anunciada. Foi assassinado no dia 21 de julho de 1980, na sala do Sindicato que presidia. Wilson Pinheiro *Revkin, Andrew. Tempo de Queimada Tempo de Morte, Francisco Alves Editora, Rio de Janeiro, 1990, página 178. Beijos,
05/12/2006
Plácido de Castro fotografado por FawcettAltino Machado nos manda uma fotografia de Plácido de Castro, em Carapatá, tirada um ano antes de sua morte por Percy Fawcett. Fawcett era um pesquisador que andou pela Amazonia, no início do seculo XX, em busca de cidades perdidas. Desapareceu misteriosamente e até hoje não se sabe o que aconteceu com ele.
03/12/2006
Pai Nosso do SeringueiroSeringueira que estás na selva multiplicados sejam vossos dias venha a vós o vosso leite Seja feita a nossa borracha Assim na prensa como na caixa Para o sustento de nossas famílias nos dai hoje e todos os dias Perdoai nossa ingratidão Assim como nós perdoamos As maldades do patrão E ajudai a nos libertar Das garras do regatão Amém!
30/11/2006
O Jabuti-Bumbá![]() ![]() O Acre tem sua versão do boi-bumbá: é o Jabuti-Bumbá. As músicas e as danças são diferentes da versao nordestina. O Jabuti-Bumbá, que já é uma tradição em nosso estado, foi criado pelos Farias, uma familia tradicional do Acre. E vai ser mostrado na nossa minissérie.
29/11/2006
Horácio Alves Mendonça, Soldado da BorrachaEste emocionante depoimento faz parte do documentário que retrata o Primeiro Encontro Nacional dos Seringueiros, ocorrido em Brasília no ano de 1985. Um abraço grande, Bianca
27/11/2006
Construção da cidade cenográfica de ManausOi! Pra dar mais munição à curiosidade, vou postar algumas fotos da construção da cidade cenográfica de Manaus. Gente, tá ficando tão lindo... Beijão pra vcs
27/11/2006
velhinhos que nada!Assistam no blog do Altino a maravilha que é uma noite no bar dos velhinhos, lá em Rio Branco!
26/11/2006
Poesia da SeringueiraÁrvore robusta De Raízes profundas Da seiva tão rica Que alimenta o Mundo Da copa tão bela Que nos protege do calor Do caule singelo Que sustenta a Flor Em agosto senesce Para as folhas trocar Esconde a produção E não devemos sangrar Quando pequena È fácil de perceber Cortando uma folhinha O Látex começa a escorrer Depois de cinco anos Ela entra em produção Oferecendo a borracha Para movimentar a Nação Matéria-prima como essa Que não há substituição Da borracha se faz quase tudo Que se pode imaginar E é mais difícil dizer Onde não a utilizar Pois com ela se apaga até erros De quem quis e não soube acertar E por isso pedimos a todos Que possam de si um pouco oferecer Para proteger a Seringueira E a mesma nunca desaparecer. Autor desconhecido
26/11/2006
no PROJACNa primeira foto, durante as primeiras gravaçoes de Deborah Bloch e Neusa Borges. Na segunda, o almoço com Dalgas Frish, o famoso pesquisador que gravou o canto dos pássaros da amazonia. ![]()
22/11/2006
padre Paolino e a medicina da floresta![]() ![]() Antes era o padre José -hoje é o padre Paolino que percorre os rios do Acre fazendo desobrigas: batizando, casando, abençoando e cuidando das populações ribeirinhas. Padre José era nordestino, chegou ao Acre menino, tangido pela seca de 1915. Padre Paolino é italiano, e deixou uma vida confortável para dedicar a vida aos moradores dos rios. Padre José vai estar na primeira e na segunda fase de nossa minissérie, interpretado pelo Calloni. Padre Paolino vai estar em pessoa, na terceira fase. Padre José escreveu um livro sobre suas experiências na floresta. Padre Paolino também escreveu o seu, onde transcreve as receitas que o povo da floresta utiliza para curar doenças. E aqui vai uma pequena amostra pra vocês: febre? CUMARU-passar o óleo de cumaru no corpo todo. Faz suar e passa a frebre CARANAPAÚBA E QUINA DO MATO- fazer o chá com duas polegadas de casca de caranapaúba e 1 chave de quina do mato num litro d'água. Tomar 1 copo durante o dia Dor de ouvido? FLOR DE JERIMUM-esquentar a flor de jerimum, tirar o sumo e colocar 2 gotas no ouvido 2 vezes ao dia CATINGA DE MULATA-esfregar uma palma de catinga de mulata, tirar o sumo, coar e colocar duas gotas no ouvido, 2 vezes ao dia. Tampar com algodão. Espinhas e Cravos?-AGRIÃO- ferver as folhas e, com esta água, lavar o rosto PEPINO-amasse um pepino até virar um creme e aplique diariamente no rosto
21/11/2006
O olhar de quem esteve lá!Oi! Tudo bem por aí? Por aqui tudo caminhando (com céu cinza e carregado de chuva!) Olha só: a Karol Araújo, uma menina muito simpática do Acre, fez parte do elenco de figuração e registrou tudo num diário com imagens e descrições. Vou postar algumas destas fotos aqui com os comentários dela. Com a palavra, Karolina Araújo: Dia 14/09: "Meninas da figuração da Zarzuella e a atriz Franciely Freduzeski" Dia 16/09: "Essa daí é a famosa escada de 65 degraus (minha amiga contou!) que todos nós descíamos para chegar até a cidade cenográfica." Dia 28/09: "Antes de começar a gravar todo mundo é amigo! Aqui estão soldados de Plácido e soldados bolivianos." Dia 29/09: "Eram bombas espalhadas para todo lado (com todo o cuidado, claro): dentro do rio, nas margens, nas moitas. Lá de cima, onde eu estava, só se ouvia o estrondo, um barulho inexplicável. Lá embaixo, os cogumelos de fogo apareciam, seguidos por cortinas de fumaça que se misturavam ao ar das terras acreanas..." Bacana, né? Depois eu coloco mais fotos e textos da karol. Aliás: OBRIGADA, KAROL! Beijão pra vcs.
20/11/2006
começaram as gravações no estúdioHoje entramos no estúdio. A primeira cena foi com dona Júlia (Malu valle), e aqui vai ela para vocês. Ao lado, Emilia Duncan, a figurinista, a responsável pelo belíssimo figurino do elenco. ![]() ![]()
18/11/2006
Deborah Bloch é BeatrizEsposa do Gomes (Paulo Betti), cunhada do coronel Firmino (José de Abreu). irmã de dona Julia (Malu Valle) rival de Lola (Vera Fisher) e de Maria Alonso (Cristiane Torloni) na disputa pelo amor de Galvez (José Wilker), a impetuosa Beatriz vai ser responsável por muitos momentos emocionantes da trama.
17/11/2006
Os Yawanawa e a pinturaOs Yawanawa são uma das muitas etnias indígenas do Acre. Usam o urucum para fazer suas pinturas e utilizam, em seus desenhos, motivações que lembram as cores e as formas dos animais da floresta. Explicam que se pintam para demonstrar que estão alegres e saudáveis. Também para que se tornem invisíveis aos olhos do inimigo no momento da guerra, e dessa maneira lutem confiantes e sem medo. A pintura é importante porque revela, também, a identidade de cada tribo. Os Yananawas fazem um festival anual. E agora remeto vocês ao blog do Altino, onde dois representantes desta nação: o Joaquim Tashka Yawanawa e o Biraci Nishiwaka Brasil, falam sobre esse festival: as fotografias que ilustram esse post são do documentário YAWA: ![]()
16/11/2006
a mídia no Acre antigo![]() Antes que o rádio chegasse a Rio Branco, os anúncios de filmes, festas e toda a sorte de eventos eram comunicados à população através do Raimundo Doido, com seu tambor e alto-falante. A informação vinha acompanhada de uns passinhos de dança. Na minissérie, vamos mostrar a performance do Raimundo Doido. Aí está ele, em fotografia de álbum de família
16/11/2006
Cidade Cenográfica no ProjacOlá! Hoje eu fui dar uma volta pela cidade cenográfica da minissérie...e está tudo muito bacana e caprichado! O Seu Aldenor, que é seringueiro e trabalha no Parque Capitão Ciríaco, lá do Acre, está aqui no Rio conosco nos ensinando direitinho como as coisas devem ser. Nas fotos, ele está construindo o defumador, onde se trabalha o látex até que a péla de borracha esteja pronta. Olha aí o Seu Aldenor trabalhando! Esse é o Jorge "Jimi Cliff", da carpintaria. Ele está colocando a cobertura do defumador. E aqui, uma foto de tudo terminado (as fotos são de defumadores diferentes)! Viu só? Beijos e beijos.
15/11/2006
O incansável elenco de apoioFabiana Mesquista, acreana e estudante de jornalismo, passou um dia nas gravações da minissérie e fez um registro muito interessante.![]() A minissérie mudou a rotina de muitos moradores de Rio Branco, desde agosto, quando a equipe que seleciona figurantes chegou. Cerca de 600 pessoas foram escolhidas, membros comuns e muito bem-humorados da sociedade acreana dispostos a fazer parte de um pedaço de cena ou apenas ver como é feita. “Fiz a inscrição na Usina de Artes, no primeiro dia de seleção. Semanas depois recebi um telefonema chamando para participar das gravações. Acordei às cinco da manhã e peguei o ônibus dos figurantes na Praça Plácido de Castro. Entramos num ramal do km 48 da estrada de Porto Acre, eu estava ansiosa e quando via as tendas brancas do set e o palácio do Galvez, pensei, puxa, vou participar disso!” , conta Karolina Araújo, estudante de Ciências Sociais, com quem conversei nesses dias. A primeira participação de Karolina foi na Companhia de Dança Zarzuella, cuja estrela é Maria Alonso (Cristiane Torloni). Ela e mais quatro amigas vestiram-se de dançarinas espanholas, ensaiaram a música e no momento da gravação apenas seguiram a instrução de um dos diretores “vai no ritmo da música e sente...” O resultado foi a cena de uma belíssima e sensual apresentação de Maria Alonso, com cinco meninas de Rio Branco, lá no fundo, sentindo a música e indo no ritmo dela. Então veio a idéia: Tudo bem, pensei, posso não parecer uma dançarina espanhola, mas fico bem como seringueira. Fiz uns contatos e fui à luta... De todos os participantes com quem conversei, sem dúvida, o mais interessante foi Cícero Franca. Artista plástico, repentista e ator, com fala rápida e alegre, cantou um repente para Glória Perez e recebeu o papel de Aristide, um soldado da revolução que, por beber muito, leva uma bronca de Plácido de Castro, interpretado por Alexandre Borges. “Eu fui decorando no ônibus, o texto do Aristide era só reclamação. Aí, uma mulher achou que eu falava com ela e começou a brigar comigo.” Risos. “O Plácido não gostou de ver o Aristide beber, então pegou a garrafa e derramou. Eu acompanhei com tristeza a bebida derramando enquanto dizia que ela ajudava a sustentar...” A guerra sangrenta entre as forças regulares bolivianas e o exército acreano formado por seringueiros mobilizou centenas de figurantes por vários dias. Homens corriam por um terreno acidentado, portando armas cenográficas, sob o comando dos diretores da minissérie. Essa grande batalha resultou na tomada definitiva de Puerto Alonso, mas o objetivo final dos acreanos era obter a anexação do Acre ao Brasil. A história do Acre é bonita e vivê-la, mesmo que por alguns minutos, é emocionante. Sempre que perguntava qual foi o momento marcante desses dias, todos faziam um apanhado deles: a guerra, a dança, o corte da corrente, o almoço com peixe assado na palha de bananeira, ônibus atolado no ramal... A conclusão que posso tirar dessa experiência fantástica é que apesar de todas as dificuldades, a população acreana permanece fiel às suas origens e tradição de lutas para pertencer ao Brasil. Conhecem o seu lugar e não abrem mão de mostrar a mais bela identidade amazônica. ![]() Por Fabiana Mesquita – estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Acre Publicado originalmente no site www.overmundo.com.br
13/11/2006
Clarisse Baptista e Karla MartinsOi, comunidade blogueira! Tudo bem? Bom, hoje eu quero apresentar pra vcs mais dois tesouros do solo acreano: Clarisse Baptista e Karla Martins. Elas são atrizes com grande experiência no teatro e vão abrilhantar nossa minissérie na segunda fase como, respectivamente, Zilá e Dona Filó. Clarisse Baptista como Zilá. Karla Martins como Dona Filó, a parteira e rezadeira da 2º fase. Beijão e boa semana pra vcs!
11/11/2006
Os Geoglifos do Acre![]() fotografia de Sergio Valle ![]() fotografia de Altino Machado: um poste dentro de um geoglifo O jornalista acreano ALTINO MACHADO escreve, para nos, uma crônica sobre eles. Com a palavra, o ALTINO: Espero que haja espaço na minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes" para ser mostrado ao povo brasileiro os geoglifos do Acre - as figuras que se tornaram visíveis na terra após o corte raso e a queima da floresta para a formação de pastagens. Trata-se de uma das descobertas mais fantásticas da arqueologia amazônica ou sul-americana dos últimos tempos. Valas e fragmentos dos geoglifos já formam os maiores monumentos arqueológicos do país e podem contar uma nova história sobre os povos que viveram na América antes da chegada dos europeus. A minissérie poderá contribuir para chamar a atenção e impedir a destruição de um legado que data do século XIII, mais de 200 anos antes de Pedro Álvares Cabral desembarcar no Brasil Existe uma velha polêmica que envolve etnólogos e arqueólogos sobre as formas de organização social e nível de complexidade sociocultural alcançados pelas sociedades indígenas encontradas e dizimadas pelos europeus a partir do século XVI. Perdurava a tese de que sociedades complexas e populosas se desenvolveram apenas na várzea amazônica, não em áreas de terra firme. Os pesquisadores envolvidos com os estudos prelimares dos geoglifos dizem que a razão pela qual foram construídos, bem como aquela população se organizava em termos sociais, econômicos e culturais, pode provocar uma verdadeira quebra de paradigma dentro da disciplina arqueológica e mudar para sempre o curso dos estudos sobre as sociedades pré-coloniais amazônicas. A partir dos geoglifos, surgem evidências de que também se desenvolveram sociedades complexas na Amazônia, que promoveram enorme alteração na paisagem. Os pesquisadores trabalham com a hipótese de que no Acre, há mil anos, viveram sociedades mais numerosas do que a população existente hoje. As imagens de satélite do Google Earth ajudaram na identifição de um terço dos 120 geoglifos no Acre. Um artigo científico a respeito será publicado em breve por três pesquisadores, mas dentro e fora do Acre o assunto ainda é muito desconhecido. Os arqueólogos querem tombá-los como patrimônio da humanidade, por enquanto, não foi sequer tombado pelo Estado ou municípios. Nos últimos meses registrei a dilapidação de nossos geoglifos. Recentemente, um poste de energia elétrica do Programa Luz para Todos, do governo federal, foi fixado dentro de um de nossos geoglifos mais belos - um retângulo com um círculo dentro, cuja imagem faz lembrar a logo da Rede Globo. Na semana passada, no Dia de Finados, fotografei o estrago causado por um trator com arado, que aplaionou um dos maiores geoglifos do Acre, na Vila Pia, na BR-317, a 60 quilômetros de Rio Branco. Esses e tantos outros casos chegam ao conhecimento do Ministério Público e do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que não tomam nenhuma medida para coibir a destruição. O Iphan não possui normas claras e procedimentos que devem ser tomados para a exploração turística dos sítios, tampouco gente para fiscalizar os sítios arqueológicos. É necessário que haja estudos, divulgação e exploração turística dos geoglifos da melhor forma possível. Sem divulgação, não haverá pressão da sociedade sobre parlamentares para protegê-los com leis e portarias, que podem e devem ser criadas, pois a lei federal é muito ampla. Em setembro, uma equipe de documentaristas de uma emissora da TV japonesa esteve no Acre para filmar os geoglifos. NoS próximoS dias, uma equipe do Globo Repórter, da Rede Globo, estará em Rio Branco para fazer o mesmo. O ritmo de destruição está sendo tão intenso que as futuras gerações correm o risco de conhecer apenas os geoglifos registrados em fotos e vídeos. Torço para que nossos geoglifos não sejam eliminados do cenário amazônico. P.S.: gostaria de sugerir aos interessados, algumas leituras sobre o tema: os geoglifos do Acre, janela para o passado, Pré-História do Acre, geoglifos pra boi pastar, Japão filma os geoglifos, Arqueologia Amazônica |